Liderança (4)
A idéia de liderança não é familiar, comum ou facilmente captada pelo senso comum ou pelas ciências sociais. É um fenômeno que ilude a ambos. Os feitos dos líderes dificilmente se evidenciam por si. E é por isso que grande parte dos fracassos da liderança resulta da falta de compreensão do seu significado e atribuições. Philip Selznick (1971)[1].
Vimos na parte anterior alguns parágrafos que falavam do perfil do Príncipe Jennings descreve nesse capítulo alguns tipos de Príncipe em suas posições de mando, de poder e utilizando-se do trabalho de Maquiavel ele mostra alguns tipos Leão e alguns Raposa e suas atuações nas organizações, na política e na sociedade. Vou compilar, agora, algumas passagens do capítulo sobre o Herói.
O Herói
Começo com o primeiro parágrafo do capítulo que diz:
Para vencer a alienação da organização maciça é muitas vezes necessário o poder social, isto é, o poder sobre os outros. (...) A transformação constante que reflete a passagem de um grande líder é o resultado de uma visão rara e penetrante.
Para dirigir uma organização à maneira de um herói, é necessário promover uma idéia que, quando executada, provocará uma transformação substancial. Contudo, esta promoção pode levar a marca do príncipe. O líder do tipo heróico pode assumir eventualmente um disfarce maquiavélico, mas veremos que este tipo de líder é bastante diferente do príncipe que ostenta uma auréola de herói.
Thomas Carlyle acreditava que a história era determinada pelas obras dos grandes homens a quem denominava heróis. O termo herói representava especificamente a vasta extensão dos atos do líder e as condições quase invencíveis contra as quais lutava.
Carlyle escreveu que entre a massa indistinta, semelhante a formigas, existem homens esclarecidos e guias, mortais superiores em poder, coragem e compreensão. A história da humanidade é a biografia desses grandes homens.
As massas semelhantes a formigas a que ele se refere não possuem capacidade para determinar a direção e o caráter delas, mas possuem uma qualidade que dá à teoria do herói, um certo grau de praticabilidade. Elas são capazes de “sentir” a diferença entre o herói e o demagogo. O dever do homem comum é descobrir o herói e colocá-lo no leme da organização. Nesse sentido as massas também poderiam ser consideradas heróicas. Esse ato de obediência é denominado culto do herói.
Jennings fala neste capítulo do Herói Cavaleiro, do Intuitivista, do Herói Democrático e apresenta uma síntese da situação do Herói Hoje. Com relação ao Intuitivista assim se refere Jennings:
O líder do tipo heróico possuía uma espécie de consciência mística de uma vida superior que existia além da mera aparência. Possuía uma “visão especial” que era a capacidade de “enxergar” a realidade atual e prever os acontecimentos futuros. Esta intuição é extremamente rara na procura da verdade. (...) O herói procura um sentimento e uma espécie de inteligência analisadora que não é encoberta por fórmulas e que não existe escrita em gráficos e programas. O poder do herói está na sua fantástica visão intuitiva. (JENNINGS, 1970)[2]
Continuarei com a leitura deste livro de Eugene Jennings sobre liderança para proporcionar aos leitures algumas reflexões interessantes e importantes para o desempenho de suas atividades (sociais, negociais, empreendedoriais).
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Este Blog colabora com o II ENLLIJ (Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil da UESB), de 01 a 04/05/2008, Jequié - Bahia. Participe. Visite o site: www.celeitura.com.br/enllij
[1] SELZNICK, P. A liderança na administração; uma interpretação sociológica. Rio de Janeiro: FGV, 1971.
