Leitura Contemplativa (I)
Para o intervalo desta semana escolhi um texto de OSHO e outro de INGENIEROS. São textos interessantes e bem relacionados com as atividades orientadas para o Desenvolvimento Humano e, de certo modo, com os temas que estou trabalhando. Para a sua leitura e reflexão:
AUTO-ACEITAÇÃO
Você não pode melhorar a si mesmo. Não estou dizendo que não possível é melhorar, apenas que você não pode melhorar a si mesmo. Quando você pára de se melhorar, a vida melhora você. Nesse relaxamento, nessa aceitação, a vida começa a fluir por você.
Ninguém jamais foi como você, e ninguém jamais será como você. Você é simplesmente único, incomparável. Aceite isso, ame isso, celebre isso – e dentro desta própria celebração você começa a ver a singularidade dos outros, a incomparável beleza dos outros. O amor só é possível quando há uma aceitação profunda de si mesmo, do outro, do mundo. A aceitação cria um meio em que o amor cresce, é o solo em que o amor floresce. OSHO[i] (2003, p.73).
O HOMEM ROTINEIRO
A mediocridade é mais contagiosa que o talento.
Os rotineiros raciocinam com a lógica dos outros. Disciplinados pelo desejo alheio, encaixam-se em seu escaninho social, e se catalogam, como recrutas, nas fileiras de um regimento... Reduzidos a sombras inúteis, vivem do critério alheio; ignoram-se a si próprios limitando-se a crer que são como os outros julgam. Os homens excelentes, ao invés, desdenham a opinião alheia na justa proporção em que respeitam a própria, sempre mais severa, ou a de seus iguais.
São sábios sem que, entretanto, se julguem desgraçados por isso. Se não se presumissem razoáveis, o absurdo que representam enterneceria. Ouvindo-os falar durante uma hora, parece que esta tem mil minutos. A ignorância é seu verdugo, como outrora o foi do servil, e o é atualmente dos selvagens; ela os transforma em instrumentos de todos os fanatismos, dispostos à domesticidade, incapazes de gestos dignos.
Ignoram que o homem vale pelo seu saber; negam que a cultura é a mais profunda fonte de virtude... Sua capacidade de meditar acaba convencendo-os de que não há problemas difíceis, e qualquer reflexo parece-lhes um sarcasmo; preferem confiar em sua ignorância, para adivinhar tudo... A leitura produz-lhe efeitos de envenenamento. Suas pupilas se deslizam frivolamente sobre centões (sic) absurdos; gostam dos mais superficiais, desses em que um espírito claro nada poderia aprender, embora sejam bastante profundos para empantanar um torpe. Engolem sem digerir, até a indigestão mental; ignoram que o homem não vive do que engole, senão do que assimila. O atascamento (sic) pode convertê-los em eruditos e a repetição pode dar-lhe hábitos de ruminantes. Mas, acumular dados não é aprender; tragar não é digerir. A mais intrépida paciência não transforma um rotineiro em um pensador... INGENIEROS[ii] (s. d., p.75-76)).
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[i] OSHO. O Livro da Transformação. São Paulo: Sextante, 2003
[ii] INGENIEROS, José. O Homem Medíocre. São Paulo: Edições Spiker, s. d.
sábado, 29 de dezembro de 2007
domingo, 23 de dezembro de 2007
Temas interessantes e... importantes
COOPERAÇÃO (4)
Há dois tipos de cooperação. O primeiro é a cooperação pelo interesse próprio; o segundo é a cooperação pelo interesse do todo. Cooperação pelo interesse próprio termina em falência. Cooperação pelo interesse das partes no todo traz saúde, felicidade, prosperidade e sabedoria para todos. Quando falamos em cooperação, nos referimos à segunda definição. Torkon Saraydarian (l990, p.39)[1].
Este tema é rico e fascinante e nos convida a uma discussão muito longa. Sempre encontramos idéias, sugestões, proposições, princípios e realizações ainda que pequenas – considerando que nossa gente desconhece ou teme praticar a Cooperação em grupo ou pelo todo –, as quais nos animam para prosseguirmos e acreditarmos no desenvolvimento humano. Contudo, tenho ainda outros temas para tratar e terei que interromper hoje a discussão sobre Cooperação; e quero fechar este artigo com algumas abordagens de Saraydarian.
Mostrei aqui as idéias de vários autores sobre Cooperação e, por extensão, sobre Cooperativismo. As idéias expostas envolveram desde posições filosóficas de autores e minhas também, místicas e até posições científicas. Agora, para encerrar, utilizo uma visão psicológica da Cooperação, a qual considero muito importante na minha caminhada pelo estudo, pela expansão e divulgação e aplicação da Cooperação em nossas comunidades.
Gosto de sintetizar a Cooperação e, por extensão, o Cooperativismo, com três vetores ou elementos de sustentação que oferecem uma abrangência socioeconômica, psicossocial e antropossocial muito importante, que são: a) Consciência Grupal; b) Objetivo Comum; e c) Atitude Integradora. Pode-se chamar estes vetores de base formadora do Espírito Cooperativista.
