sábado, 31 de dezembro de 2011

ALÉM DAS “TEORIAS” DO DECRESCIMENTO. POR UMA ECONOMIA COOPERATIVISTA E LIBERTÁRIA

Quarta Discussão: Uma breve parada para reflexão (não-conclusiva)

Chegamos a um momento que, embora provisório, pode nos dar uma conclusão parcial destas discussões, o qual diz respeito à posição dos jovens em especial aqueles que vêm sofrendo uma lavagem cerebral nos cursos elementares e médios e inclusive universitários do país, que são obrigados a memorizar como pontos de trabalho educacional o manifesto do partido comunista e outros documentos que não promovem uma capacitação ou educação libertária.

Portanto, é preciso esclarecer aos jovens estudantes que se entusiasmam pelas palavras de ordem dos partidos políticos (à esquerda e à direita), para ficarem prevenidos diante do volume de material que circula pelos blogs, pelos sites ideologicamente aparelhados e pelos vídeos de muitos destes “filósofos” de última hora que aparecem defendendo uma bandeira de decrescimento apenas para fortalecer princípios que já não representam mais as necessidades de mudança, de transformação, que ainda defendem em passeatas as brutalidades de ditadores latino-americanos, asiáticos e médio-orientais, que ainda acreditam que a solução para a sustentabilidade e a vida simples e sadia está nos modelos marxista-leninista-stalinista-castritas-chavistas, etc..

Antes de discutir de modo apelativo o decrescimento é preciso que se concentrem esforços orientados para o planejamento de um Novo Desenvolvimento. O crescimento em si é apenas um processo cartesiano, mecanicista e materialista que procura inibir o desenvolvimento sadio ao se utilizar de tecnologias sujas apenas para promover a acumulação de riquezas ou, como no caso dos marxistas, acumulação de bens materiais a serem distribuídos pelo Estado através de senhas em cartões hierarquicamente distribuídos de acordo com o comportamento de cada pessoa, grupo, comunidade e suas dedicações aos desígnios do Poder Central do Estado.

Com relação ao desenvolvimento como base para a liberdade ou esta como base para aquele, vejamos o que diz Amartya SEN (2000, p.18):

"O desenvolvimento requer que se removam as principais fontes de privação de liberdade: pobreza e tirania, carência de oportunidades econômicas e destituição social sistemática, negligência dos serviços públicos e intolerância ou interferência excessiva de Estados repressivos A despeito de aumento sem precedentes na opulência global, o mundo atual nega liberdades elementares a um grande número de pessoas – talvez até à maioria. Às vezes a ausência de liberdades substantivas relaciona-se diretamente com a pobreza econômica, que rouba das pessoas a liberdade de saciar a fome, de obter uma nutrição satisfatória ou remédios para doenças tratáveis, a oportunidade de vestir-se ou morar de modo apropriado, e ter acesso a água tratada ou saneamento básico".

Antes de lutarmos por um decrescimento da quantidade da produção industrial, devemos lutar por um crescimento e desenvolvimento de qualidade de consumo, pela educação através de um saber profundo que seja capaz de esclarecer e ampliar o discernimento das pessoas para evitarem o obsoletismo programado e desenfreado da produção de bens e, sobretudo, fazer com que se utilize o mínimo possível (ou nada) de materiais derivados de commodities vegetais, animais e minerais que não sejam renováveis e que são tóxicas.

Os pregadores do decrescimento social de estado propõem a redução da produção para limpar a atmosfera, o meio ambiente, e realizar programas de sustentabilidade. O que os seguidores e defensores da teoria do decrescimento, encabeçada por Latouche, discutem e defendem está mais atrelado a uma Ecologia Política para um Estado de esquerda do que a uma Ecologia Social e Humana que proporia não um estado árquico, mas um estado anárquico e cooperativista.

Todavia, realizar a sustentabilidade com a miserabilidade e a deterioração da qualidade natural de vida das pessoas, mantendo ainda a produção de bens que são promotores da economia de capital, apreciada tanto pelos pregadores que estão à direita do processo quanto pelos que estão à esquerda, porque estes não se recusam a aceitar as benesses do capitalismo de estado que se constitui na base do consumo de materiais e recursos não renováveis, não tem sentido. É como se diz no interior do Brasil: acender uma vela para deus e outra para o diabo porque se um falhar o outro pode quebrar o galho na hora do aperto.

O tema do decrescimento não é de todo imprestável, mas está sendo indevidamente direcionado. É bom, mas deveria ser também útil e que apresentasse resultados direcionados para a redução da pobreza sem a tautologia do solidário. Para a Ecologia Política quanto maior a intervenção do estado na economia de capital para que se proceda a um decrescimento que preserve apenas os benefícios do sistema dominante, melhor. O oposto seria formado pelas propostas da Ecologia Social e Humana, para a qual o princípio do Estado Mínimo ou mesmo de nenhum Estado Político seria essencial para a sustentabilidade e a manutenção da qualidade de vida e da natureza.

Se retrocedermos aos estudos dos anos 70 e 80, tanto de cientistas quanto de intelectuais veremos que apesar do grande ceticismo da época como é possível ver nos pronunciamentos de economistas e outros tantos defensores das tecnologias sujas de produção, aqueles grupos que eram minorias e que eram ridicularizados, provaram que estavam no caminho certo de seus estudos e pesquisas quanto aos cenários futuristas que seriam produzidos pelo crescimento desenfreado em busca de uma maior acumulação de riqueza e de uma economia afluente para o bem das minorias e a miserabilidade das maiorias em todos os países do Planeta, o que justificaria uma luta, agora em defesa por uma teoria que ontem foi execrada.

