De Reformas e Mudanças: Um caminho nada horizontal (2)
Dizer que ocorreu uma aprendizagem significa que obrigatoriamente alguma coisa mudou – se não foi o comportamento, então foi o modo de pensarmos a respeito dos nossos atos ou de como nos sentimos face a eles. (DiBELLA e NEVIS, 1999)[i].
Inicio hoje a discussão das cinco premissas assinaladas na postagem anterior relativas a Uma Pedagogia da Ação. Como salientei, estes tópicos têm como base o texto que está em vias de editoração para ser transformado em livro que em breve divulgarei inclusive via e-Book. Aqui discutirei alguns dos caminhos que considero interessantes tanto para os profissionais quanto para as organizações levando em consideração, sempre, que o principal caminho passa pela Aprendizagem e pelo Desenvolvimento de Sistemas Humanos, portanto superior ao ensinamento e ao treinamento. No prefácio à edição brasileira do livro de DiBella e Nevis (1999) o prefaciador que é também o tradutor, mostra através de um adágio a diferença entre o sábio e o esperto. Diz ele: “‘O esperto aprende com seus próprios erros, e o sábio aprende com os erros dos outros’. O importante é que todos aprendem. Vivemos aprendendo sempre” (1999, p.x.).
1. Na Pedagogia da Ação o Aprender deve superar o Ensinar.
O novo profissional de administração (ou mesmo de outras áreas de conhecimento) deve ser preparado para adquirir habilidades e não apenas aptidões especializadas, e isto só ocorre com maior ênfase no processo de aprendizagem ou desenvolvimento humano e não no processo de ensino ou no treinamento, o que passa a exigir do docente um preparo maior que o ajude a superar o clássico modelo pedagógico de colocar respostas na boca do aluno (ou Pedagogia Bancária, como disse Paulo Freire). Deste modo, a geração de um novo profissional de administração requer a existência de um novo docente, o qual deverá não apenas possuir um sólido domínio de conteúdos disciplinares, mas um saber profundo com amplitude holística e alguma vivência prática relacionada com esses conhecimentos. Um novo profissional para uma organização de aprendizagem e geração de conhecimento como está sendo considera a universidade, requer, também, um Ensinador que seja mais que um mero professor de livro-texto; que possua uma visão interdisciplinar teórico-prática e multiespecializada; que seja um Aprendedor.
Por que, nesta premissa, o Aprender deve superar (ou ser superior) ao Ensinar? Esta é uma questão basilar, a qual requer respostas que traduzam tomadas de decisões tanto institucionais quanto pessoais ou próprias de cada ator (professor, estudante, diretor, coordenador de curso, etc.) envolvido no sistema docente de educação superior. Mas, e aqui vem outra questão, por que esses atores se omitem ou se recusam a responder a essa questão?
Um dos pontos fracos que vejo no momento refere-se à falta de um entendimento maior sobre o significado ou o conteúdo interpretativo de cada um destes verbos (Aprender e Ensinar) a qual foi responsável pela formação da maioria dos professores que atuam hoje em todos os níveis educacionais. Pode-se dizer que houve um descalabro em cadeia, o qual vem desde o momento em que produziu o primeiro projeto educacional nos moldes modernos (ou que se supõe como tal) no país.
Falando especificamente do curso superior, um outro ponto fraco refere-se à distância que existe entre aprendizagem e ensinamento. Embora ambos requeiram uma eficiência da Arte de Ler e Interpretar para alcançar a Arte de Estudar de forma efetiva, no primeiro caso pressupõe-se que a pessoa (o ator) já esteja bem disciplinado e preparado para realizar processos de auto-conhecimento, enquanto no segundo caso é sabido que a pessoa ainda não está preparada tanto no sentido disciplinar quanto no do auto-conhecimento, requerendo que a participação de outro ator (ou ente educador na qualidade de predecessor) incorporando o papel de professor-ensinador esteja presente durante a operacionalização do processo.
Ocorre que a maioria dos docentes não está preparada para ser professor-aprendedor, mas apenas para ser professor-ensinador e isto tende a gerar um atraso significativo do processo educacional brasileiro, sobretudo no que concerne à educação de adultos ou Andragogia. Este atraso vai refletir no desenvolvimento socioeconômico do país, em especial na conformação de sistemas humanos para trabalho em um processo industrial que não seja intensivo em mão-de-obra, o qual vai exigir conhecimentos não rudimentares ou elementares para a realização das tarefas. Isto implica, portanto, na falta de competência para se construir um sistema que atenda a uma revolução industrial plena e, por isso, ficamos à mercê de países organizados e organizadores que dominam (estes últimos) a tríade da economia mundial.
Outra implicação gerada pela deficiência ou falta de professores-aprendedores nas IES brasileiras é comprovada pela falta de conteúdo empreendedorial efetivo nos currículos ou nas matrizes curriculares dos cursos profissionalizantes, desde o nível técnico e de tecnólogo até o de bacharelato. Diga-se, ainda, para reforçar as deficiências educacionais brasileiras, que até agora nenhuma matriz efetivamente empreendedorial foi construída para oferecer currículos que fossem capazes de proporcionar aos jovens brasileiros a oportunidade de estudar, aprender e praticar sobre temas e conteúdos filosóficos e científicos relacionados com o Empreendedorismo. A mudança requer que os cursos sejam modelados como sendo uma Incubadora, neste caso se possível um spin-off.
Ir além do Ensinar é o desafio das Escolas, desde a educação básica até a educação superior nas IES que desejarem manter-se vivas como organizações educacionais, a partir deste Novo Renascimento ou Era da Infoeconomia, em especial as instituições privadas. Para tanto, seguir ou desenvolver projetos de Pedagogia de Ação e Andragogia da Ação é importante para recuperar ou revitalizar o processo educacional brasileiro e o processo econômico este caminho é o que discuto aqui neste Blog.