Para mim um grupo, um equipe, tem que funcionar como um Holon se assim não ocorrer deixa de ser grupo de seres humanos para ser meras partículas dispersas, inseguras, improdutivas vagando pelo espaço planetário, atuando de forma medíocre e não acrescentando nenhum valor à vida e nem à amplitude do Homem Integral.
Cada cooperante, aqui representando um Holon, atua com um objetivo comum que se soma ao objetivo total do Corpo Holístico do Ser Integral. A Cooperativa, como um Ser Coletivo, representa a totalidade dos holons. Quando existe essa Integração Holística (Atitude) a Consciência Grupal emerge forte e irradia alegria, saúde, firmeza de caráter, o desenvolvimento humano se projeta, se salienta em todas as comunidades.
A inexistência destes vetores implica na falta de Cooperação e isto resulta em doenças, conflitos, traumas e falência das pessoas, dos grupos, das organizações, sobretudo considerando que uma organização ou uma empresa representa a somatória de Holons grupais ou Indivíduos Coletivos (um grupo, uma equipe, um escritório, uma oficina, uma sala de aula, representam Indivíduos Coletivos que também coincidem com o Holon Grupal).
Da mesma forma que os indivíduos se entrelaçam de forma harmoniosa para formar um grupo, os grupos se entrelaçam para formar comunidades, e, progressivamente, formam sociedades, formam nações, formam o planeta, formam o cosmo. Todos agindo e atuando segundo as suas consciências.
Saraydarian (1990, p.32) mostra isto neste pensamento: Um grupo é criado por uma grande razão: construir unidade e síntese através da assimilação de novos elementos, motivando-os a expandir suas próprias possibilidades. Os indivíduos devem formar grupos e os grupos devem formar grupos maiores, até que todos os grupos se tornem uma humanidade, tendo desenvolvido uma consciência global.
Reforçando estas idéias e ainda recorrendo a Saraydarian (1990, p.33) ele diz que quando uma célula compartilha das atividades, emoções, pensamentos e visões de um todo magnífico, ela se desdobra, progride e entra no caminho da perfeição O mesmo é verdadeiro para uma pessoa individualizada.
Isto nos leva a afirmar que, sem Cooperação fica difícil promover o desenvolvimento humano e, mais ainda, criar e desenvolver organizações sadias e sólidas, vivendo em função de suas consciências grupais, seus objetivos comuns e suas atitudes integradoras. Isto possibilita a criação de uma visão, de uma missão, de propósitos, objetivos, metas e focos cooperativistas firmes e duradouros.
Poderia prosseguir por longos e longos caminhos discutindo este tema tão importante e tão pouco experimentado pelas pessoas. Acredito que tudo se tornará mais saudável nas convivências e na busca de uma prosperidade duradoura se as pessoas começarem a viver dentro de uma proposta de ação holística cooperativa.
Como só vou estar com vocês depois dos feriados e das festas de final de ano, desejo de coração e com um forte espírito cooperativista um Feliz Natal e um Novo Ano Integrativo com cooperação, amorização, colaboração, humorização, harmonização e humanização.
Concluo este tema com um pensamento de Proudhon (1975, p.116) para reflexão de todos: Restituam aos homens a liberdade, iluminem-lhes a inteligência, a fim de que conheçam o sentido dos seus contratos e vereis presidir às suas trocas a mais perfeita igualdade, sem qualquer consideração pela superioridade dos talentos e da cultura; e reconhecereis que na ordem das idéias comerciais, quer dizer, na esfera da sociedade, a palavra superioridade tão tem sentido. [2] Reflitam estas palavras do Século XIX seguindo os sete princípios do Cooperativismo.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[1] SARAYDARIAN, T. A Psicologia da Cooperação e Consciência Grupal. São Paulo: Aquariana, 1990.
[2] PROUDHON, P.-J. O que é a propriedade. Lisboa: Editorial Estampa, 1975.
Há dois tipos de cooperação. O primeiro é a cooperação pelo interesse próprio; o segundo é a cooperação pelo interesse do todo. Cooperação pelo interesse próprio termina em falência. Cooperação pelo interesse das partes no todo traz saúde, felicidade, prosperidade e sabedoria para todos. Quando falamos em cooperação, nos referimos à segunda definição. Torkon Saraydarian (l990, p.39)[1].
Este tema é rico e fascinante e nos convida a uma discussão muito longa. Sempre encontramos idéias, sugestões, proposições, princípios e realizações ainda que pequenas – considerando que nossa gente desconhece ou teme praticar a Cooperação em grupo ou pelo todo –, as quais nos animam para prosseguirmos e acreditarmos no desenvolvimento humano. Contudo, tenho ainda outros temas para tratar e terei que interromper hoje a discussão sobre Cooperação; e quero fechar este artigo com algumas abordagens de Saraydarian.
Mostrei aqui as idéias de vários autores sobre Cooperação e, por extensão, sobre Cooperativismo. As idéias expostas envolveram desde posições filosóficas de autores e minhas também, místicas e até posições científicas. Agora, para encerrar, utilizo uma visão psicológica da Cooperação, a qual considero muito importante na minha caminhada pelo estudo, pela expansão e divulgação e aplicação da Cooperação em nossas comunidades.