Todavia, é necessário que fiquemos alerta, porque o que se pretende em algumas dessas células políticas que defendem em Foros Sociais Mundiais ou em reuniões de blocos de países desenvolvidos à direita e em desenvolvimento, pode levar o Planeta para uma situação igual ou pior à do crescimento baseado em recursos não renováveis, como seja: aumento da violência, aumento do analfabetismo, aumento da contaminação dos rios e fontes de água pela incapacidade de usar adequadamente um bem não renovável tão precioso como a água, aglomeração de pessoas fugindo das zonas rurais saqueadas pelo neo-feudalismo mecanizado e tecnologizado, mas que já não produzem mais commodities suficientes para exportação, aumento da fome e muitos outros problemas de ordem social, econômica, política que gerarão um maior nível de repressão e opressão sobre as populações, sejam promovidas pelo neo-capitalismo liberal, seja pelo neo-socialismo comunista.

Assim sendo, antes de discutir o decrescimento com objetivo apenas político-ideológico será interessante anteciparmos uma grande discussão sobre um Novo Desenvolvimento Socioeconômico, com crescimento mínimo e restrito à geração de renda através de ambientes com recursos renováveis, que tenha por base princípios Cooperativistas como um Caminho do Meio capaz de elevar a educação e a maturidade das pessoas para, em seguida, escolhermos os modelos de decrescimento ou as formas como poderemos realizar este decrescimento elevando, com criatividade e inovação, a qualidade de vida natural planetária e não somente de alguns poucos escolhidos e seguidores dos poderosos de qualquer lado. Estarei atento aos artigos e textos que estão sendo publicados e continuarei com a temática em outras oportunidades, bem como às críticas e posições de insatisfação dos intelectuais que insistem em defender posições meramente ideológicas. Segue uma lista parcial de textos e sites que discutem posições distintas de defesa do decrescimento e outras idéias importantes para o Novo Desenvolvimento.

Fontes de consulta para estudo e discussão

1)Alguns Livros:
BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no século XX. 3.ed. Rio de Janeiro: LTR, 1987
DALY, H. E. (Compilador). Economía, ecologia, ética Ensayos hacia una economía en estado estacionario. México: Fondo de Cultura Económica, 1989.
NOZIK, Robert. Anarquía, Estado y Utopía. México: Fondo de Cultura Económica, 1988.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
SCHUMACHER, E. F. O Negócio é ser pequeno. São Paulo: Círculo do Livro, 1983.
THOREAU, Henry David. Walden ou a vida nos bosques. São Paulo: Ground, 2007.

2)Alguns Artigos de Sites e Blogs:
www.ecodesenvolvimento.org.br
www.planetaorganico.org.br
www.decrecimiento.org
http://pt.scribd.com/doc/30640249/Rumo-ao-decrescimento-Perspectivas-da-economia-ecologica-e-da-ecologia-politica-para-o-bem-estar
http://168.96.200.17/ar/libros/brasil/pesqui/cavalcanti.rtf (para o livro: Desenvolvimento e Natureza: Estudos para uma sociedade sustentável).
www.ecoplanet.com
http://decrescimentobrasil.blogspot.com/2010/11/decrescimento-economico-socialmente.html
www.ecodebate.com.br
http://www.ecologiapolitica.info
http://luchainternacionalista.org/IMG/pdf/Supl_101cas-decreix4.pdf
https://sites.google.com/a/decrecimiento.info/criticaamoros/
www.kaosenlared.net
http://outroladodanoticia.com.br/component/content/article/2-noticias/2699-decrescer-ou-morte.html
http://www.vientosur.info/documentos/Decrecimiento%20Treillet.pdf
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=4293
http://www.france.attac.org/archives/spip.php?article3965
http://www.unicamp.br/cemarx/criticamarxista/3_Meiksins.pdf
http://www.decrecimiento.info/2011/10/controversia-con-serge-latouche.html
Controversia con Serge Latouche ¿Revolución integral o decrecimiento?
www.kaosenlared.net/noticia/teoria-decrecimiento-vano-intento-poner-dieta-bestia

Pão, Paz e Liberdade
2012 ANO INTERNACIONAL DO COOPERATIVISMO

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ALÉM DAS “TEORIAS” DO DECRESCIMENTO. POR UMA ECONOMIA COOPERATIVISTA E LIBERTÁRIA

Terceira Discussão: A “Teoria do Decrescimento”. As tentativas de restauração do Socialismo Real e do Capitalismo de Estado

O crescimento, que tomou impulso quantitativo e de afluência econômica a partir da década de 1950 e causou e tem causado desastres e impactos negativos no Planeta com uma intensidade sem precedentes, começa a perder fôlego, como salientei, diante do desespero dos detentores do capital e da riqueza financeira, quando se perceberam que os recursos econômicos e materiais, que antes já eram escassos, estão efetivamente se esgotando e vão começar a reduzir os seus poderes e dominações sobre aquela maioria da sociedade que não discute e que é alter-dirigida e alter-dominada, bem como sobre a Natureza que já não pode mais ser também dominada como estava sendo desde séculos.

O declínio do capitalismo coincide com o declínio do crescimento e da acumulação através do uso dos recursos da economia de capital que são exauríveis e não-renováveis (aqui me sirvo mais uma vez de Schumacher).

Estou acompanhando e lendo um bom número de artigos e textos relacionados com a temática do “Decrescimento”. Alguns até interessantes para quem não está prevenido contra as artimanhas dos profissionais e militantes da política neo-socialista. Da mesma forma como procuram se apropriar maldosamente da palavra Cooperativismo (Cooperativa) associando-a à palavra Solidário, o mesmo ocorre com a palavra Decrescimento que já vinha sendo usado pelo movimento libertário há muito tempo embora não de forma explícita, e agora especialistas em socialismos, bem como seus seguidores, procuram enfatizar a necessidade de se parar o crescimento econômico que o capitalismo selvagem vem promovendo desde a Revolução Industrial, para salvar o meio ambiente e promover um desenvolvimento sustentável, a fim de evitar a extinção do homem, dos animais e da natureza como um todo.

O próprio Serge Latouche (um socialista reformado ou reformista) reconhece em artigo que a palavra foi usada explicitamente pelo eco-economista romeno Nicholas Georgescu-Roegen em seguimento ao que já se discutia nos relatórios do Clube de Roma. Estudiosos como Herman Daly e outros já discutiam nos anos 80 e 90 uma teoria para um Estado Econômico Estável (Steady State Theory), a qual já salientava a necessidade de se estabilizar o crescimento e buscar um desenvolvimento que não precisasse usar altas tecnologias, discussão esta que já havia sido antes antecipada por economistas como E. F Schumacher.

J. M. Alier (2011) em seu artigo publicado no Blog www.decrescimentobrasil.blogspot.com salienta que:

"O apoio explícito de Georgescu-Roegen, em 1979, ao conceito de decrescimento (Grinevald and Rens, 1979), as perspetivas de Herman Daly sobre o estado estacionário (steady-state) desde o início dos anos 1970, o êxito de Serge Latouche em França e na Itália, na última década, ao insistir no decrescimento económico (Latouche, 2007), prepararam o terreno. Chegou o momento, nos países ricos, de um decrescimento económico socialmente sustentável reforçado por uma aliança com o «ambientalismo dos pobres» no hemisfério sul".

A promoção de um decrescimento econômico socialmente sustentável nos países ricos soa um pouco com o refrão marxista de luta de classes do proletariado contra a exploração capitalista visto que nada vem salientado neste discurso que remeta a uma ação mais efetiva em prol da chamada sustentabilidade, senão algumas investidas de grupos alter-dirigidos que se manifestam à porta dos palácios nas reuniões de cúpula do velho e obsoleto capitalismo, com bandeiras e palavras de ordem bem conhecidas dos ativistas de sindicato quando agiam nas portas das fábricas nos anos 50 e 60 (no Brasil antes da ditadura militar) em várias partes do mundo.

As discussões sobre sustentabilidade, desestabilização e redução programada do crescimento, desenvolvimento integral considerando: o Ser Humano, a Natureza e todos os seres que compõem a biodiversidade do Planeta, começam de modo efetivo, para mim, com os trabalhos elaborados pelos pesquisadores e estudiosos que faziam parte do Clube de Roma.

Lá pelos idos de 1972 os estudiosos do Clube, liderados por Meadows, publicam um relatório que apresentava três teses. Só nos anos 90 tomei conhecimento deste relatório e de outros trabalhos produzidos pelo Clube de Roma. A seguir mostro as teses do grupo de pesquisadores coordenado por Dennis Meadows (1972:20) (Apud Brüseke, F. J., In, Cavalcanti, C. (Org.), 2011):

"1. Se as atuais tendências de crescimento da população mundial industrialização, poluição, produção de alimentos e diminuição de recursos naturais continuarem imutáveis, os limites de crescimento neste planeta serão alcançados algum dia dentro dos próximos cem anos. O resultado mais provável será um declínio súbito e incontrolável, tanto da população quanto da capacidade industrial.

2. É possível modificar estas tendências de crescimento e formar uma condição de estabilidade ecológica e econômica que se possa manter até um futuro remoto. O estado de equilíbrio global poderá ser planejado de tal modo que as necessidades materiais básicas de cada pessoa na Terra sejam satisfeitas, e que cada pessoa tenha igual oportunidade de realizar seu potencial humano individual.

3. Se a população do mundo decidir empenhar-se em obter este segundo resultado, em vez de lutar pelo primeiro, quanto mais cedo ela começar a trabalhar para alcançá-lo, maiores serão suas possibilidades de êxito".

Apreciando estas proposições assim se refere Brüseke:

"Para alcançar a estabilidade econômica e ecológica, Meadows et al. propõem o congelamento do crescimento da população global e do capital industrial; mostram a realidade dos recursos limitados e rediscutem a velha tese de Malthus do perigo do crescimento desenfreado da população mundial. A tese do crescimento zero, necessário, significava um ataque direto à filosofia do crescimento contínuo da sociedade industrial e uma crítica indireta a todas as teorias do desenvolvimento industrial que se basearam nela. As respostas críticas às teses de Meadows et al. surgiram conseqüentemente entre os teóricos que se identificaram com as teorias do crescimento".

Vale salientar, entre outras observações, que

"O prêmio Nobel em Economia, Solow, criticou com veemência os prognósticos catastróficos do Clube de Roma (Solow, 1973 e 1974). Também intelectuais dos países do sul manifestaram-se de forma crítica. Assim Mahbub ul Haq (1976) levantou a tese de que as sociedades ocidentais, depois de um século de crescimento industrial acelerado, fecharam este caminho de desenvolvimento para os países pobres, justificando essa prática com uma retórica ecologista. Essa foi uma argumentação freqüentemente formulada na UNCED no Rio, em 1992, mostrando a continuidade de divergências e desentendimentos no discurso global sobre a questão ambiental e o desequilíbrio sócio-econômico. (Brüseke, 2011)".

O Clube de Roma era formado por intelectuais de vários segmentos políticos e científicos e o conteúdo de seus relatórios, até onde pude acompanhar, não apresentava um segmento ideológico único nem dogmático, o que merece ser mais bem apreciado antes de se discutir a questão do decrescimento com um rumo meramente ideológico como se percebe nas falas, artigos e discursos de vários militantes luditas pós-Clube.