[2] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 57 a 64.
sábado, 29 de março de 2008
sábado, 22 de março de 2008
Temas interessantes e... importantes
Liderança (3)
Muito simplesmente, em qualquer agrupamento humano, o líder possui o poder máximo de controlar as emoções de todos. Se estas forem impelidas para o lado do entusiasmo, o desempenho pode disparar; se as pessoas forem incitadas ao rancor e à ansiedade, perderão o rumo – o que indica outro aspecto importante da liderança primal: seus efeitos vão muito além de fazer com que determinado trabalho seja bem feito. Goleman, Boyatzis e McKee (2002)[1]
Vou continuar apresentando citações de Jennings para conhecermos um pouco o conteúdo de sua tipologia. A tipologia de Jennings representa um dos melhores estudos que relaciona liderança e poder, relação esta que está presente na política, nos negócios, nas relações sociais e nas organizações em geral.
O príncipe moderno não difere muito daquele estudado e caracterizado por Maquiavel, mesmo com as grandes mudanças que vêm ocorrendo nas sociedades e nas organizações e com as aberturas e flexibilidades de poder, autoridade e responsabilidade no que vem sendo nomeado como Empowerment, ainda assim é importante para os profissionais em geral conhecer esta tipologia, pois estes líderes continuam existindo dentro das empresas, em especial as médias e grandes e nas organizações muito burocratizadas.
O Príncipe
Existe uma noção bastante generalizada de que todas as relações sociais são por definição relações de poder, e por isso o progresso e o desenvolvimento sociais são determinados por mudanças nas relações de poder dos grupos e dos indivíduos. (...) Acredita-se assim que todos os homens e todas as unidades sociais procuram aumentar ou pelo menos expandir, o poder que possuem em relação uns aos outros. Seja como for, nenhum indivíduo foge ao impulso em direção ao poder.
Essa preocupação geral com os diferentes graus de poder nos leva à análise do príncipe. (...) Uma organização não caminha necessariamente na direção favorável ao indivíduo que ambiciona o poder. Ele deverá agir e manobrar a situação tanto para transformar a direção e o caráter da organização quanto para fortalecer e salientar sua posição.
Embora o executivo que pertence ao tipo príncipe considere o poder uma virtude, a ênfase no poder não é necessariamente atribuída mediante a crença que o fator de diferenciação entre todos os homens seja o traço do poder. (...) O príncipe típico considera a passividade em face do poder como o traço característico da maioria das pessoas. Na maior parte dos casos as pessoas desejam o máximo de segurança e a oportunidade para viverem sua vida e dirigirem seus pequenos negócios, e somente quando motivadas por uma extrema provocação por parte dos líderes é que se interessam pelo poder. Contudo, para certos homens a paixão do poder é uma força irresistível que desconhece qualquer compromisso, a não ser a própria lei do poder, e esses homens são dirigidos pela necessidade de exercer o poder sobre os outros.
(...) O príncipe é uma figura secundária em nossa anatomia da liderança na medida em que é melhor caracterizado como um “ambicioso” do poder e não como um grande “agitador” ou “incentivador”. Por essa razão, o príncipe de qualquer época é um indivíduo motivado para influenciar os outros, primeiro em benefício próprio e somente depois em vista das causas em que se identifica.
Nada confere maior estima ao príncipe do que os grandes feitos como prova de sua bravura. A execução de feitos monumentais mantém a opinião dos súditos incerta e perplexa, e ocupada em observar os resultados. (...) Em outras palavras, é aconselhável ao príncipe dar “algum exemplo monumental de sua grandeza”, sobretudo no que se refere à organização e administração interna.[2]
Como se observa por estas citações, Jennings procurou manter a linha de sua análise dentro o perfil que Maquiavel desenhou para o seu príncipe. Ele tenta trazer ao longo do capítulo, a discussão para dentro da empresa e das organizações, identificando as ações de muitos executivos com as características desenhadas por Maquiavel para o príncipe. Veremos na próxima parte um pouco do Herói.
Pão, Paz e Liberdade.
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[1] GOLEMAN, D., BOYATZIS, R., e McKEE, A. O Poder da Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
[2] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 28 a 41.
