sábado, 22 de março de 2008

Temas interessantes e... importantes

Liderança (3)

Muito simplesmente, em qualquer agrupamento humano, o líder possui o poder máximo de controlar as emoções de todos. Se estas forem impelidas para o lado do entusiasmo, o desempenho pode disparar; se as pessoas forem incitadas ao rancor e à ansiedade, perderão o rumo – o que indica outro aspecto importante da liderança primal: seus efeitos vão muito além de fazer com que determinado trabalho seja bem feito. Goleman, Boyatzis e McKee (2002)[1]

Vou continuar apresentando citações de Jennings para conhecermos um pouco o conteúdo de sua tipologia. A tipologia de Jennings representa um dos melhores estudos que relaciona liderança e poder, relação esta que está presente na política, nos negócios, nas relações sociais e nas organizações em geral.

O príncipe moderno não difere muito daquele estudado e caracterizado por Maquiavel, mesmo com as grandes mudanças que vêm ocorrendo nas sociedades e nas organizações e com as aberturas e flexibilidades de poder, autoridade e responsabilidade no que vem sendo nomeado como Empowerment, ainda assim é importante para os profissionais em geral conhecer esta tipologia, pois estes líderes continuam existindo dentro das empresas, em especial as médias e grandes e nas organizações muito burocratizadas.

O Príncipe
Existe uma noção bastante generalizada de que todas as relações sociais são por definição relações de poder, e por isso o progresso e o desenvolvimento sociais são determinados por mudanças nas relações de poder dos grupos e dos indivíduos. (...) Acredita-se assim que todos os homens e todas as unidades sociais procuram aumentar ou pelo menos expandir, o poder que possuem em relação uns aos outros. Seja como for, nenhum indivíduo foge ao impulso em direção ao poder.

Essa preocupação geral com os diferentes graus de poder nos leva à análise do príncipe. (...) Uma organização não caminha necessariamente na direção favorável ao indivíduo que ambiciona o poder. Ele deverá agir e manobrar a situação tanto para transformar a direção e o caráter da organização quanto para fortalecer e salientar sua posição.

Embora o executivo que pertence ao tipo príncipe considere o poder uma virtude, a ênfase no poder não é necessariamente atribuída mediante a crença que o fator de diferenciação entre todos os homens seja o traço do poder. (...) O príncipe típico considera a passividade em face do poder como o traço característico da maioria das pessoas. Na maior parte dos casos as pessoas desejam o máximo de segurança e a oportunidade para viverem sua vida e dirigirem seus pequenos negócios, e somente quando motivadas por uma extrema provocação por parte dos líderes é que se interessam pelo poder. Contudo, para certos homens a paixão do poder é uma força irresistível que desconhece qualquer compromisso, a não ser a própria lei do poder, e esses homens são dirigidos pela necessidade de exercer o poder sobre os outros.

(...) O príncipe é uma figura secundária em nossa anatomia da liderança na medida em que é melhor caracterizado como um “ambicioso” do poder e não como um grande “agitador” ou “incentivador”. Por essa razão, o príncipe de qualquer época é um indivíduo motivado para influenciar os outros, primeiro em benefício próprio e somente depois em vista das causas em que se identifica.

Nada confere maior estima ao príncipe do que os grandes feitos como prova de sua bravura. A execução de feitos monumentais mantém a opinião dos súditos incerta e perplexa, e ocupada em observar os resultados. (...) Em outras palavras, é aconselhável ao príncipe dar “algum exemplo monumental de sua grandeza”, sobretudo no que se refere à organização e administração interna.
[2]

Como se observa por estas citações, Jennings procurou manter a linha de sua análise dentro o perfil que Maquiavel desenhou para o seu príncipe. Ele tenta trazer ao longo do capítulo, a discussão para dentro da empresa e das organizações, identificando as ações de muitos executivos com as características desenhadas por Maquiavel para o príncipe. Veremos na próxima parte um pouco do Herói.

Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos


Este Blog colabora com o II ENLLIJ (Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil da UESB), de 01 a 04/05/2008, Jequié - Bahia. Participe. Visite o site: www.celeitura.com.br/enllij
[1] GOLEMAN, D., BOYATZIS, R., e McKEE, A. O Poder da Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
[2] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 28 a 41.

0 comentários: