COOPERAÇÃO (4)
Há dois tipos de cooperação. O primeiro é a cooperação pelo interesse próprio; o segundo é a cooperação pelo interesse do todo. Cooperação pelo interesse próprio termina em falência. Cooperação pelo interesse das partes no todo traz saúde, felicidade, prosperidade e sabedoria para todos. Quando falamos em cooperação, nos referimos à segunda definição. Torkon Saraydarian (l990, p.39)[1].
Este tema é rico e fascinante e nos convida a uma discussão muito longa. Sempre encontramos idéias, sugestões, proposições, princípios e realizações ainda que pequenas – considerando que nossa gente desconhece ou teme praticar a Cooperação em grupo ou pelo todo –, as quais nos animam para prosseguirmos e acreditarmos no desenvolvimento humano. Contudo, tenho ainda outros temas para tratar e terei que interromper hoje a discussão sobre Cooperação; e quero fechar este artigo com algumas abordagens de Saraydarian.
Mostrei aqui as idéias de vários autores sobre Cooperação e, por extensão, sobre Cooperativismo. As idéias expostas envolveram desde posições filosóficas de autores e minhas também, místicas e até posições científicas. Agora, para encerrar, utilizo uma visão psicológica da Cooperação, a qual considero muito importante na minha caminhada pelo estudo, pela expansão e divulgação e aplicação da Cooperação em nossas comunidades.
Gosto de sintetizar a Cooperação e, por extensão, o Cooperativismo, com três vetores ou elementos de sustentação que oferecem uma abrangência socioeconômica, psicossocial e antropossocial muito importante, que são: a) Consciência Grupal; b) Objetivo Comum; e c) Atitude Integradora. Pode-se chamar estes vetores de base formadora do Espírito Cooperativista.
Para mim um grupo, um equipe, tem que funcionar como um Holon se assim não ocorrer deixa de ser grupo de seres humanos para ser meras partículas dispersas, inseguras, improdutivas vagando pelo espaço planetário, atuando de forma medíocre e não acrescentando nenhum valor à vida e nem à amplitude do Homem Integral.
Cada cooperante, aqui representando um Holon, atua com um objetivo comum que se soma ao objetivo total do Corpo Holístico do Ser Integral. A Cooperativa, como um Ser Coletivo, representa a totalidade dos holons. Quando existe essa Integração Holística (Atitude) a Consciência Grupal emerge forte e irradia alegria, saúde, firmeza de caráter, o desenvolvimento humano se projeta, se salienta em todas as comunidades.
A inexistência destes vetores implica na falta de Cooperação e isto resulta em doenças, conflitos, traumas e falência das pessoas, dos grupos, das organizações, sobretudo considerando que uma organização ou uma empresa representa a somatória de Holons grupais ou Indivíduos Coletivos (um grupo, uma equipe, um escritório, uma oficina, uma sala de aula, representam Indivíduos Coletivos que também coincidem com o Holon Grupal).
Da mesma forma que os indivíduos se entrelaçam de forma harmoniosa para formar um grupo, os grupos se entrelaçam para formar comunidades, e, progressivamente, formam sociedades, formam nações, formam o planeta, formam o cosmo. Todos agindo e atuando segundo as suas consciências.
Saraydarian (1990, p.32) mostra isto neste pensamento: Um grupo é criado por uma grande razão: construir unidade e síntese através da assimilação de novos elementos, motivando-os a expandir suas próprias possibilidades. Os indivíduos devem formar grupos e os grupos devem formar grupos maiores, até que todos os grupos se tornem uma humanidade, tendo desenvolvido uma consciência global.
Reforçando estas idéias e ainda recorrendo a Saraydarian (1990, p.33) ele diz que quando uma célula compartilha das atividades, emoções, pensamentos e visões de um todo magnífico, ela se desdobra, progride e entra no caminho da perfeição O mesmo é verdadeiro para uma pessoa individualizada.
Isto nos leva a afirmar que, sem Cooperação fica difícil promover o desenvolvimento humano e, mais ainda, criar e desenvolver organizações sadias e sólidas, vivendo em função de suas consciências grupais, seus objetivos comuns e suas atitudes integradoras. Isto possibilita a criação de uma visão, de uma missão, de propósitos, objetivos, metas e focos cooperativistas firmes e duradouros.
Poderia prosseguir por longos e longos caminhos discutindo este tema tão importante e tão pouco experimentado pelas pessoas. Acredito que tudo se tornará mais saudável nas convivências e na busca de uma prosperidade duradoura se as pessoas começarem a viver dentro de uma proposta de ação holística cooperativa.
Como só vou estar com vocês depois dos feriados e das festas de final de ano, desejo de coração e com um forte espírito cooperativista um Feliz Natal e um Novo Ano Integrativo com cooperação, amorização, colaboração, humorização, harmonização e humanização.
Concluo este tema com um pensamento de Proudhon (1975, p.116) para reflexão de todos: Restituam aos homens a liberdade, iluminem-lhes a inteligência, a fim de que conheçam o sentido dos seus contratos e vereis presidir às suas trocas a mais perfeita igualdade, sem qualquer consideração pela superioridade dos talentos e da cultura; e reconhecereis que na ordem das idéias comerciais, quer dizer, na esfera da sociedade, a palavra superioridade tão tem sentido. [2] Reflitam estas palavras do Século XIX seguindo os sete princípios do Cooperativismo.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[1] SARAYDARIAN, T. A Psicologia da Cooperação e Consciência Grupal. São Paulo: Aquariana, 1990.
[2] PROUDHON, P.-J. O que é a propriedade. Lisboa: Editorial Estampa, 1975.
domingo, 23 de dezembro de 2007
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