Gosto de sintetizar a Cooperação e, por extensão, o Cooperativismo, com três vetores ou elementos de sustentação que oferecem uma abrangência socioeconômica, psicossocial e antropossocial muito importante, que são: a) Consciência Grupal; b) Objetivo Comum; e c) Atitude Integradora. Pode-se chamar estes vetores de base formadora do Espírito Cooperativista.
Para mim um grupo, um equipe, tem que funcionar como um Holon se assim não ocorrer deixa de ser grupo de seres humanos para ser meras partículas dispersas, inseguras, improdutivas vagando pelo espaço planetário, atuando de forma medíocre e não acrescentando nenhum valor à vida e nem à amplitude do Homem Integral.
Cada cooperante, aqui representando um Holon, atua com um objetivo comum que se soma ao objetivo total do Corpo Holístico do Ser Integral. A Cooperativa, como um Ser Coletivo, representa a totalidade dos holons. Quando existe essa Integração Holística (Atitude) a Consciência Grupal emerge forte e irradia alegria, saúde, firmeza de caráter, o desenvolvimento humano se projeta, se salienta em todas as comunidades.
A inexistência destes vetores implica na falta de Cooperação e isto resulta em doenças, conflitos, traumas e falência das pessoas, dos grupos, das organizações, sobretudo considerando que uma organização ou uma empresa representa a somatória de Holons grupais ou Indivíduos Coletivos (um grupo, uma equipe, um escritório, uma oficina, uma sala de aula, representam Indivíduos Coletivos que também coincidem com o Holon Grupal).
Da mesma forma que os indivíduos se entrelaçam de forma harmoniosa para formar um grupo, os grupos se entrelaçam para formar comunidades, e, progressivamente, formam sociedades, formam nações, formam o planeta, formam o cosmo. Todos agindo e atuando segundo as suas consciências.
Saraydarian (1990, p.32) mostra isto neste pensamento: Um grupo é criado por uma grande razão: construir unidade e síntese através da assimilação de novos elementos, motivando-os a expandir suas próprias possibilidades. Os indivíduos devem formar grupos e os grupos devem formar grupos maiores, até que todos os grupos se tornem uma humanidade, tendo desenvolvido uma consciência global.
Reforçando estas idéias e ainda recorrendo a Saraydarian (1990, p.33) ele diz que quando uma célula compartilha das atividades, emoções, pensamentos e visões de um todo magnífico, ela se desdobra, progride e entra no caminho da perfeição O mesmo é verdadeiro para uma pessoa individualizada.
Isto nos leva a afirmar que, sem Cooperação fica difícil promover o desenvolvimento humano e, mais ainda, criar e desenvolver organizações sadias e sólidas, vivendo em função de suas consciências grupais, seus objetivos comuns e suas atitudes integradoras. Isto possibilita a criação de uma visão, de uma missão, de propósitos, objetivos, metas e focos cooperativistas firmes e duradouros.
Poderia prosseguir por longos e longos caminhos discutindo este tema tão importante e tão pouco experimentado pelas pessoas. Acredito que tudo se tornará mais saudável nas convivências e na busca de uma prosperidade duradoura se as pessoas começarem a viver dentro de uma proposta de ação holística cooperativa.
Como só vou estar com vocês depois dos feriados e das festas de final de ano, desejo de coração e com um forte espírito cooperativista um Feliz Natal e um Novo Ano Integrativo com cooperação, amorização, colaboração, humorização, harmonização e humanização.
Concluo este tema com um pensamento de Proudhon (1975, p.116) para reflexão de todos: Restituam aos homens a liberdade, iluminem-lhes a inteligência, a fim de que conheçam o sentido dos seus contratos e vereis presidir às suas trocas a mais perfeita igualdade, sem qualquer consideração pela superioridade dos talentos e da cultura; e reconhecereis que na ordem das idéias comerciais, quer dizer, na esfera da sociedade, a palavra superioridade tão tem sentido. [2] Reflitam estas palavras do Século XIX seguindo os sete princípios do Cooperativismo.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[1] SARAYDARIAN, T. A Psicologia da Cooperação e Consciência Grupal. São Paulo: Aquariana, 1990.
[2] PROUDHON, P.-J. O que é a propriedade. Lisboa: Editorial Estampa, 1975.
sábado, 15 de dezembro de 2007
Temas interessantes e... importantes
COOPERAÇÃO (3)
Através do sistema cooperativo a sociedade humana progredirá num ritmo acelerado, introduzindo uma nova revolução na ciência. Nenhuma parte deste universo será mantida sem utilização, todos os recantos serão utilizados apropriadamente. Prabhat Ranjan Sarkar (1996).[i]
A filosofia cooperativista não se aplica apenas à criação de cooperativas. Uma cooperativa é apenas uma organização que se cria quando se deseja reunir esforços que não terá grande valia ou energia suficiente se utilizados de forma isolada.
A raiz mesma do cooperativismo, antes de qualquer conotação econômica ou política, é a cooperação e esta independe da existência de um órgão formal ou informal para existir. A razão de ser do individuo humano no planeta é uma existência e um viver cooperativo que implica em juntar forças e energias sempre para alcançar a realização do ser integral.