Se o objetivo de alguns grupos trans-ideológicos de intelectuais, políticos, e científicos é propugnar pelo decrescimento da industrialização criminosa, poluidora, desastrosa, que contribui cada dia mais para o aumento do CO2 na atmosfera e o envenenamento de florestas, rios, lagos, aqüíferos e destruição da flora marinha, então esta luta não pode ser direcionada para a restauração de um dos sistemas que mais contribuíram para a destruição da natureza, que foi o socialismo estatal com seus processos de aumento quantitativo da produção de bens para justificar a retórica dos partidos, como foi visto na Alemanha Oriental, e em vários países da Cortina de Ferro (juntamente com o sistema capitalista liberal).

Deste modo, as apelações de socialistas, como as de Latouche e outros, não são bem recebidas ou vistas pelos que defendem uma sociedade libertária e autônoma (entre os quais me incluo). Uma sociedade baseada nos princípios Cooperativistas e Mutualistas seria mais bem recebida como resultado de um decrescimento não-ideologizado.

O capitalismo foi bom em desenvolver, criar tecnologias e produzir bens e serviços, mas péssimo em distribuir esses bens e resultados da economia de capital, por isso não conseguiu reduzir a pobreza; já o socialismo foi bom em distribuir bens e serviços, mas péssimo em criar os meios e as tecnologias para produzi-los e, por conseqüência, também não conseguiu reduzir a pobreza. Por isso nem um nem outro são mais benéficos para a humanidade e qualquer crescimento que eles tentem fazer daqui em diante será para ampliar a destruição do Homem e da Natureza.

Pão, Paz e Liberdade
2012 ANO INTERNCIONAL DO COOPERATIVISMO

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ALÉM DAS “TEORIAS” DO DECRESCIMENTO. POR UMA ECONOMIA COOPERATIVISTA E LIBERTÁRIA

Segunda Discussão: O Declínio do Capitalismo. O Fim da Economia de Capital

Um olhar sobre as várias crises que vêm se desdobrando desde 1973 com o primeiro choque do petróleo me conduziu a reflexões que não combinam com as de alguns teóricos sobre o desempenho econômico e financeiro do sistema capitalista ocidental, levando-me a uma discussão que culmina com o declínio deste sistema no Ocidente e em alguns países do Oriente.

O fim do capitalismo, como o fim do socialismo, sistemas políticos e ideológicos que se posicionam em pontos extremos do viver humano e da natureza, coincide com o fim da história e o começo de uma nova história, a qual deverá retratar as novas tendências humanísticas das futuras gerações no Planeta. Ao perceber que o limite já está no seu ponto crítico criaram uma saída que resultou no chamado neoliberalismo. Uma saída ingênua, ridícula e sem consistência que tentou usar os conceitos do Estado Mínimo de forma invertida que resultou em um estado hobbesiano em lugar de um novo estado keynesiano, procurando manter intacto o princípio monopolista do capital que nasceu no estado pleno dito democrático.

Os sinais mais efetivos, e que representam evidências para aqueles que ainda insistem em um capitalismo de economia de capital, estão presentes em fatos como a quebra da ENRON, do Lehman Brothers e de outros monumentos-símbolo que representavam esteios do liberal-capitalismo. A quebra de mega empresas como as de aviação, como os bancos e algumas indústrias são os sinais de que se torna necessário uma transformação do modelo de economia de capital em vigor para que se comece a marchar na direção de um Novo Desenvolvimento e não, meramente, de um decrescimento.

Crescimento é como colocar todos os ovos em uma mesma bandeja e esperar que os CEOs não tropecem nas deficientes técnicas de Management para que não caia. Enquanto que Desenvolvimento representa o resultado da criatividade, da inovação e das práticas libertárias e holísticas disseminadas entre todos aqueles que, de forma livre, dedica suas energias em prol de objetivos comuns para que as várias organizações, inclusive os Estados, possam colocar em ação. Crescimento é apenas Fazer (Atividade), Desenvolvimento é Pensar e Fazer (Ação).

O fim das ditaduras (e, em especial, dos ditadores e líderes dominadores) representa algo realmente importante que não apenas uma mudança de regime político ou de estrutura hierárquica, mas uma mudança de conceitos, embora muitos grupos ainda guardem a esperança de, nesse embalo, recuperar os espaços estratégicos perdidos ou em fase de extinção para re-implantar os princípios ditatoriais, já agora com uma nova experiência que vai disfarçada na linguagem da propaganda e com o uso de especialistas em marketing político. Vivemos sob o fogo de duas ferrenhas e nocivas ditaduras: a ditadura do capital monopolista e a ditadura da política monopolista. Ambas têm que desaparecer e com elas deverá também desaparecer o Estado Absoluto hobbesiano.

Casos como Cuba, Coréia do Norte, China (agora em sua fase “neo-socialista" aproveitando-se dos fundamentos socioeconômicos do capitalismo em extinção, mas mantendo o poder central com um capitalismo de estado) e alguns países latino-americanos analfabeto-politicos (ou ignorantes tecnológicos) e super-dominados pelos ditadores de plantão, como: Venezuela, Bolívia, Equador e outros que estão se encaminhando na mesma direção ao aplaudirem as medíocres idéias bolivarianas (Argentina, Brasil, Peru), todos tentando fazer com que sejam ressuscitados os princípios de um socialismo estatal obsoleto.