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos.
[i] DiBELLA, Anthony J. e NEVIS, Edwin C. Como as Organizações Aprendem. São Paulo: Educator, 1999.
sábado, 27 de outubro de 2007
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Administração Brasileira – Cultura e Desenvolvimento
De Reformas e Mudanças: Um caminho nada horizontal (1)
Two processes are fundamental to the advancement of any society. One is education, the process of opening and cultivating young minds, and the other is entrepreneurship, the process of bringing ideas to live bay turning them into viable enterprise.(…) By improving the state of the art in these underlying fields, we can empower many people to create their own futures. Kauffman Foundation (In, KAUFFMAN Thoughtbook, 2007, p.9)
A linearidade do viver como foi impressa pelos vários regimes e fases de regime ao longo da existência do Brasil, projetou-nos em uma cultura de acomodação e expectativa (ou mesmo espera) nas energias e ações intangíveis de um mundo transcendental, cujos personagens ora são santos ou beatos religiosos, ora são pessoas para quem os viventes das várias regiões paradoxais transfere a responsabilidade por tudo o que deverá acontecer amanhã. Não temos a cultura de descrever futuros ou mesmo de idear futuros.
A epígrafe que utilizei hoje deixou-me de certo modo inquieto e me levou a fazer um retrospecção e uma introspecção diante dos cenários passados, vividos e os cenários que tenho delineado ao longo de meus estudos e meus trabalhos porque veio confirmar aqueles temas que mais desenvolvo para os estudantes e colegas que são: Educação e Empreendedorismo. Estes temas que o prefaciador do Kawffman Thoughtbook chama de processo e chamo de elementos motrizes para o desenvolvimento, já vêm sendo debatidos por mim e por outros estudiosos preocupados com a letargia que predomina e domina nossas populações levando os gestores responsáveis a adiarem quase que constantemente as medidas ou ações transformadoras que devem promover as mudanças de que carecem as comunidades, os municípios e o próprio país.
No momento em que os gestores de política e de negócio perderam o contato com a visão empreendedorial pedagógica de Anísio Teixeira e relegou ao esquecimento (ou quase isto) mentes brilhantes em termos de metodologia do ensino e da educação como Lauro de Oliveira Lima, torna-se difícil acreditar que é possível iniciar-se um processo (ou projeto?) de desenvolvimento para o país se quisermos seguir a fórmula da Kauffman Foundation ou outro caminho que conduza nossas sociedades a um Desenvolvimento Humano efetivo. Por que existe esta dificuldade para se promover as mudanças necessárias para se construir uma nova, dinâmica e integral pedagogia e quais são as variáveis mais importantes que identificam este problema?
Já discuti em outras postagens a questão da Educação e nunca é demais voltar a este tema, sobretudo quando se está associando ele à outra questão fundamental que é o desenvolvimento de sistemas humanos e ao desenvolvimento econômico, porque ela representa a raiz mesma de toda e qualquer forma de desenvolvimento que se deseja implementar em uma região, estado ou país. Saliento que sem Educação e Empreendedorismo as chances de reduzir a violência no país são poucas, sobretudo quando se dá prioridade a investimentos intensivos ao aparelho de Estado da repressão em todos os sentidos.
Estou concluindo um trabalho a ser editado que apresenta o título provisório de “Por uma Pedagogia da Ação”, no qual procuro desenvolver idéias que estão, de alguma forma, contemplando o conteúdo da epígrafe deste texto, quais sejam os processos de Educação e de Empreendedorismo como forças motrizes para alavancar o desenvolvimento e o avanço socioeconômico em uma comunidade, região ou país. Dentro deste trabalho discuto entre outros pelo menos cinco pontos ou premissas fundamentais para que se possa processar uma Pedagogia da Ação orientada para mudanças e não reformas, como sejam:
1. Na Pedagogia da Ação o Aprender deve superar o Ensinar.
2. Para a Pedagogia da Ação o Visionar é tão (ou mais) importante quanto o Racionalizar.
3. Uma Pedagogia da Ação contribui para a Auto-educação e supera a Alo-educação.
4. Para a Pedagogia da Ação o Ser Humano (o estudante) é tratado como um Sistema e não mais deve ser educado para se tornar um Recurso Empresarial.
5. A Pedagogia da Ação considera o estudante como um contexto complexo e não mais como um recebedor de idéias acabadas e acumulador respostas para a vida.
Estas cinco premissas serão discutidas em resumo neste Blog como uma forma de compartilhar com os estudantes, colegas e leitores em geral as idéias que em breve estarão circulando em forma de livro tanto impresso como e-Book. Antes, porém, de entrar no conteúdo destas premissas um item que me deixa sem sossego e que para mim representa uma das maiores dificuldades de o Brasil conseguir, pelo menos, iniciar de forma séria e contundente a sua revolução industrial, é o que se refere às Reformas políticas, econômicas, estruturais e outras.
Sempre percebi que quando alguém não quer exercer sua capacidade ou competência para mudanças nem assumir efetivamente responsabilidades sobre assuntos e temas de relevo elabora projetos de reformas e tenta implementá-los em organizações públicas ou privadas. No caso específico das organizações privadas as reformas (ou como se costuma chamar, erroneamente, reengenharias) sempre leva a empresa à morte ou a acelerar o ciclo de vida das organizações. Como bem salienta o Prof. Adizes, “viver significa resolver problemas ininterruptamente. Quanto mais plena for a vida, mais complexos os problemas a serem resolvidos. O mesmo se aplica às organizações. Para gerir uma organização, é preciso resolver problemas continuamente. Uma organização só deixa de ter problemas quando deixou de sofrer mudanças. Mas isto só ocorre quando ela está morta” [1].