Podemos (e devemos) ser cooperantes tanto em uma empresa tipo cooperativa quanto em outra de qualquer formato e independente do tamanho. O que dificulta a operação cooperativa entre nós não é a formalização do negócio, mas as imposições que recaem sobre as pessoas para atuar ou participar de organização de negócios, seja ela com ou sem fins financeiros.
Mais uma vez converso com Tulku e ele diz que: "A incapacidade de cooperar é, com freqüência, resultado de padrões de comportamento formados na infância, de esforços autocentrados para termos as coisas do nosso modo e evitarmos o que não queremos".
Saindo da teoria para a prática social e econômica, percebe-se que os princípios do cooperativismo, como delineados pelos probos de Rochdale, apresentam um valor muito significativo para um redirecionamento das relações dentro das comunidades e é necessário que se faça uma leitura reflexiva deles no ambiente humano: educacional, familiar, empresarial. Vou expor aqui os sete princípios para que vocês reflitam comigo sobre a importância deste tema:
1) Da livre e aberta adesão dos sócios
As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas interessadas em utilizar seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades da sociedade, sem discriminação social, racial, política, religiosa e sexual (de gênero).
2) Gestão e controle democrático dos sócios
As cooperativas são organizações democráticas controladas por seus associados, que participam ativamente na fixação de suas políticas e nas tomadas de decisões.
Homens e mulheres, quando assumem como representantes eleitos, respondem pela associação. Nas cooperativas de primeiro grau, os sócios têm direitos iguais de voto (um sócio, um voto). Cooperativas de outros graus são também organizadas de forma democrática.
3) Participação econômica do sócio
Os associados contribuem eqüitativamente e controlam democraticamente o capital de sua cooperativa. Ao menos parte desse capital é, geralmente, de propriedade comum da cooperativa.
Os associados geralmente recebem benefícios limitados pelo capital subscrito, quando houver, como condição de associação.
Os sócios destinam as sobras para algumas das seguintes finalidades: desenvolver sua cooperativa, possibilitando a formação de reservas, onde ao menos parte das quais sejam indivisíveis; beneficiar os associados na proporção de suas transações com a cooperativa; e sustentar outras atividades aprovadas pela sociedade (associação).
4) Autonomia e independência
As cooperativas são autônomas, organizações de auto-ajuda, controladas por seus membros. Nas relações com outras organizações, inclusive governos, ou quando obtêm capital de fontes externas, o fazem de modo que garantam o controle democrático pelos seus associados e mantenham a autonomia da cooperativa.
5) Educação, treinamento e informação
As cooperativas fornecem educação e treinamento a seus sócios, aos representantes eleitos, aos administradores e empregados, para que eles possam contribuir efetivamente ao desenvolvimento de sua cooperativa.
Eles informam ao público em geral - particularmente aos jovens e líderes de opinião - sobre a natureza e os benefícios da cooperação.
6) Cooperação entre as cooperativas
As cooperativas servem seus associados mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativista, trabalhando juntas através de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.
7) Interesse pela comunidade
As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentável de suas comunidades através de políticas aprovadas por seus associados.
Cada um destes princípios daria um artigo. Aqui começa para nós brasileiros um campo amplo para aprendermos a viver de forma cooperativa e ter sociedades e comunidades mais produtivas e mais felizes. Vamos discutir um pouco mais este tema.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[i] SARKAR, P. R. Democracia Econômica. Teoria da Utilização Progressiva. São Paulo: Ananda Marga, 1996.
Através do sistema cooperativo a sociedade humana progredirá num ritmo acelerado, introduzindo uma nova revolução na ciência. Nenhuma parte deste universo será mantida sem utilização, todos os recantos serão utilizados apropriadamente. Prabhat Ranjan Sarkar (1996).[i]
A filosofia cooperativista não se aplica apenas à criação de cooperativas. Uma cooperativa é apenas uma organização que se cria quando se deseja reunir esforços que não terá grande valia ou energia suficiente se utilizados de forma isolada.
A raiz mesma do cooperativismo, antes de qualquer conotação econômica ou política, é a cooperação e esta independe da existência de um órgão formal ou informal para existir. A razão de ser do individuo humano no planeta é uma existência e um viver cooperativo que implica em juntar forças e energias sempre para alcançar a realização do ser integral.
Podemos (e devemos) ser cooperantes tanto em uma empresa tipo cooperativa quanto em outra de qualquer formato e independente do tamanho. O que dificulta a operação cooperativa entre nós não é a formalização do negócio, mas as imposições que recaem sobre as pessoas para atuar ou participar de organização de negócios, seja ela com ou sem fins financeiros.
Mais uma vez converso com Tulku e ele diz que: "A incapacidade de cooperar é, com freqüência, resultado de padrões de comportamento formados na infância, de esforços autocentrados para termos as coisas do nosso modo e evitarmos o que não queremos".
Saindo da teoria para a prática social e econômica, percebe-se que os princípios do cooperativismo, como delineados pelos probos de Rochdale, apresentam um valor muito significativo para um redirecionamento das relações dentro das comunidades e é necessário que se faça uma leitura reflexiva deles no ambiente humano: educacional, familiar, empresarial. Vou expor aqui os sete princípios para que vocês reflitam comigo sobre a importância deste tema:
1) Da livre e aberta adesão dos sócios
As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas interessadas em utilizar seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades da sociedade, sem discriminação social, racial, política, religiosa e sexual (de gênero).