Muito simplesmente, em qualquer agrupamento humano, o líder possui o poder máximo de controlar as emoções de todos. Se estas forem impelidas para o lado do entusiasmo, o desempenho pode disparar; se as pessoas forem incitadas ao rancor e à ansiedade, perderão o rumo – o que indica outro aspecto importante da liderança primal: seus efeitos vão muito além de fazer com que determinado trabalho seja bem feito. Goleman, Boyatzis e McKee (2002)[1]
Vou continuar apresentando citações de Jennings para conhecermos um pouco o conteúdo de sua tipologia. A tipologia de Jennings representa um dos melhores estudos que relaciona liderança e poder, relação esta que está presente na política, nos negócios, nas relações sociais e nas organizações em geral.
O príncipe moderno não difere muito daquele estudado e caracterizado por Maquiavel, mesmo com as grandes mudanças que vêm ocorrendo nas sociedades e nas organizações e com as aberturas e flexibilidades de poder, autoridade e responsabilidade no que vem sendo nomeado como Empowerment, ainda assim é importante para os profissionais em geral conhecer esta tipologia, pois estes líderes continuam existindo dentro das empresas, em especial as médias e grandes e nas organizações muito burocratizadas.
O Príncipe
Existe uma noção bastante generalizada de que todas as relações sociais são por definição relações de poder, e por isso o progresso e o desenvolvimento sociais são determinados por mudanças nas relações de poder dos grupos e dos indivíduos. (...) Acredita-se assim que todos os homens e todas as unidades sociais procuram aumentar ou pelo menos expandir, o poder que possuem em relação uns aos outros. Seja como for, nenhum indivíduo foge ao impulso em direção ao poder.
Essa preocupação geral com os diferentes graus de poder nos leva à análise do príncipe. (...) Uma organização não caminha necessariamente na direção favorável ao indivíduo que ambiciona o poder. Ele deverá agir e manobrar a situação tanto para transformar a direção e o caráter da organização quanto para fortalecer e salientar sua posição.
Embora o executivo que pertence ao tipo príncipe considere o poder uma virtude, a ênfase no poder não é necessariamente atribuída mediante a crença que o fator de diferenciação entre todos os homens seja o traço do poder. (...) O príncipe típico considera a passividade em face do poder como o traço característico da maioria das pessoas. Na maior parte dos casos as pessoas desejam o máximo de segurança e a oportunidade para viverem sua vida e dirigirem seus pequenos negócios, e somente quando motivadas por uma extrema provocação por parte dos líderes é que se interessam pelo poder. Contudo, para certos homens a paixão do poder é uma força irresistível que desconhece qualquer compromisso, a não ser a própria lei do poder, e esses homens são dirigidos pela necessidade de exercer o poder sobre os outros.
(...) O príncipe é uma figura secundária em nossa anatomia da liderança na medida em que é melhor caracterizado como um “ambicioso” do poder e não como um grande “agitador” ou “incentivador”. Por essa razão, o príncipe de qualquer época é um indivíduo motivado para influenciar os outros, primeiro em benefício próprio e somente depois em vista das causas em que se identifica.
Nada confere maior estima ao príncipe do que os grandes feitos como prova de sua bravura. A execução de feitos monumentais mantém a opinião dos súditos incerta e perplexa, e ocupada em observar os resultados. (...) Em outras palavras, é aconselhável ao príncipe dar “algum exemplo monumental de sua grandeza”, sobretudo no que se refere à organização e administração interna.[2]
Como se observa por estas citações, Jennings procurou manter a linha de sua análise dentro o perfil que Maquiavel desenhou para o seu príncipe. Ele tenta trazer ao longo do capítulo, a discussão para dentro da empresa e das organizações, identificando as ações de muitos executivos com as características desenhadas por Maquiavel para o príncipe. Veremos na próxima parte um pouco do Herói.
Pão, Paz e Liberdade.