O mundo não se altera por meio de reformas, mas por meio de mudanças. Vejam que Adizes fala em mudança e isto é o que ocorre a todo o momento na natureza viva e uma organização é para mim uma parte importante (e necessária) da natureza e, por isto, é viva. O que ocorre com o setor privado também ocorre com o setor público e as organizações públicas não “morrem” como as privadas porque as leis, as regras, as normas, os regulamentos e todo um conjunto de aparelhos de estado estão, o tempo todo, favorecendo o poder dessas organizações, as quais são “rejuvenescidas” através de instrumentos de reforma porque as mudanças são reprimidas por este processo. Vou me ater ao sistema educacional primeiramente e depois ao empreendedorial.
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos.
[1] ADIZES, Ichak. Os Ciclos de Vida das Organizações. São Paulo: Pioneira, 1990.
Two processes are fundamental to the advancement of any society. One is education, the process of opening and cultivating young minds, and the other is entrepreneurship, the process of bringing ideas to live bay turning them into viable enterprise.(…) By improving the state of the art in these underlying fields, we can empower many people to create their own futures. Kauffman Foundation (In, KAUFFMAN Thoughtbook, 2007, p.9)
A linearidade do viver como foi impressa pelos vários regimes e fases de regime ao longo da existência do Brasil, projetou-nos em uma cultura de acomodação e expectativa (ou mesmo espera) nas energias e ações intangíveis de um mundo transcendental, cujos personagens ora são santos ou beatos religiosos, ora são pessoas para quem os viventes das várias regiões paradoxais transfere a responsabilidade por tudo o que deverá acontecer amanhã. Não temos a cultura de descrever futuros ou mesmo de idear futuros.
A epígrafe que utilizei hoje deixou-me de certo modo inquieto e me levou a fazer um retrospecção e uma introspecção diante dos cenários passados, vividos e os cenários que tenho delineado ao longo de meus estudos e meus trabalhos porque veio confirmar aqueles temas que mais desenvolvo para os estudantes e colegas que são: Educação e Empreendedorismo. Estes temas que o prefaciador do Kawffman Thoughtbook chama de processo e chamo de elementos motrizes para o desenvolvimento, já vêm sendo debatidos por mim e por outros estudiosos preocupados com a letargia que predomina e domina nossas populações levando os gestores responsáveis a adiarem quase que constantemente as medidas ou ações transformadoras que devem promover as mudanças de que carecem as comunidades, os municípios e o próprio país.
No momento em que os gestores de política e de negócio perderam o contato com a visão empreendedorial pedagógica de Anísio Teixeira e relegou ao esquecimento (ou quase isto) mentes brilhantes em termos de metodologia do ensino e da educação como Lauro de Oliveira Lima, torna-se difícil acreditar que é possível iniciar-se um processo (ou projeto?) de desenvolvimento para o país se quisermos seguir a fórmula da Kauffman Foundation ou outro caminho que conduza nossas sociedades a um Desenvolvimento Humano efetivo. Por que existe esta dificuldade para se promover as mudanças necessárias para se construir uma nova, dinâmica e integral pedagogia e quais são as variáveis mais importantes que identificam este problema?
Já discuti em outras postagens a questão da Educação e nunca é demais voltar a este tema, sobretudo quando se está associando ele à outra questão fundamental que é o desenvolvimento de sistemas humanos e ao desenvolvimento econômico, porque ela representa a raiz mesma de toda e qualquer forma de desenvolvimento que se deseja implementar em uma região, estado ou país. Saliento que sem Educação e Empreendedorismo as chances de reduzir a violência no país são poucas, sobretudo quando se dá prioridade a investimentos intensivos ao aparelho de Estado da repressão em todos os sentidos.
Estou concluindo um trabalho a ser editado que apresenta o título provisório de “Por uma Pedagogia da Ação”, no qual procuro desenvolver idéias que estão, de alguma forma, contemplando o conteúdo da epígrafe deste texto, quais sejam os processos de Educação e de Empreendedorismo como forças motrizes para alavancar o desenvolvimento e o avanço socioeconômico em uma comunidade, região ou país. Dentro deste trabalho discuto entre outros pelo menos cinco pontos ou premissas fundamentais para que se possa processar uma Pedagogia da Ação orientada para mudanças e não reformas, como sejam:
1. Na Pedagogia da Ação o Aprender deve superar o Ensinar.
2. Para a Pedagogia da Ação o Visionar é tão (ou mais) importante quanto o Racionalizar.
3. Uma Pedagogia da Ação contribui para a Auto-educação e supera a Alo-educação.
4. Para a Pedagogia da Ação o Ser Humano (o estudante) é tratado como um Sistema e não mais deve ser educado para se tornar um Recurso Empresarial.
5. A Pedagogia da Ação considera o estudante como um contexto complexo e não mais como um recebedor de idéias acabadas e acumulador respostas para a vida.
Estas cinco premissas serão discutidas em resumo neste Blog como uma forma de compartilhar com os estudantes, colegas e leitores em geral as idéias que em breve estarão circulando em forma de livro tanto impresso como e-Book. Antes, porém, de entrar no conteúdo destas premissas um item que me deixa sem sossego e que para mim representa uma das maiores dificuldades de o Brasil conseguir, pelo menos, iniciar de forma séria e contundente a sua revolução industrial, é o que se refere às Reformas políticas, econômicas, estruturais e outras.