2) Gestão e controle democrático dos sócios
As cooperativas são organizações democráticas controladas por seus associados, que participam ativamente na fixação de suas políticas e nas tomadas de decisões.
Homens e mulheres, quando assumem como representantes eleitos, respondem pela associação. Nas cooperativas de primeiro grau, os sócios têm direitos iguais de voto (um sócio, um voto). Cooperativas de outros graus são também organizadas de forma democrática.
3) Participação econômica do sócio
Os associados contribuem eqüitativamente e controlam democraticamente o capital de sua cooperativa. Ao menos parte desse capital é, geralmente, de propriedade comum da cooperativa.
Os associados geralmente recebem benefícios limitados pelo capital subscrito, quando houver, como condição de associação.
Os sócios destinam as sobras para algumas das seguintes finalidades: desenvolver sua cooperativa, possibilitando a formação de reservas, onde ao menos parte das quais sejam indivisíveis; beneficiar os associados na proporção de suas transações com a cooperativa; e sustentar outras atividades aprovadas pela sociedade (associação).
4) Autonomia e independência
As cooperativas são autônomas, organizações de auto-ajuda, controladas por seus membros. Nas relações com outras organizações, inclusive governos, ou quando obtêm capital de fontes externas, o fazem de modo que garantam o controle democrático pelos seus associados e mantenham a autonomia da cooperativa.
5) Educação, treinamento e informação
As cooperativas fornecem educação e treinamento a seus sócios, aos representantes eleitos, aos administradores e empregados, para que eles possam contribuir efetivamente ao desenvolvimento de sua cooperativa.
Eles informam ao público em geral - particularmente aos jovens e líderes de opinião - sobre a natureza e os benefícios da cooperação.
6) Cooperação entre as cooperativas
As cooperativas servem seus associados mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativista, trabalhando juntas através de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.
7) Interesse pela comunidade
As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentável de suas comunidades através de políticas aprovadas por seus associados.
Cada um destes princípios daria um artigo. Aqui começa para nós brasileiros um campo amplo para aprendermos a viver de forma cooperativa e ter sociedades e comunidades mais produtivas e mais felizes. Vamos discutir um pouco mais este tema.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[i] SARKAR, P. R. Democracia Econômica. Teoria da Utilização Progressiva. São Paulo: Ananda Marga, 1996.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Temas interessantes e... importantes
COOPERAÇÃO (2)
A capacidade de trabalhar bem com os outros nasce das qualidades que contribuem para uma vida saudável: estabilidade, honestidade, clareza, confiança interior e uma atenção plena e bem focada. À medida que desenvolvemos essas qualidades, aprendemos a compartilhar nossas habilidades e experiências com as outras pessoas, e isto é o início da cooperação. Tarthang Tulku (1995)[i]
Para dar continuidade ao tema da Cooperação escolhi o trabalho de Tulku que, no capítulo com este título, mostra com sábias palavras e segundo uma visão oriental, como podemos e devemos aprender para seguir um caminho capaz de alcançar uma completude mais humana ao lado de outras pessoas.
Os caminhos da Cooperação, da Educação e reunidos ao Empreendedorismo formam o modelo sistêmico que denominei ECOOPEM e representa um dos métodos que estudamos no ambiente SHENG de produção científica e empreendedorial para promover a realização do indivíduo em uma sociedade coletiva a partir do desenvolvimento humano como base para se enfrentar os desafios de uma sociedade do conhecimento.
Nesta nova sociedade que inicia uma nova era moderna que chamo de Terceira Modernidade, as pessoas, cada vez mais, carecem de um posicionamento coletivo que possa superar a negatividade do individualismo pernicioso. Viver juntos, trabalhar juntos, aprender juntos, superar-se juntos representam a nova forma de linguagem que teremos de absorver daqui para frente em todos os ambientes e em todas as formas de organização se desejamos sobreviver e contribuir para a sobrevivência do planeta.
Como salienta Tulku, trabalhar bem com os outros produz tanto uma consciência de valor único de cada indivíduo, como uma apreciação da síntese que se cria quando vários indivíduos participam de uma só tarefa. Assegura, ainda, nosso convidado de hoje: A cooperação libera uma força vital de energia criativa que proporciona benefícios muito mais amplos do que uma pessoa, sozinha, poderia conseguir. O progresso, tanto num nível pessoal como num nível global, depende dessa cooperação (TULKU, 1995, p.146-147).
Os estudos e pesquisas sobre educação, cooperativismo, empreendedorismo que venho elaborando e realizando seguem três vetores fundamentais: o vetor social, o vetor econômico e o vetor ambiental. Estes vetores se interceptam no contexto do Ser Integral, segundo minha visão holística, agindo em cada uma de suas esferas (Material ou Física, Biológica ou Emocional, Lógica ou Racional e Mental ou Espiritual).