A cotidianidade faz com que as pessoas, mesmo as que se nomeiam eruditas ou esclarecidas, a não perceberem as mudanças, sobretudo porque estas mudanças ocorrem de modo fluido e plástico (muito flexível) como ocorre com o elemento água em seu movimento e sua dinâmica em direção aos campos e ao oceano e até mesmo pelo próprio oceano. Poucos são os que percebem e sentem com certa firmeza os impactos dessas mudanças nos padrões sociais, econômicos, culturais e políticos.

A economia de capital que predominou no Planeta nos últimos trezentos anos (ou mais), começa a perder fôlego, em especial nos países que mais se projetaram no domínio e controle da ciência e tecnologia com uma revolução que mais se dedicou a destruir o ambiente vivo e o inorgânico do que promover a manutenção e a sustentabilidade dos bio-sistemas e biodiversidades.

Os apoiadores desse tipo de economia, os assessores científicos, políticos, econômicos e sociais dessas organizações de capital, não foram capazes de perceber as limitações de seus projetos e governos e como as instituições privadas ultrapassaram ou estão ultrapassando os seus limites de competência e governabilidade. A economia de capital que se constituiu utilizando-se do capital natural não renovável (como salienta Schumacher) está entrando em declínio e lhe resta pouco tempo e, em seu lugar uma economia de renda baseada em recursos renováveis, que se constrói dentro de comunidades cooperativadas, deve pouco a pouco crescer e ocupar este espaço.

Percebendo, embora um pouco tarde, que não haverá muito material natural não-renovável a ser explorado para movimentar suas usinas e suas empresas, o capitalista começa a migrar dos países desenvolvidos para aqueles que podem produzir commodities agro-naturais e ainda alguma mineral para tentar sobreviver por mais alguns anos, enquanto estuda outras formas de energia para movimentar seus negócios. De certa forma este desespero devido ao fim das commodities e minerais não renováveis foi retratado em sentido relativo no filme Avatar, quando mostra a luta entre a natureza (os naturais) e a ciência tecnológica (os artificiais).

Ambos os sistemas políticos, o capitalismo e o socialismo, primaram pela acumulação de riqueza, cada um a seu modo e segundo suas próprias regras, através da depredação da natureza e degradação do meio ambiente, além de criarem processos produtivos que denegriram os sistemas humanos tornando o Homem um ser dominado e superado pelo trabalho forçado numa espécie de escravidão sutil que nem mesmo os sindicatos perceberam bem quando se arvoraram em lutar contra o patronato.

Ambos, partidos políticos e sindicatos, procuraram impedir o avanço do trabalhador no sentido de busca de sua liberdade no momento em que impediram que se instituíssem sistemas produtivos cooperativados e autogeridos. Tais ações políticas e sindicalistas retardaram em cerca de 100 anos o desenvolvimento do Cooperativismo, com os políticos primando em incentivar o associativismo, enfatizando a importância de criação de organizações sem fins lucrativos que assumiram uma posição, logo denominada de terceiro setor, para diferenciar daqueles setores dominados pela economia de capital, sejam no ambiente agropecuário sejam no ambiente industrial.

Em alguns países intensivamente agrícolas, como o Brasil, um outro tipo de capital se desenvolveu de forma impositiva como um adendo à economia de capital natural que foi a economia de capital comercial, na qual predominou (e ainda predomina) as ações de proprietários feudo-comerciais que se originaram nas famílias agrárias provinciais, quando se romperam os laços das comunidades familiares rurais dando origem ao grande comércio da urbanização em expansão.

Estes capitalistas feudo-comerciais são, ainda hoje, os detentores do poder político no Brasil, alguns mais ativos outros mais apagados, porém ainda respirando esperanças de se promoverem a partir de apoio aos ditadores de plantão. São os responsáveis por arrebanhar ou recrutar os imbecis tecnológicos e analfabetos-políticos para as eleições dos seus líderes ou daqueles que eles esperam venham a prover condições de adquirir um novo status socioeconômico na sociedade industrial e capitalista, ainda que seja através de meios ilícitos uma vez que, para eles os fins justificam a utilizações de meios corruptos.

O declínio do capitalismo está criando uma sociedade de transição socioeconômica corrompida que se apodera do setor comercial e de serviço e, no desespero, das organizações sem fins lucrativos, para continuar vivendo a ilusão de uma economia de capital natural em extinção.

O novo discurso desse capitalismo falido está direcionado para a busca de novas fontes de energia ditas renováveis como os bio-combustiveis para continuarem se mantendo no topo do poder e da dominação, seja em ambiente neo-capitalista, seja em ambiente neo-socialista. Neste último os teóricos e intelectuais que subsidiam os donos do poder criam teorias ou princípios que vão de uma teologia da libertação a uma política para sustentar uma temática de decrescimento calcada em linguagens de defesa médio-ambiental, de sustentabilidade, de produção mais limpa, de horticulturas orgânicas, etc.

Pão, Paz e Liberdade
2012 ANO INTERNACIONAL DO COOPERATIVISMO

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ALÉM DAS “TEORIAS” DO DECRESCIMENTO. POR UMA ECONOMIA COOPERATIVISTA E LIBERTÁRIA

Primeira Discussão: A Economia Solidária. Uma Introdução

Para começar uma discussão sadia e crítica no sentido de agregar valor e conhecimento deste tema vou falar de minha visão (não um mero conceito ou definição) da ideologia que subjaz às teses de uma “Economia Solidária” que, praticamente, vem se tornando um modismo no ambiente sociopolítico e socioeconômico mais à esquerda da temática política, social, cultural e educacional, puxada pelo discurso acadêmico que focaliza a grande massa silenciosa e carente que está à mercê de programas e propostas de reconquista do que sobrou do velho e canhestro socialismo estatal.