Sempre percebi que quando alguém não quer exercer sua capacidade ou competência para mudanças nem assumir efetivamente responsabilidades sobre assuntos e temas de relevo elabora projetos de reformas e tenta implementá-los em organizações públicas ou privadas. No caso específico das organizações privadas as reformas (ou como se costuma chamar, erroneamente, reengenharias) sempre leva a empresa à morte ou a acelerar o ciclo de vida das organizações. Como bem salienta o Prof. Adizes, “viver significa resolver problemas ininterruptamente. Quanto mais plena for a vida, mais complexos os problemas a serem resolvidos. O mesmo se aplica às organizações. Para gerir uma organização, é preciso resolver problemas continuamente. Uma organização só deixa de ter problemas quando deixou de sofrer mudanças. Mas isto só ocorre quando ela está morta” [1].
O mundo não se altera por meio de reformas, mas por meio de mudanças. Vejam que Adizes fala em mudança e isto é o que ocorre a todo o momento na natureza viva e uma organização é para mim uma parte importante (e necessária) da natureza e, por isto, é viva. O que ocorre com o setor privado também ocorre com o setor público e as organizações públicas não “morrem” como as privadas porque as leis, as regras, as normas, os regulamentos e todo um conjunto de aparelhos de estado estão, o tempo todo, favorecendo o poder dessas organizações, as quais são “rejuvenescidas” através de instrumentos de reforma porque as mudanças são reprimidas por este processo. Vou me ater ao sistema educacional primeiramente e depois ao empreendedorial.
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos.
[1] ADIZES, Ichak. Os Ciclos de Vida das Organizações. São Paulo: Pioneira, 1990.
sábado, 13 de outubro de 2007
Administração Brasileira – Cultura e Desenvolvimento
Introdução
Durante uma reunião, enquanto trocava idéias com um colega sobre questões econômicas e administrativas, em especial relacionadas com nossas regiões paradoxais, e sobre o que poderia ser chamado de “crise do conhecimento” que está impactando a educação no país, sobretudo em relação à educação superior, deparei-me com um ponto interessante, que traduzi como “inexistência de um limite bem definido entre Economia e Administração”, o qual expressei ao colega como sendo o tema que estávamos discutindo.
A discussão, que girava em torno da formação do profissional de Administração (o qual não fugia muito do assunto da reunião), teve como um dos momentos interessantes a análise dos curricula que vêm sendo historicamente proposto e imposto pelas resoluções do MEC, atualmente em forma de Diretrizes Curriculares e antes, quando da criação do curso de Administração, por leis e decretos do governo, como foi o caso da Lei 4769 de 9 de setembro de 1965.
Pelas experiências vividas, como estudantes e atualmente como professores, colaboradores, consultores, percebemos que ainda permanecemos presos ao modelo de formação gerencial (management) dominante nas escolas americanas dos anos 50 e 60 do século passado e não evoluímos além da básica formação de técnicos para ocupar os cargos de gerentes. Ainda estamos preparando profissionais para serem meros gerentes e não para serem administradores. Uma prova disto é que na maioria das empresas, privadas, públicas, estatais, sem fins lucrativos, os principais cargos diretivos que requerem tomadas de decisão e visão de longo prazo, raramente são ocupados por Administradores formados pelas escolas brasileiras. A desculpite neste caso é que nossos cursos são mais teóricos que práticos e que as empresas estão interessadas em resultados profissionais mais imediatos. Isto é discutível e vamos tentar, na medida do possível, mostrar aqui os caminhos para superar essas diferenças.
Ainda não somos capazes de utilizar em nossos programas acadêmicos um modo de aula que possa deixar bem claro para o estudante que, “onde termina a discussão dos problemas econômicos, inicia-se a discussão dos problemas administrativos nos negócios em geral e nas organizações como um todo: sejam privadas, públicas, sem fins lucrativos” e, assim, atuar de acordo com os conceitos de interdisciplinaridade.
Esta idéia ficou martelando em minha cabeça enquanto discutíamos questões relacionadas com o Empreendedorismo e com o Cooperativismo (que fora o objeto da reunião) e procurei relacioná-la com outras idéias que discuto com meus estudantes durante as aulas, sobretudo na disciplina Administração Estratégica, Desenvolvimento de Negócios e em Teorias Gerais para Administração e como fazia quando trabalhava com a disciplina Administração Brasileira.
Alguns dias antes dessa reunião fiz uma leitura do Blog do amigo professor Antonio Ozaí (http://antonio-ozai.blogspot.com/), para ler a sua última postagem e lá deparei-me com um artigo seu que me fez recordar uma parte interessante de meu viver, lá pelos idos dos anos 70 e 80 da década passada, o qual tratava de um livro que foi de certa forma importante para mim e que deveria ter sido para alguns estudantes colegas daqueles tempos. Trata-se de “O Homem Medíocre” de José Ingenieros. O mais interessante deste fato é que estou sempre relendo os meus velhos livros e este de Ingenieros estava próximo ao computador no momento em que visitava o Blog de Ozaí.
Coincidências à parte, dias depois fui participar daquela reunião e levei comigo o livro para ler enquanto esperava o colega; a discussão particular que travei me fez lembrar de algumas passagens de Ingenieros e o jovem colega se interessou pelo texto, o qual não deve ser fácil encontrar (talvez em algum sebo) para comprar. Trocamos algumas idéias sobre o tema da mediocridade e prosseguimos no assunto da reunião, trazendo-o para a formação do profissional de Administração. Disse-lhe que poderia disponibilizar o texto em espanhol o que ele aceitou e pediu para que eu o enviasse por e-mail.
Discutir interdisciplinaridade entre Economia e Administração é muito interessante porque a primeira está preocupada com a escassez dos recursos e a segunda com a otimização dos recursos escassos, o que implica numa complementaridade de conhecimentos muito importante para os profissionais de ambos os temas.