No Brasil o cooperativismo foi assumido, ou melhor, foi controlado pelo Estado que impôs uma norma (Lei 5764) regulamentando desde a instalação até a operacionalização das cooperativas e, inclusive, limitando o número mínimo de membros para se iniciar o processo cooperativista. No Brasil o cooperativismo ainda não é encarado como uma filosofia socioeconômica, mas como uma providência para diminuir conflitos coletivos sob a tutela do Estado.
A contribuição do Estado é sempre bem-vinda em qualquer situação, sobretudo quando se trata de redução da pobreza e aumento da qualidade de vida e sobre isto já falei quando me referi ao Ciclo GCEQ em outros artigos. Contudo a interferência heteronômica do Estado de modo pesado ou brusco muitas vezes tende a causar prejuízos para o desenvolvimento humano quando se trata de viver em comunidades, infelizmente.
O cooperativismo para mim é fruto de um consenso natural entre as pessoas e por ser uma organização socioeconômica não depende de ingerência política nem da imposição de leis (consenso artificial) para existir, sobretudo porque os políticos vêm as pessoas como incapazes de conduzir os seus destinos sozinhos ou em forma cooperativada, o que contraria os princípios do cooperativismo. Esta questão tem permitido que as pessoas em todos os seus níveis educacionais pensem e classifiquem as cooperativas como uma seqüência do Estado (neste caso personificado como Município, Estado provincial e Federação).
Esta visão é parcialmente verdadeira. Porém não é só isto que gera obstáculos à criação de cooperativas, que considero como fatores exteriores ou ambientais em contraposição aos fatores interiores ou intrapessoais, os quais têm muita influência na formação de uma consciência cooperativa. Conversando mais uma vez com Tarthang Tulku, ele nos diz que:
Um dos obstáculos mais comuns à cooperação é a nossa tendência a pensar que os nossos próprios sentimentos e atitudes são mais importantes do que os dos outros. Podemos pensar que conseguimos nos sair melhor fazendo as coisas por nós mesmos e direcionando nossas energias unicamente para os nossos próprios objetivos. Não percebemos que esta visão auto-centrada pode afetar tanto a nós como as demais pessoas em muitos níveis diferentes.
A norma sem a imposição do Estado, desde que seja elaborada segundo a vontade ou o consenso (no sentido de associação e não de seqüência, portanto natural) das pessoas proporciona alguma ajuda, mas não corrige as deficiências que são adquiridas ao longo do processo educacional direto e indireto e isto tem gerado uma certa resistência tanto das pessoas quanto das instituições à criação e desenvolvimentos de cooperativas. Seguiremos com a discussão.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[i] TULKU, Tarthang. O Caminho da Habilidade. São Paulo: Cultrix, 1995.
A capacidade de trabalhar bem com os outros nasce das qualidades que contribuem para uma vida saudável: estabilidade, honestidade, clareza, confiança interior e uma atenção plena e bem focada. À medida que desenvolvemos essas qualidades, aprendemos a compartilhar nossas habilidades e experiências com as outras pessoas, e isto é o início da cooperação. Tarthang Tulku (1995)[i]
Para dar continuidade ao tema da Cooperação escolhi o trabalho de Tulku que, no capítulo com este título, mostra com sábias palavras e segundo uma visão oriental, como podemos e devemos aprender para seguir um caminho capaz de alcançar uma completude mais humana ao lado de outras pessoas.
Os caminhos da Cooperação, da Educação e reunidos ao Empreendedorismo formam o modelo sistêmico que denominei ECOOPEM e representa um dos métodos que estudamos no ambiente SHENG de produção científica e empreendedorial para promover a realização do indivíduo em uma sociedade coletiva a partir do desenvolvimento humano como base para se enfrentar os desafios de uma sociedade do conhecimento.
Nesta nova sociedade que inicia uma nova era moderna que chamo de Terceira Modernidade, as pessoas, cada vez mais, carecem de um posicionamento coletivo que possa superar a negatividade do individualismo pernicioso. Viver juntos, trabalhar juntos, aprender juntos, superar-se juntos representam a nova forma de linguagem que teremos de absorver daqui para frente em todos os ambientes e em todas as formas de organização se desejamos sobreviver e contribuir para a sobrevivência do planeta.
Como salienta Tulku, trabalhar bem com os outros produz tanto uma consciência de valor único de cada indivíduo, como uma apreciação da síntese que se cria quando vários indivíduos participam de uma só tarefa. Assegura, ainda, nosso convidado de hoje: A cooperação libera uma força vital de energia criativa que proporciona benefícios muito mais amplos do que uma pessoa, sozinha, poderia conseguir. O progresso, tanto num nível pessoal como num nível global, depende dessa cooperação (TULKU, 1995, p.146-147).
Os estudos e pesquisas sobre educação, cooperativismo, empreendedorismo que venho elaborando e realizando seguem três vetores fundamentais: o vetor social, o vetor econômico e o vetor ambiental. Estes vetores se interceptam no contexto do Ser Integral, segundo minha visão holística, agindo em cada uma de suas esferas (Material ou Física, Biológica ou Emocional, Lógica ou Racional e Mental ou Espiritual).