A minha visão é de que as ideologias esquerdistas (porque, hoje, já não é apenas uma embora a raiz quase que se mantém a mesma, qual seja o materialismo dialético ou coisa que o valha derivado dos estudos marxistas-leninistas-stalinistas) que se espalham como fragmentos de um ramo de conhecimento gerado pelos trabalhos da dupla Marx-Engels, como ocorre com as religiões ou seitas que se espalham como poeira fragmentária do judaico-cristianismo, estão hoje muito interessadas em recuperar ou renomear o socialismo estatal dando-lhe uma nova embalagem como ocorreu com o liberalismo capitalista moribundo quando inventaram um tal neo-liberalismo.

Em outras palavras, esses “teóricos” de um “neo-socialismo” estão utilizando os mesmos recursos do capitalismo que eles condenam (apenas para gerar confusão na cabeça dos indivíduos alter-dirigidos que perambulam como toupeiras buscando migalhas e escoras para se sustentarem), que é o Marketing Político.

Alguns desses interessados na reconquista do espaço e da gente que o habita, sobretudo aqueles que estão na academia, e atuando em cursos aparelhados por seus partidos, tentam apegar-se às velhas e clássicas idéias e “teses” marxistas e aplicá-las de vários modos, sem máscaras até, muitas vezes tentando apoderar-se do aparato desenvolvido pelo capitalismo neoliberal que eles mesmos condenam em seus discursos populares e demagógicos, ou mesmo de uma tal social-democracia, que para mim é mais uma forma de inibir a discussão para gerar um viés contrário para encobrir qualquer forma de ditadura (do proletariado, do saber, da economia), como sucede com a (dita) “Teoria do Decrescimento”.

Em qualquer das situações – Economia Social ou Teoria do Decrescimento – o “novo socialismo” mantém-se firme no princípio ou paradigma do poder central como sendo necessário para promover a chamada transição para a “liberdade e igualdade” das pessoas (que nunca ocorreu nos países que aplicaram esse paradigma), o que se daria após um longo processo de reeducação da massa silenciosa (leia-se lavagem cerebral) a qual sutilmente já vem acontecendo nos cursos elementar e médio do país. Com este processo os militantes desejam promover esta reeducação para as massas poderem estar capacitadas à nova realidade sociopolítica e socioeconômica do estado social e da nova e poderosa burocracia do capitalismo estatal com sua brutal hierarquia e arrogante apelo de que se faz tudo pelo “proletariado” agora disfarçado com os eufemismos “família solidária” e “coletivo solidário”.

Estes dois pecados: a) tentar recriar um modelo obsoleto de socialismo estatal, que não teve o sucesso desejado nos países euro-asiáticos e b) promover uma “teoria” do decrescimento como forma de gerar uma nova e promissora sociedade com qualidade de vida e efetiva sustentabilidade, eliminando as chaminés e as indústrias poluidoras e consumidoras dos recursos não renováveis, precisam ser cuidadosamente avaliados por aqueles que estão lidando em um nível que representa o caminho do meio entre o neoliberalismo e o neo-socialismo que aqui denomino de Cooperativismo.

O terceiro pecado desse grupo de exímios profissionais políticos e seguidores social-saudosistas-marxistas é o disfarce que utilizam na forma de associativismo e autogestão para jogar a foice e o martelo no movimento Cooperativista. Procuram, então, confundir a massa ingênua dos desvalidos e, em especial aquela que está com um pé abaixo da linha de pobreza e outro acima dela, de que seus objetivos políticos e econômicos são para uma economia solidária cooperativista e chegam mesmo a criar um refrão para um (suposto) “Cooperativismo Solidário” para justificar seus princípios de dominação e ocupação de um poder central em um capitalismo estatal.

Para eles tanto faz criar uma associação ou uma cooperativa para batalhar por uma solidariedade econômica e fingir que está contribuindo para aumentar a renda familiar, em muitos casos utilizando-se das mulheres cujos maridos estão correndo mundo em busca de um ganha-pão para alimentar a prole. Em algumas regiões chegam até a criar banco do povo, banco da mulher, como forma de prender aqueles mendicantes de benefícios formalmente, e com isto submetê-lo a uma prisão ideológica com jargões que muitos não sabem bem o que significa, mas aceitam em troca dos enganosos benefícios dessas agências de economia solidária.

Tudo isto sem falar das “Agencias” do chamado micro-crédito que, em muitos casos, não passam de engodos para massacrar mentalmente os desvalidos, dominar a massa ingênua e carente da população pobre com migalhas que são chamadas de crédito-popular e, em muitos casos, promover lavagem de dinheiro do(s) partido(s) que migram para o país de fontes não muito confiáveis ou mesmo de dentro do próprio país.

Qualquer projeto ou plano de educação cooperativista passa forçosamente pelo crivo desses representantes ideológicos que estão nos cargos de decisão das instituições de ensino e pesquisa e, certamente, se não estiverem afinados com os ditames e regras instituídos pelos partidos não serão aprovados. Quase sempre a aprovação, quando ocorre, se faz com imposição de cortes em tópicos que tentem promover a liberdade do cidadão. Daí, uma cooperativa, por exemplo, que não tenha em seu quadro diretivo um membro representante de algum partido da ideologia dominante não vingará por muito tempo ou já nasce morta porque será gerida segundo os critérios de uma associação.

Essas tentativas de restauração do socialismo estatal têm dificultado o desenvolvimento de projetos bons e úteis para a redução de pobreza porque esses neo-ideólogos nazi-faci-comunistas copiam exatamente os pressupostos dos “neo-capitalistas” que estão interessados em distribuição de renda a qual, ao contrário da redução da pobreza que vimos discutindo e defendendo desde os anos 90 do século passado, tende a elevar o volume de bens monetários e de riqueza dos que estão no topo da pirâmide; a aumentar aa acumulação dos 5% a 10% da população economicamente ativa que detém os quase 80% da riqueza relativa do planeta. Estes, por sua vez, são os maiores responsáveis pelo consumo desenfreado dos recursos naturais não renováveis que representam recursos de capital (nas palavras de Schumacher. Ver: “O Negócio é Ser Pequeno”) e que são explorados desordenamente em várias regiões como no Brasil e na África.