Porém, a questão não é vista assim dentro dos cursos de Administração e de Economia – os quais, para mim, deveriam ser um só e não fragmentos de conhecimento racionalmente (ou propositalmente) separados, para seguir a tradição cartesiana que domina por quase trezentos anos a cultura ocidental – quando, então, abordei o caso da disciplina Administração Brasileira. O colega, por certo ainda não havia visitado este Blog, no qual procuro realçar, entre outras, algumas discussões sobre esta área de conhecimento que é desprezada nos nossos cursos, pelo fato de que todos os currículos estão recheados de temas, cases e textos tipicamente elaborados ou nos Estados Unidos ou por professores brasileiros que se inspiram nos gurus americanos e não têm tempo de lançar um olhar para o interior do Brasil.
Sempre ressalto para os estudantes que não sou contra os textos estrangeiros (e também me utilizo deles para realizar meus trabalhos), mas sou bastante concentrado em Um Olhar Brasileiro para Administração, o que me leva a não aceitar redondamente o que se escreve lá fora sem, ao menos, tentar uma leitura e interpretação mais rebuscada e estudar aqui dentro algo que seja próprio de nossa cultura gerencial.
Aprendi isto com Geert Hofstede que será um dos autores que discutirei aqui. Sim. Porque, queiram ou não os colegas professores, temos (e pouco sabemos) uma cultura brasileira de administração que não é apenas o chamado “jeitinho brasileiro” vulgarmente (e mediocremente) divulgado nos quatro cantos. Isto eu procuro mostrar aos colegas estudantes durante minhas aulas-palestras (Ozaí foi muito feliz no seu último ou penúltimo artigo, quando trata da metodologia ainda usada pelos nossos colegas para, talvez por comodidade e conforto, levar os estudantes a “decorar” textos para realizar provas-exames como forma de avaliar o desempenho).
Assim, ao longo dos próximos episódios deste Blog estarei tratando de temas relacionados ainda com o desenvolvimento humano para uma Administração Brasileira e explorarei autores como José Ingenieros, Geert Hofstede, Lauro de Oliveira Lima e outros, que estou lendo e relendo. Talvez agora mais relendo porque me incomoda o fato de não proporcionarmos acesso dos jovens a textos tão importantes e interessantes como os destes autores e estamos procurando sempre o autor de hoje que seja “bestseller” para demonstrar que estamos atualizados quando nem conhecemos direito os velhos e significativos textos já publicados.
É bem verdade que considero importante a atualização. Porém, quem deve atualizar-se são aqueles que já sabem, já conhecem, para poder comparar de modo filosófico e científico o que se está produzindo no seu campo de estudo. Os que estão aprendendo pela primeira vez, ou ainda não sabem muito sobre um assunto, devem ler, estudar, interpretar e compreender os velhos e os novos autores, como no caso de José Ingenieros, para poderem escolher o caminho de conhecimento que mais se afina com o seu pensar e o seu fazer. O que vejo no ambiente acadêmico é uma falsa atualização que obriga os estudantes a decorar o que está atualmente na moda sem permitir que esses jovens ousem, sejam livres e criativos para poderem melhor perceber a formiguinha encravada na unha do elefante incomodando-o. Infelizmente, os professores ainda pensam que os estudantes representam aqueles seis cegos que foram conhecer o elefante e cada um o descreveu de acordo com a parte em que tocou. É uma surrada história, mas está bem consoante com o modelo brasileiro de educar e administrar baseado naquilo que não somos efetivamente. Pensam os professores que esses estudantes ainda são alummini. E a este modelo eu me oponho criativamente aqui, como faço em todos os artigos até agora publicados.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Durante uma reunião, enquanto trocava idéias com um colega sobre questões econômicas e administrativas, em especial relacionadas com nossas regiões paradoxais, e sobre o que poderia ser chamado de “crise do conhecimento” que está impactando a educação no país, sobretudo em relação à educação superior, deparei-me com um ponto interessante, que traduzi como “inexistência de um limite bem definido entre Economia e Administração”, o qual expressei ao colega como sendo o tema que estávamos discutindo.
A discussão, que girava em torno da formação do profissional de Administração (o qual não fugia muito do assunto da reunião), teve como um dos momentos interessantes a análise dos curricula que vêm sendo historicamente proposto e imposto pelas resoluções do MEC, atualmente em forma de Diretrizes Curriculares e antes, quando da criação do curso de Administração, por leis e decretos do governo, como foi o caso da Lei 4769 de 9 de setembro de 1965.
Pelas experiências vividas, como estudantes e atualmente como professores, colaboradores, consultores, percebemos que ainda permanecemos presos ao modelo de formação gerencial (management) dominante nas escolas americanas dos anos 50 e 60 do século passado e não evoluímos além da básica formação de técnicos para ocupar os cargos de gerentes. Ainda estamos preparando profissionais para serem meros gerentes e não para serem administradores. Uma prova disto é que na maioria das empresas, privadas, públicas, estatais, sem fins lucrativos, os principais cargos diretivos que requerem tomadas de decisão e visão de longo prazo, raramente são ocupados por Administradores formados pelas escolas brasileiras. A desculpite neste caso é que nossos cursos são mais teóricos que práticos e que as empresas estão interessadas em resultados profissionais mais imediatos. Isto é discutível e vamos tentar, na medida do possível, mostrar aqui os caminhos para superar essas diferenças.
Ainda não somos capazes de utilizar em nossos programas acadêmicos um modo de aula que possa deixar bem claro para o estudante que, “onde termina a discussão dos problemas econômicos, inicia-se a discussão dos problemas administrativos nos negócios em geral e nas organizações como um todo: sejam privadas, públicas, sem fins lucrativos” e, assim, atuar de acordo com os conceitos de interdisciplinaridade.
Esta idéia ficou martelando em minha cabeça enquanto discutíamos questões relacionadas com o Empreendedorismo e com o Cooperativismo (que fora o objeto da reunião) e procurei relacioná-la com outras idéias que discuto com meus estudantes durante as aulas, sobretudo na disciplina Administração Estratégica, Desenvolvimento de Negócios e em Teorias Gerais para Administração e como fazia quando trabalhava com a disciplina Administração Brasileira.