No Brasil o cooperativismo foi assumido, ou melhor, foi controlado pelo Estado que impôs uma norma (Lei 5764) regulamentando desde a instalação até a operacionalização das cooperativas e, inclusive, limitando o número mínimo de membros para se iniciar o processo cooperativista. No Brasil o cooperativismo ainda não é encarado como uma filosofia socioeconômica, mas como uma providência para diminuir conflitos coletivos sob a tutela do Estado.
A contribuição do Estado é sempre bem-vinda em qualquer situação, sobretudo quando se trata de redução da pobreza e aumento da qualidade de vida e sobre isto já falei quando me referi ao Ciclo GCEQ em outros artigos. Contudo a interferência heteronômica do Estado de modo pesado ou brusco muitas vezes tende a causar prejuízos para o desenvolvimento humano quando se trata de viver em comunidades, infelizmente.
O cooperativismo para mim é fruto de um consenso natural entre as pessoas e por ser uma organização socioeconômica não depende de ingerência política nem da imposição de leis (consenso artificial) para existir, sobretudo porque os políticos vêm as pessoas como incapazes de conduzir os seus destinos sozinhos ou em forma cooperativada, o que contraria os princípios do cooperativismo. Esta questão tem permitido que as pessoas em todos os seus níveis educacionais pensem e classifiquem as cooperativas como uma seqüência do Estado (neste caso personificado como Município, Estado provincial e Federação).
Esta visão é parcialmente verdadeira. Porém não é só isto que gera obstáculos à criação de cooperativas, que considero como fatores exteriores ou ambientais em contraposição aos fatores interiores ou intrapessoais, os quais têm muita influência na formação de uma consciência cooperativa. Conversando mais uma vez com Tarthang Tulku, ele nos diz que:
Um dos obstáculos mais comuns à cooperação é a nossa tendência a pensar que os nossos próprios sentimentos e atitudes são mais importantes do que os dos outros. Podemos pensar que conseguimos nos sair melhor fazendo as coisas por nós mesmos e direcionando nossas energias unicamente para os nossos próprios objetivos. Não percebemos que esta visão auto-centrada pode afetar tanto a nós como as demais pessoas em muitos níveis diferentes.
A norma sem a imposição do Estado, desde que seja elaborada segundo a vontade ou o consenso (no sentido de associação e não de seqüência, portanto natural) das pessoas proporciona alguma ajuda, mas não corrige as deficiências que são adquiridas ao longo do processo educacional direto e indireto e isto tem gerado uma certa resistência tanto das pessoas quanto das instituições à criação e desenvolvimentos de cooperativas. Seguiremos com a discussão.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[i] TULKU, Tarthang. O Caminho da Habilidade. São Paulo: Cultrix, 1995.
sábado, 1 de dezembro de 2007
Temas interessantes e... importantes
COOPERAÇÃO (1)
Um dos problemas básicos que o mundo enfrenta é o da cooperação. Cooperar significa trabalhar juntos, construir juntos, sentir juntos, ter algo em comum para se agir livremente. J. Krishnamurti
Existem alguns temas que têm especial significado para mim, os quais procuro estudar com mais cuidado e até mais profundidade do que outros temas corriqueiros e comuns no dia-a-dia. Aproveito a oportunidade desta rede para compartilhar com vocês temas interessantes que tenho discutido com estudantes e com profissionais, com empreendedores e empresários, e que deveriam estar presentes nos ambientes empresariais e organizacionais de modo firme e intensivo.
Pelo menos três desses temas discutirei aqui que são: liderança, cooperação e empreendedorismo e começo pela cooperação. Vale salientar que estes temas não são excludentes e eles estão sempre juntos de modo transdisciplinar, o que não impedirá que ao longo destes artigos eu trate de um ou de outro mesmo que o foco seja um tema escolhido. Estes temas fazem parte do desenvolvimento humano e, infelizmente, são pouco discutidos no ambiente de negócios, no ambiente educacional e mesmo no ambiente político.
Escolhi um artigo de J. Krishnamurti que fala sobre cooperação para ilustrar este trabalho, como pode ser percebido na epígrafe. A cooperação deve ser um ato espontâneo, natural e dignificante para o ser humano este é o meu pensamento. Entretanto, diz Krishnamurti, as pessoas em geral não se sentem inclinadas a cooperar espontaneamente; elas são forçadas a cooperar por vários meios – ameaça, intimidação, castigo, recompensa. Esses são os métodos mais comumente praticados no mundo.
Quando estudamos cooperativismo um dos fatos que se salientam para ilustrar esta filosofia é o da formação da primeira cooperativa de consumo ocorrido na Inglaterra, a qual nasceu da espontaneidade (positivamente aliada à necessidade de sobrevivência) de trabalhadores e ex-trabalhadores das indústrias da cidade de Rochdale.
Eles se reuniram em torno de um objetivo comum e esta atitude seguida da determinação de não apenas se reunirem em grupo, mas encontrarem algo que excedesse a um mero somatório de esforços e fosse superior a todos ao mesmo tempo, cunhou os elementos ou princípios do cooperativismo como vêm sendo usado até agora.