Estes três pecados ou erros de perspectiva, que não são os únicos, são politicamente os que mais se salientam do discurso dos militantes dentro das universidades, das ONG, das associações, das “cooperativas solidárias”. No caso específico destas últimas, o uso da palavra “solidária”, no caso de cooperativas é para bem diferenciá-las daquelas cooperativas reais que se constituem segundo os princípios cooperativistas universais e, por isso, não admitem a intromissão ou interferência política nos seus processos diretivos, dificultando as ações desses militantes. Eles conseguem, então, se aproveitar do termo e, para não parecer que estão separados do processo cooperativista procuram reforçar sua fachada com um redundante “solidário”.

Tenho exposto estas idéias de forma bastante enfática nos Encuentros Latinoamericanos de Cooperativismo promovidos pelo comitê Ibero-Americano da ACI, inclusive discutido nos trabalhos que são apresentados por intelectuais que defendem as regras de uma suposta Economia Social com o enfoque solidário de cabresto. E não é difícil se perceber o direcionamento ou atrelamento desses trabalhos aos princípios defendidos pelos intérpretes clássicos e mais modernos do Dr. Marx, porque em nenhum dos trabalhos que até agora tive acesso encontrei uma referência mais aprofundada aos estudos de Proudhon sobre Mutualismo, sobre Socioeconomia e Pluralismo. Isto ocorre porque eles seguem o que o seu patrono afirmou no passado: de que as idéias proudhonianas são pequeno-burguesas e, como tais, não devem ser divulgadas nem utilizadas em discursos que procuram incentivar o incremento do socialismo estatal.

Como as idéias do Dr. Marx não projetavam qualquer direcionamento no sentido do Mutualismo nem do Cooperativismo, porque estas idéias não interessavam ao projeto de dominação ditatorial “em nome dos proletários”, em especial porque os movimentos libertários pregavam a liberdade sem estado político burocrático e sem governo centralizador, logo os “neo-seguidores do materialismo histórico e do socialismo real” procuram reviver os princípios de seu inspirador maior se apossando de qualquer meio e de qualquer linha de estudo e pesquisa para realizar seus projetos de dominação e restauração do estado ditatorial de economia de capital centralizado.

Por isso o uso de denominações do tipo “cooperativa solidária” (como se o Cooperativismo em sua essência não fosse solidário, mas apenas uma criação burguesa ou “neo-burguesa”), utilizadas atualmente no Brasil pelos militantes da esquerda saudosista para enganar os não iniciados ou a massa ingênua e silenciosa com uma expressão redundante (ou tautológica?), visto que em suas metodologias educacionais a redundância reforça a memorização de idéias, ainda que demagógicas e não virtuosas. Eles usam com muita ênfase o princípio da repetição: uma mentira repetida insistentemente torna-se uma verdade ou um princípio dogmático forte.

Pão, Paz e Liberdade
2012 ANO INTERNACIONAL DO COOPERATIVISMO

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

III SEMANA DE ADMINISTRAÇÃO UNEB

O PROFISSIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO SÉCULO 21 PARTE II

4.A importância das Habilidades Essenciais do Administrador – como fatores críticos de sucesso para as organizações pós-capitalistas e pós-socialistas. Administração = Poder.

Ainda estamos pesquisando as competências de profissionais de sucesso usando um modelo pragmático e individualista criado para o capitalismo nos anos 50 do século passado por Robert Katz, que procura medir as aptidões (qualidades molares e não habilidades, qualidades moleculares) dos profissionais utilizando como variáveis três vetores como sejam: Habilidades (Aptidões) Humanas; Habilidades (Aptidões) Conceituais; e Habilidades (Aptidões) Técnicas.
Este modelo não vale mais para uma sociedade infoeconômica porque o novo profissional de Administração que esta exige vai lidar com estruturas organizacionais complexas e caóticas, com turbulências bem distintas daquelas que o mundo experimenta desde a crise de 1929.
Para superar este paradigma gerencial, que tem por base o management americano, sugeri e tenho utilizado uma nova matriz de habilidades essenciais para estudar as competências e a maturidade pessoal e profissional dos Administradores, a qual inclui o modelo antigo e avança no sentido holístico para novas habilidades, como se mostra na Figura 1 adiante.
Para que este novo paradigma seja posto em ação torna-se necessário que diminua ou, até, extinga o modelo de gestão com management e se introduza nas organizações uma gestão sem management, a qual venho sugerindo desde os anos 90 quando estava realizando o curso de mestrado.
Naquela época sugeri, também, o fim da expressão Recursos Humanos e em seu lugar o uso da expressão Sistemas Humanos, já procurando direcionar a matriz curricular do curso de Administração para atender às novas exigências que estavam por vir com o novo século.
Tempos depois, já no final do século 20 e começo do século 21, alguns pesquisadores e estudiosos começaram a perceber que algo novo estava se delineando em termos administrativos e cito aqui três que discutiram em seus estudos estes itens: a administração sem management e o fim da expressão recursos humanos. São eles: R. Koch & I. Godden (1996), Chanlat (1980) e Peter Senge que, em uma entrevista declarou que sempre fora contra a expressão recursos humanos (2000).
A Figura 1 procura mostrar em uma configuração hexagonal a posição de cada uma das seguintes Habilidades, as quais englobam as primitivas baseadas no trabalho de R. Katz publicado na revista de negócios Harvard (1955) nos finais dos anos 50 e publicado em tradução no Brasil nos idos dos anos 80, e as Habilidades que acrescentei tomando por base o estudo do perfil empreendedorial brasileiro, listadas na Figura 2 abaixo:




Chamo as três primeiras de Habilidades Pragmáticas, Econômicas, Materiais e Molares; as outras três que acrescentei chamo de Habilidades Creativas, Inovadoras, Intuitivas e Moleculares. As três primeiras contribuíram para o sucesso de muitos executivos no decorrer das últimas décadas do século 20, como também foram responsáveis pelo caos que resultou nas crises políticas, econômicas e sociais em decorrência do aumento da usura e da ganância de muitas empresas e, em particular, de empresários e investidores inescrupulosos. As três primeiras são próprias da racionalidade gerada pelo hemisfério esquerdo do cérebro e as três seguintes são geradas pela atuação do hemisfério direito do cérebro, por isso são intuitivas, criativas, emocionais, heurísticas.
As atitudes negativas geraram ambientes corruptos em todas as organizações, públicas e privadas e tiveram maior repercussão nos países emergentes como o Brasil, afetando muitos profissionais que se contaminaram com os ganhos fáceis e os bônus elevados como resultado de metas (contraditórias) alcançadas no ambiente competitivo negativo, do tipo perde-ganha.
No que se refere às forças produtivas, as relações de poder variaram ao longo das revoluções socioeconômicas que ocorreram no planeta e foram registradas por arqueólogos e antropólogos e chegamos à Revolução Industrial que copia de forma aparentemente suave, o modelo escravagista que imperou nas revoluções anteriores, sobretudo com a ascensão do feudalismo, da burguesia e do capitalismo territorial chegando ao capitalismo industrial sem muita força, mas com o mesmo modelo que era desempenhado pelos capatazes feudais.
Os Fatores de Produção passaram por várias etapas sendo que nos últimos trezentos anos eles ficaram presos ao Trabalho e, sobretudo ao Capital como bases de poder. De um lado os sindicatos dominavam a força de trabalho conduzindo-as aos acirrados movimentos trabalhistas e de outro as associações corporativas (que reunia investidores e donos de empresas) impunham um regime de liderança duro, centralizador, que dava aos gerentes um poder de dominação muito grande.
Este último modelo ainda é muito forte no Ocidente em especial nos Estados Unidos e em parte da Europa, e começa a ser questionado quando as crises econômicas e sociais começam a estourar e muitas das ditas grandes organizações começam a sair do mercado em virtude da aplicação incorreta dos recursos materiais (molares) e por não levarem a sério ou não acreditarem, ainda, nos recursos intangíveis (moleculares) que vêm atrelados à revolução Infoeconômica.
A partir deste século (21) o poder passa a ser muito forte para os Sistemas Humanos como ativos intangíveis somados ao Conhecimento, à Informação e à Comunicação e para tanto as ações meramente gerenciais não surtem muitos efeitos positivos, como mostram os resultados econômicos, políticos e sociais das últimas décadas.

5.O Poder das Redes como base da Administração sem Management e o Papel do Administrador. Uma sociedade sem management. O Começo do fim da Gestão

O poder das redes (Networking) e da Cibercultura reduzirão o poder da Gestão baseada nas regras do management americano (individualista) e, com o fim do capitalismo e do socialismo as organizações passarão, a partir de agora, a serem geridas e administradas por coletivos (cooperação e colaboração) que envolvem os clientes internos e externos em uma parceria creativa e profícua que é a base da Co-Creação, Co-Inteligência e da Co-Propriedade que formam os principais vetores do Co-Poder.
O trabalho e o capital só se manterão dinâmicos e rentáveis se houver uma administração cooperativa que reúna todos em torno de objetivos comuns e isto exige que as organizações deixem de ser exclusivas (de poucos proprietários ou um único dono) para serem inclusivas (coletivos-proprietários, cooperativados, mutualistas) onde todos ganham. Passou o tempo da máquina. Agora é o tempo dos saberes e do conhecimento integral. Por isso, a Gestão por si só não oferece mais conteúdo competitivo, mas a Administração sem Gestão pode aumentar a competitividade positiva entre as organizações e, por conseqüência entre as comunidades, os estados e os países em um mundo glocalizado e... sem fronteiras.

LEITURAS E AUTORES QUE CONTRIBUIRAM PARA ESTAS ABORDAGENS:
Em um mundo sem fronteiras (Kenichi Omai); um mundo onde todos ganham (Hezel Handerson); um mundo Free, grátis (Chris Anderson); um mundo plano (Thomas l. Friedman); um mundo sem management (Richard Koch & Ian Godden); um mundo caórdico (D. Hoch), de saberes, de conhecimento e de complexidade (E. Morin); um mundo da auto-organização e da autopoiesis (Maturana); um mundo de determinação (Johansson & Nonaka); um mundo da Readministração (Caravantes & Bjur); um mundo da holarquia no lugar da hierarquia vertical (A. Koestler); um mundo sem propriedade porque a propriedade é um roubo (P.-J. Proudhon); um mundo de aprendizagem (P. Senge); um mundo integral (K. Wilber); um mundo em que o ócio é criativo (Domenico di Masi); um mundo da inteligência emocional, da inteligência social (Goleman), da inteligência espiritual (Wolman), da colaboração criativa (Hargrove); um mundo pós-capitalista (Drucker); neste mundo...
... As pessoas não podem mais ser tratadas como Recursos Humanos...
Bom Jesus da Lapa, 25 de novembro de 2011