Alguns dias antes dessa reunião fiz uma leitura do Blog do amigo professor Antonio Ozaí (http://antonio-ozai.blogspot.com/), para ler a sua última postagem e lá deparei-me com um artigo seu que me fez recordar uma parte interessante de meu viver, lá pelos idos dos anos 70 e 80 da década passada, o qual tratava de um livro que foi de certa forma importante para mim e que deveria ter sido para alguns estudantes colegas daqueles tempos. Trata-se de “O Homem Medíocre” de José Ingenieros. O mais interessante deste fato é que estou sempre relendo os meus velhos livros e este de Ingenieros estava próximo ao computador no momento em que visitava o Blog de Ozaí.
Coincidências à parte, dias depois fui participar daquela reunião e levei comigo o livro para ler enquanto esperava o colega; a discussão particular que travei me fez lembrar de algumas passagens de Ingenieros e o jovem colega se interessou pelo texto, o qual não deve ser fácil encontrar (talvez em algum sebo) para comprar. Trocamos algumas idéias sobre o tema da mediocridade e prosseguimos no assunto da reunião, trazendo-o para a formação do profissional de Administração. Disse-lhe que poderia disponibilizar o texto em espanhol o que ele aceitou e pediu para que eu o enviasse por e-mail.
Discutir interdisciplinaridade entre Economia e Administração é muito interessante porque a primeira está preocupada com a escassez dos recursos e a segunda com a otimização dos recursos escassos, o que implica numa complementaridade de conhecimentos muito importante para os profissionais de ambos os temas.
Porém, a questão não é vista assim dentro dos cursos de Administração e de Economia – os quais, para mim, deveriam ser um só e não fragmentos de conhecimento racionalmente (ou propositalmente) separados, para seguir a tradição cartesiana que domina por quase trezentos anos a cultura ocidental – quando, então, abordei o caso da disciplina Administração Brasileira. O colega, por certo ainda não havia visitado este Blog, no qual procuro realçar, entre outras, algumas discussões sobre esta área de conhecimento que é desprezada nos nossos cursos, pelo fato de que todos os currículos estão recheados de temas, cases e textos tipicamente elaborados ou nos Estados Unidos ou por professores brasileiros que se inspiram nos gurus americanos e não têm tempo de lançar um olhar para o interior do Brasil.
Sempre ressalto para os estudantes que não sou contra os textos estrangeiros (e também me utilizo deles para realizar meus trabalhos), mas sou bastante concentrado em Um Olhar Brasileiro para Administração, o que me leva a não aceitar redondamente o que se escreve lá fora sem, ao menos, tentar uma leitura e interpretação mais rebuscada e estudar aqui dentro algo que seja próprio de nossa cultura gerencial.
Aprendi isto com Geert Hofstede que será um dos autores que discutirei aqui. Sim. Porque, queiram ou não os colegas professores, temos (e pouco sabemos) uma cultura brasileira de administração que não é apenas o chamado “jeitinho brasileiro” vulgarmente (e mediocremente) divulgado nos quatro cantos. Isto eu procuro mostrar aos colegas estudantes durante minhas aulas-palestras (Ozaí foi muito feliz no seu último ou penúltimo artigo, quando trata da metodologia ainda usada pelos nossos colegas para, talvez por comodidade e conforto, levar os estudantes a “decorar” textos para realizar provas-exames como forma de avaliar o desempenho).
Assim, ao longo dos próximos episódios deste Blog estarei tratando de temas relacionados ainda com o desenvolvimento humano para uma Administração Brasileira e explorarei autores como José Ingenieros, Geert Hofstede, Lauro de Oliveira Lima e outros, que estou lendo e relendo. Talvez agora mais relendo porque me incomoda o fato de não proporcionarmos acesso dos jovens a textos tão importantes e interessantes como os destes autores e estamos procurando sempre o autor de hoje que seja “bestseller” para demonstrar que estamos atualizados quando nem conhecemos direito os velhos e significativos textos já publicados.
É bem verdade que considero importante a atualização. Porém, quem deve atualizar-se são aqueles que já sabem, já conhecem, para poder comparar de modo filosófico e científico o que se está produzindo no seu campo de estudo. Os que estão aprendendo pela primeira vez, ou ainda não sabem muito sobre um assunto, devem ler, estudar, interpretar e compreender os velhos e os novos autores, como no caso de José Ingenieros, para poderem escolher o caminho de conhecimento que mais se afina com o seu pensar e o seu fazer. O que vejo no ambiente acadêmico é uma falsa atualização que obriga os estudantes a decorar o que está atualmente na moda sem permitir que esses jovens ousem, sejam livres e criativos para poderem melhor perceber a formiguinha encravada na unha do elefante incomodando-o. Infelizmente, os professores ainda pensam que os estudantes representam aqueles seis cegos que foram conhecer o elefante e cada um o descreveu de acordo com a parte em que tocou. É uma surrada história, mas está bem consoante com o modelo brasileiro de educar e administrar baseado naquilo que não somos efetivamente. Pensam os professores que esses estudantes ainda são alummini. E a este modelo eu me oponho criativamente aqui, como faço em todos os artigos até agora publicados.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
sábado, 6 de outubro de 2007
Desenvolver Pessoas para uma Administração Brasileira
7. Epílogo
"El hombre sólo puede ser hombre mediante la educación." Immanuel Kant
E eis que estamos, de novo, às voltas com o leão. Ele nos provocou a ponto de mostrarmos desde o passado que não é de agora que se tenta matar leão neste país e, justamente porque não se percebeu que era melhor administrar um leão por dia que consumir energia, recursos econômicos e tempo para matar um leão por dia, que o país ficou para trás em todos os processos revolucionários que contribuíram para mudar o mundo.