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[1] GOLEMAN, D., BOYATZIS, R., e McKEE, A. O Poder da Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
[2] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 28 a 41.
sábado, 15 de março de 2008
Temas interessantes e... importantes
Liderança (2)
Uma liderança baseada no comando e no controle está destinada ao fracasso. Ninguém é capaz de criar estabilidade suficiente para que as pessoas se sintam seguras. Ao contrário: o líder precisa ajudar as pessoas a se relacionarem com o caos e a incerteza. Mestres espirituais fazem isso. Os tempos nos levaram a um limiar espiritual. Se quisermos ser líderes bem-sucedidos nos tempos atuais, precisamos entrar no terreno das tradições espirituais. Margaret J. Wheatley (Liderança Espiritual).[1]
A tipologia para liderança estudada por Jennings toma por base três tipos de líderes ou personagens históricos, como sejam: o príncipe, o herói, e o super-homem, os quais foram os inspiradores dos trabalhos de Maquiavel, Carlyle e Nietzsche em marcantes obras que são clássicas para a política, a sociologia e a filosofia.
Considero também o trabalho de Jennings como um clássico do Management e da Administração, por isso, e por ser um livro que já não se conseguirá adquirir com facilidade nas livrarias ou sebos, vou compilar aqui alguns trechos para o leitor que não teve acesso a essa obra e, até mesmo para aqueles que já leram esta obra, possam fazer algumas reflexões subsidiárias para a sua aprendizagem.
O Grande Homem
"Nosso conceito moderno da liderança dificilmente se mantém por muito tempo. Acabamos, invariavelmente, sendo vítimas de um sem-número de dúvidas. Por exemplo: em que consiste a liderança; a liderança diz respeito a personalidade ou ao destino; no consistem as transformações sociais e o progresso? Se recorrermos aos estudos empíricos, a liderança não passa de um termo vago aplicado indiscriminadamente a uma grande variedade de atividades, tais como supervisor de recreio, presidente de uma sociedade ou de um clube, dirigente de uma empresa, ou líder político.
Caso admitamos, porém que os significados das palavras possuem uma história, verificaremos então que o termo liderança parece representar um conjunto de idéias que não pode ser empiricamente descrito nem facilmente estudado do ponto de vista funcional. Veremos então que a liderança é representada principalmente por uma atitude emocional, e até mesmo inconsciente, mais do que por uma atitude intelectual ou racional. Essa pode ser uma das razões porque a tentativa de analisar a liderança cientificamente não forneceu até agora uma doutrina de aceitação generalizada, tanto no que diz respeito ao significado do termo quanto à sua função.
A precursora de nossa doutrina atual da liderança é a teoria do grande homem. O termo liderança, por sua vez, é conhecido desde a antiguidade greco-latina e deriva do verbo agir. Arendt [2] sugere que os dois verbos gregos archein (começar, dirigir e por último governar) e prattein (atravessar, terminar, realizar) correspondem aos dois verbos latinos agere (por em movimento, conduzir) e gerere (cujo significado original era levar). Acreditava-se então que todas as ações eram divididas em duas partes, o início, feito por uma única pessoa, e o fim, realizado por outros que “levavam” e “terminavam” a obra. (...) Assim, o ato de iniciar ou principiar isola o indivíduo dos demais antes mesmo que encontre outros que se juntem a ele.
Contrariamente ao que acreditam muitos cientistas sociais, a liderança na antiguidade greco-latina não significava necessariamente a dependência dos adeptos aos chefes. Havia um grau de interdependência entre uns e outros, de forma semelhante à que ocorre hoje em dia.
Resumindo: Os líderes existem para que haja uma melhor organização, uma melhor adaptação, ou indivíduos mais excelentes. Eles são considerados essenciais na medida em que formulam teorias, princípios políticos e ideais que dão direção e caráter a uma época, sendo que a presença e a personalidade deles ajudam a definir a natureza da sociedade. A qualidade da contribuição deles é de tal ordem que transforma substancialmente a história" (JENNINGS, 1970, p.2-7)[3].
É interessante esta compilação porque através dela podemos perceber e refletir sobre os caminhos que levam à conceituação (histórica e atual) da liderança.