As idéias, as vontades, os desejos, tudo nasceu dentro do próprio grupo de trabalhadores sem qualquer interferência externa dos poderes e dos poderosos daquela época (1844). Se assim estivesse ocorrido certamente não teríamos o nascimento do espírito cooperativo e nem de sua filosofia básica.
Como salienta Krishnamurti, Sob governos tirânicos, os homens são brutalmente forçados a cooperar; se não o fazem, são mortos ou aprisionados. Nas chamadas nações civilizadas somos persuadidos a cooperar mediante conceitos como ‘pátria’, ou em prol de ideologias caprichosamente elaboradas e largamente propagadas, a fim de serem aceitas; ou, ainda, cooperamos para a execução de um plano traçado por alguém que consideramos especial – um projeto de utopia.
Como se pode perceber pelas palavras citadas, o que tem sido tratado como cooperação representa mais uma imposição gerada pelo estilo de algum líder autocrático ou dominador. Aqui aparece muito bem a interação destas palavras: cooperação e liderança, como mostrarei ao longo deste artigo. O que tem sido chamado de cooperativismo entre nós, até o momento, não passa de um associativismo político-ideológico voltado para atender aos interesses de alguns grupos de referência e não é embasado em nenhum conteúdo filosófico como deve ser segundo os princípios que regem a visão cooperativista.
KRISHNAMURTI, J. O prazer da cooperação. In, SOPHIA, ano 5, n.20, 2007. Publicação da Editora Teosófica, Brasília.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Um dos problemas básicos que o mundo enfrenta é o da cooperação. Cooperar significa trabalhar juntos, construir juntos, sentir juntos, ter algo em comum para se agir livremente. J. Krishnamurti
Existem alguns temas que têm especial significado para mim, os quais procuro estudar com mais cuidado e até mais profundidade do que outros temas corriqueiros e comuns no dia-a-dia. Aproveito a oportunidade desta rede para compartilhar com vocês temas interessantes que tenho discutido com estudantes e com profissionais, com empreendedores e empresários, e que deveriam estar presentes nos ambientes empresariais e organizacionais de modo firme e intensivo.
Pelo menos três desses temas discutirei aqui que são: liderança, cooperação e empreendedorismo e começo pela cooperação. Vale salientar que estes temas não são excludentes e eles estão sempre juntos de modo transdisciplinar, o que não impedirá que ao longo destes artigos eu trate de um ou de outro mesmo que o foco seja um tema escolhido. Estes temas fazem parte do desenvolvimento humano e, infelizmente, são pouco discutidos no ambiente de negócios, no ambiente educacional e mesmo no ambiente político.
Escolhi um artigo de J. Krishnamurti que fala sobre cooperação para ilustrar este trabalho, como pode ser percebido na epígrafe. A cooperação deve ser um ato espontâneo, natural e dignificante para o ser humano este é o meu pensamento. Entretanto, diz Krishnamurti, as pessoas em geral não se sentem inclinadas a cooperar espontaneamente; elas são forçadas a cooperar por vários meios – ameaça, intimidação, castigo, recompensa. Esses são os métodos mais comumente praticados no mundo.
Quando estudamos cooperativismo um dos fatos que se salientam para ilustrar esta filosofia é o da formação da primeira cooperativa de consumo ocorrido na Inglaterra, a qual nasceu da espontaneidade (positivamente aliada à necessidade de sobrevivência) de trabalhadores e ex-trabalhadores das indústrias da cidade de Rochdale.
Eles se reuniram em torno de um objetivo comum e esta atitude seguida da determinação de não apenas se reunirem em grupo, mas encontrarem algo que excedesse a um mero somatório de esforços e fosse superior a todos ao mesmo tempo, cunhou os elementos ou princípios do cooperativismo como vêm sendo usado até agora.
As idéias, as vontades, os desejos, tudo nasceu dentro do próprio grupo de trabalhadores sem qualquer interferência externa dos poderes e dos poderosos daquela época (1844). Se assim estivesse ocorrido certamente não teríamos o nascimento do espírito cooperativo e nem de sua filosofia básica.
Como salienta Krishnamurti, Sob governos tirânicos, os homens são brutalmente forçados a cooperar; se não o fazem, são mortos ou aprisionados. Nas chamadas nações civilizadas somos persuadidos a cooperar mediante conceitos como ‘pátria’, ou em prol de ideologias caprichosamente elaboradas e largamente propagadas, a fim de serem aceitas; ou, ainda, cooperamos para a execução de um plano traçado por alguém que consideramos especial – um projeto de utopia.
Como se pode perceber pelas palavras citadas, o que tem sido tratado como cooperação representa mais uma imposição gerada pelo estilo de algum líder autocrático ou dominador. Aqui aparece muito bem a interação destas palavras: cooperação e liderança, como mostrarei ao longo deste artigo. O que tem sido chamado de cooperativismo entre nós, até o momento, não passa de um associativismo político-ideológico voltado para atender aos interesses de alguns grupos de referência e não é embasado em nenhum conteúdo filosófico como deve ser segundo os princípios que regem a visão cooperativista.
KRISHNAMURTI, J. O prazer da cooperação. In, SOPHIA, ano 5, n.20, 2007. Publicação da Editora Teosófica, Brasília.
Pão, Paz e Liberdade
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