Basta ler melhor e com sinceridade os fatos históricos, desde a criação da Escola de Sagres[1] até a assunção do poder no Brasil (ainda que não definitivo por enquanto) pelo operário travestido de socialista – que, presumo, não conhece ou não teve oportunidade de ler a biografia de Luiz Tarquínio, nem os trabalhos de libertários como Fourrier, Proudhon e Owen, para citar apenas estes e, se chegou a tomar conhecimento não soube, ou não conseguiu, interpretar como a maioria dos brasileiros, que estão vivendo de "bolsas estatais caridosas", não sabe interpretar o pouco que sabe ler –, que fala e discursa sobre socialização dos meios de produção e dos recursos econômicos sem ao menos conhecer efetivamente os fatos históricos e ocorrências que resultaram no que estamos chamando de Brasil. Ou seja, seria interessante fazer uma viagem literária, pelo menos, desde o Primeiro João até Sexto João em Portugal, estudando criteriosamente as ocorrências e as realizações do Primeiro Pedro e do Segundo Pedro imperadores do breve Império Brasileiro, até chegar à desastrosa decisão política dos anos 60 de destruir a malha ferroviária do país para subsidiar a implantação das montadoras de veículos criando, para isto, uma falsa malha rodoviária para justificar a superação do industrialismo tardio, em benefício, claro, do industrialismo americano e europeu.
Nada de matar leões. Mesmo com sotaque poético, creio que melhor que isto é administrar todos os problemas que se nos oferecem, os erros ou as decisões erradas que foram tomadas ontem. Devemos abandonar a idéia de investir na correção daquilo que foi decidido ontem e que agora vemos que não foi a melhor decisão. Devemos, portanto, deixar de gastar tempo, energia, recursos (escassos) com planejamento retrospectivo ou con soluções do passado que levam nossos empreendedores a serem matadores de leões e apagadores de incêndio porque tais atitudes estimulam a sustentar o espírito reformista quando o que nossos negócios, nossas empresas, nossas instituições, nossas carreiras profissionais e o próprio país como um todo estão carecendo é de atitudes que inspirem mudanças e transformações, atitudes revolucionárias, diria mais: atitudes schumpeterianas capazes de destruir criativamente o estado de coisas que vem se reformando sem criatividade desde mais de quatro séculos. Determinação, esta é a palavra e não política. Determinação e atitude. Esta sim é que é a plataforma de discussão que se deveria promover no país.
Digo mais. Só será possível desenvolver pessoas para uma administração brasileira sem destruirmos o modelo educacional que predomina em nossas instituições de ensino, a começar pelas de ensino básico elementar até as de nível superior. Sair do discurso vazio, ideológico, dogmatizador e demagógico, para uma prática com consistência teórica é promover mudanças e não reformas em sentido administrativo, político e científico, sobretudo, mas em melhor sentido no que se refere às estruturas judiciária e legislativa que temos instaladas no país. Precisamos de uma nova educação, de uma nova justiça, de uma nova política e se ainda não temos nada disso não é por falta de educadores, legisladores e políticos proativos, mas por falta de sustentação educacional, política, legislativa e judiciária que tem atrofiado o país desde o primeiro golpe republicano e está a se projetar para o próximo golpe continuista que os articuladores desenham para os próximos anos.
É claro que os textos aqui publicados não esgotam os fatos e ocorrências que não foram bem relatados pelos historiadores, economistas, filósofos e intelectuais, em especial relacionados com a administração pública e privada do país e nem mesmo a bibliografia citada aqui é única ou completa. Muitos são os trabalhos e textos de estudiosos, pesquisadores e cientistas sociais brasileiros, portugueses e de outros países que oferecem estudos e materiais para os estudantes de administração e administradores se situarem quanto uma História da Administração Brasileira ou para a Administração Brasileira.
Aqui apenas ensaiei idéias e propostas para futuras pesquisas tendo em vista que lancei a idéia de uma disciplina que foi denominada de Administração Brasileira para o curso de Administração da UESB, apesar das várias resistências de meus pares, em particular o pessoal de Economia, que teimavam em sustentar que não era possível tal disciplina por falta de material e textos e que preferiam permanecer presos às idéias técnicas derivadas do Management americano. Mas insisti e insisto que devemos escrever, desenvolver, estudar, pesquisar conhecimentos e idéias relacionados com nossos cotidianos e buscar nas realizações – ainda que muitas delas feitas a partir do senso comum – de empresários brasileiros motivos e materiais que mostrem realidades administrativas e gerenciais ou cases que são fundamentalmente locais, nacionais e não ficarmos muito apegados aos cases americanos para mostrar sucesso administrativo nos negócios.
Leiam, estudem, interpretem as biografias de empresários e empreendedores brasileiros e poderão capturar muitas idéias administrativas e gerenciais de sucesso. É possível e mais vantajoso administrar um leão por dia e bem menos vantajoso sair por aí matando leões ou mesmo apagando incêndios. Para tanto precisamos acreditar mais na Administração e nos Administradores. Acreditar que é possível mudar, transformar e não meramente reformar o Estado, a sociedade, os negócios e a nós mesmos porque as reformam só benefiam as oligarquias políticas e algumas econômicas que vivem nas beiradas do Estado corrompendo e corrompidas. É a minha recomendação para continuar com a discussão, de preferência em sala de aula.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[1] PINTO, Luiz Fernando da Silva. Sagres. A Revolução Estratégica. Rio de Janeiro: FGV, 2000.