Pão, Paz e Liberdade
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[1] WHEATLEY, M. Liderança Espiritual. Executive Excellence. Rio de Janeiro: Qualitymark; visita Web em: 23/06/2007, http://www.qualitymark.com.br/excellence/excellence1.htm.
[2] Refere-se a Hannah ARENDT, filósofa e ao seu livro The Human Condition, editado em 1958 pela University of Chicago. Existe tradução para o português: São Paulo: Forense Universitária, s.d.
[3] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 2 a 7.
Uma liderança baseada no comando e no controle está destinada ao fracasso. Ninguém é capaz de criar estabilidade suficiente para que as pessoas se sintam seguras. Ao contrário: o líder precisa ajudar as pessoas a se relacionarem com o caos e a incerteza. Mestres espirituais fazem isso. Os tempos nos levaram a um limiar espiritual. Se quisermos ser líderes bem-sucedidos nos tempos atuais, precisamos entrar no terreno das tradições espirituais. Margaret J. Wheatley (Liderança Espiritual).[1]
A tipologia para liderança estudada por Jennings toma por base três tipos de líderes ou personagens históricos, como sejam: o príncipe, o herói, e o super-homem, os quais foram os inspiradores dos trabalhos de Maquiavel, Carlyle e Nietzsche em marcantes obras que são clássicas para a política, a sociologia e a filosofia.
Considero também o trabalho de Jennings como um clássico do Management e da Administração, por isso, e por ser um livro que já não se conseguirá adquirir com facilidade nas livrarias ou sebos, vou compilar aqui alguns trechos para o leitor que não teve acesso a essa obra e, até mesmo para aqueles que já leram esta obra, possam fazer algumas reflexões subsidiárias para a sua aprendizagem.
O Grande Homem
"Nosso conceito moderno da liderança dificilmente se mantém por muito tempo. Acabamos, invariavelmente, sendo vítimas de um sem-número de dúvidas. Por exemplo: em que consiste a liderança; a liderança diz respeito a personalidade ou ao destino; no consistem as transformações sociais e o progresso? Se recorrermos aos estudos empíricos, a liderança não passa de um termo vago aplicado indiscriminadamente a uma grande variedade de atividades, tais como supervisor de recreio, presidente de uma sociedade ou de um clube, dirigente de uma empresa, ou líder político.
Caso admitamos, porém que os significados das palavras possuem uma história, verificaremos então que o termo liderança parece representar um conjunto de idéias que não pode ser empiricamente descrito nem facilmente estudado do ponto de vista funcional. Veremos então que a liderança é representada principalmente por uma atitude emocional, e até mesmo inconsciente, mais do que por uma atitude intelectual ou racional. Essa pode ser uma das razões porque a tentativa de analisar a liderança cientificamente não forneceu até agora uma doutrina de aceitação generalizada, tanto no que diz respeito ao significado do termo quanto à sua função.
A precursora de nossa doutrina atual da liderança é a teoria do grande homem. O termo liderança, por sua vez, é conhecido desde a antiguidade greco-latina e deriva do verbo agir. Arendt [2] sugere que os dois verbos gregos archein (começar, dirigir e por último governar) e prattein (atravessar, terminar, realizar) correspondem aos dois verbos latinos agere (por em movimento, conduzir) e gerere (cujo significado original era levar). Acreditava-se então que todas as ações eram divididas em duas partes, o início, feito por uma única pessoa, e o fim, realizado por outros que “levavam” e “terminavam” a obra. (...) Assim, o ato de iniciar ou principiar isola o indivíduo dos demais antes mesmo que encontre outros que se juntem a ele.
Contrariamente ao que acreditam muitos cientistas sociais, a liderança na antiguidade greco-latina não significava necessariamente a dependência dos adeptos aos chefes. Havia um grau de interdependência entre uns e outros, de forma semelhante à que ocorre hoje em dia.