"El hombre sólo puede ser hombre mediante la educación." Immanuel Kant
E eis que estamos, de novo, às voltas com o leão. Ele nos provocou a ponto de mostrarmos desde o passado que não é de agora que se tenta matar leão neste país e, justamente porque não se percebeu que era melhor administrar um leão por dia que consumir energia, recursos econômicos e tempo para matar um leão por dia, que o país ficou para trás em todos os processos revolucionários que contribuíram para mudar o mundo.
Basta ler melhor e com sinceridade os fatos históricos, desde a criação da Escola de Sagres[1] até a assunção do poder no Brasil (ainda que não definitivo por enquanto) pelo operário travestido de socialista – que, presumo, não conhece ou não teve oportunidade de ler a biografia de Luiz Tarquínio, nem os trabalhos de libertários como Fourrier, Proudhon e Owen, para citar apenas estes e, se chegou a tomar conhecimento não soube, ou não conseguiu, interpretar como a maioria dos brasileiros, que estão vivendo de "bolsas estatais caridosas", não sabe interpretar o pouco que sabe ler –, que fala e discursa sobre socialização dos meios de produção e dos recursos econômicos sem ao menos conhecer efetivamente os fatos históricos e ocorrências que resultaram no que estamos chamando de Brasil. Ou seja, seria interessante fazer uma viagem literária, pelo menos, desde o Primeiro João até Sexto João em Portugal, estudando criteriosamente as ocorrências e as realizações do Primeiro Pedro e do Segundo Pedro imperadores do breve Império Brasileiro, até chegar à desastrosa decisão política dos anos 60 de destruir a malha ferroviária do país para subsidiar a implantação das montadoras de veículos criando, para isto, uma falsa malha rodoviária para justificar a superação do industrialismo tardio, em benefício, claro, do industrialismo americano e europeu.
Nada de matar leões. Mesmo com sotaque poético, creio que melhor que isto é administrar todos os problemas que se nos oferecem, os erros ou as decisões erradas que foram tomadas ontem. Devemos abandonar a idéia de investir na correção daquilo que foi decidido ontem e que agora vemos que não foi a melhor decisão. Devemos, portanto, deixar de gastar tempo, energia, recursos (escassos) com planejamento retrospectivo ou con soluções do passado que levam nossos empreendedores a serem matadores de leões e apagadores de incêndio porque tais atitudes estimulam a sustentar o espírito reformista quando o que nossos negócios, nossas empresas, nossas instituições, nossas carreiras profissionais e o próprio país como um todo estão carecendo é de atitudes que inspirem mudanças e transformações, atitudes revolucionárias, diria mais: atitudes schumpeterianas capazes de destruir criativamente o estado de coisas que vem se reformando sem criatividade desde mais de quatro séculos. Determinação, esta é a palavra e não política. Determinação e atitude. Esta sim é que é a plataforma de discussão que se deveria promover no país.
Digo mais. Só será possível desenvolver pessoas para uma administração brasileira sem destruirmos o modelo educacional que predomina em nossas instituições de ensino, a começar pelas de ensino básico elementar até as de nível superior. Sair do discurso vazio, ideológico, dogmatizador e demagógico, para uma prática com consistência teórica é promover mudanças e não reformas em sentido administrativo, político e científico, sobretudo, mas em melhor sentido no que se refere às estruturas judiciária e legislativa que temos instaladas no país. Precisamos de uma nova educação, de uma nova justiça, de uma nova política e se ainda não temos nada disso não é por falta de educadores, legisladores e políticos proativos, mas por falta de sustentação educacional, política, legislativa e judiciária que tem atrofiado o país desde o primeiro golpe republicano e está a se projetar para o próximo golpe continuista que os articuladores desenham para os próximos anos.
É claro que os textos aqui publicados não esgotam os fatos e ocorrências que não foram bem relatados pelos historiadores, economistas, filósofos e intelectuais, em especial relacionados com a administração pública e privada do país e nem mesmo a bibliografia citada aqui é única ou completa. Muitos são os trabalhos e textos de estudiosos, pesquisadores e cientistas sociais brasileiros, portugueses e de outros países que oferecem estudos e materiais para os estudantes de administração e administradores se situarem quanto uma História da Administração Brasileira ou para a Administração Brasileira.
Aqui apenas ensaiei idéias e propostas para futuras pesquisas tendo em vista que lancei a idéia de uma disciplina que foi denominada de Administração Brasileira para o curso de Administração da UESB, apesar das várias resistências de meus pares, em particular o pessoal de Economia, que teimavam em sustentar que não era possível tal disciplina por falta de material e textos e que preferiam permanecer presos às idéias técnicas derivadas do Management americano. Mas insisti e insisto que devemos escrever, desenvolver, estudar, pesquisar conhecimentos e idéias relacionados com nossos cotidianos e buscar nas realizações – ainda que muitas delas feitas a partir do senso comum – de empresários brasileiros motivos e materiais que mostrem realidades administrativas e gerenciais ou cases que são fundamentalmente locais, nacionais e não ficarmos muito apegados aos cases americanos para mostrar sucesso administrativo nos negócios.
Leiam, estudem, interpretem as biografias de empresários e empreendedores brasileiros e poderão capturar muitas idéias administrativas e gerenciais de sucesso. É possível e mais vantajoso administrar um leão por dia e bem menos vantajoso sair por aí matando leões ou mesmo apagando incêndios. Para tanto precisamos acreditar mais na Administração e nos Administradores. Acreditar que é possível mudar, transformar e não meramente reformar o Estado, a sociedade, os negócios e a nós mesmos porque as reformam só benefiam as oligarquias políticas e algumas econômicas que vivem nas beiradas do Estado corrompendo e corrompidas. É a minha recomendação para continuar com a discussão, de preferência em sala de aula.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[1] PINTO, Luiz Fernando da Silva. Sagres. A Revolução Estratégica. Rio de Janeiro: FGV, 2000.
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