Resumindo: Os líderes existem para que haja uma melhor organização, uma melhor adaptação, ou indivíduos mais excelentes. Eles são considerados essenciais na medida em que formulam teorias, princípios políticos e ideais que dão direção e caráter a uma época, sendo que a presença e a personalidade deles ajudam a definir a natureza da sociedade. A qualidade da contribuição deles é de tal ordem que transforma substancialmente a história" (JENNINGS, 1970, p.2-7)[3].
É interessante esta compilação porque através dela podemos perceber e refletir sobre os caminhos que levam à conceituação (histórica e atual) da liderança.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Este Blog colabora com o II ENLLIJ (Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil da UESB), de 01 a 04/05/2008, Jequié - Bahia. Participe. Visite o site: www.celeitura.com.br/enllij
[1] WHEATLEY, M. Liderança Espiritual. Executive Excellence. Rio de Janeiro: Qualitymark; visita Web em: 23/06/2007, http://www.qualitymark.com.br/excellence/excellence1.htm.
[2] Refere-se a Hannah ARENDT, filósofa e ao seu livro The Human Condition, editado em 1958 pela University of Chicago. Existe tradução para o português: São Paulo: Forense Universitária, s.d.
[3] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 2 a 7.
domingo, 9 de março de 2008
Temas interessantes e... importantes
Liderança (1)
As grandes transformações na história de uma organização ou de uma sociedade decorrem geralmente dos esforços inovadores de alguns poucos indivíduos superiores. Por vezes, esses grandes homens são motivados por um profundo desejo de dominar os outros e pela necessidade de manter a qualquer custo este domínio. Outras vezes são possuídos por um sentido de missão a que dedicam inteiramente suas personalidades. Em outros casos ainda, são indivíduos que possuem reservas ilimitadas de energia e uma força de vontade férrea, o que lhes possibilita resistir aos valores e normas que a sociedade habitualmente instila nos indivíduos mais fracos. Eugene Emerson JENNINGS (1970, p. 1).[i]
Vamos discutir o último dos três temas escolhidos para esta série? Então caminhemos na direção da Liderança e começo com uma epigrafe colhida de um livro que me ajudou a enfrentar os ambientes industriais dos anos 70, bem como a compreender melhor o processo diretivo que emanava das culturas organizacionais que tive a oportunidade de conhecer.
Liderança. Segundo Jennings a sociedade humana não possui líderes, e a despeito disto é uma sociedade com uma organização bastante significativa. Estas duas característica: não possuir líderes e ser bem organizada, dos quais Jennings parte para discutir a liderança, representam dois momentos importantes para a conceituação ou mesmo discussão de um conceito de liderança.
Este tema possui um volume significativo de textos (livros, artigos, teses, dissertações e monografias) publicados e, certamente, eu não vou esgotar o assunto e nem tenho a pretensão de criar novas estruturas conceituais para substituir algumas que já são clássicas e, passados mais de trinta anos do trabalho de Jennings e outros autores, já podem não atender às necessidades atuais derivadas das transformações e mudanças políticas, econômicas, sociais, antropológicas, psicológicas por que tem passado as organizações e comunidades neste espaço planetário globalizado.
Vou apenas aproveitar esta oportunidade para elaborar laços que possam promover concatenações conceituais e contribuam para esclarecer ou agregar conhecimentos para os leitores. Isto porque gosto deste tema, em especial pelo fato de ser a liderança uma das características marcantes dos empreendedores.
Em sentido atual o estudo da liderança tem tomado como subsídio trabalhos e pesquisas relacionadas com inteligência emocional, inteligência espiritual, inteligência racional e inteligência material (física). Atualmente para se discutir ou escrever sobre liderança torna-se necessário um base transdisciplinar porque já não tem sentido mais os conhecimentos fragmentados que marcaram as modernidades culturais e científicas até o século passado.
Agora, com a idéia e a visão do Homem Integral podemos avançar os conhecimentos de liderança e perceber, por exemplo, que quando Jennings diz “Nossa sociedade não possui líderes...” ele provoca a competência emocional das pessoas no que se refere a aceitar ou identificar as suas capacidades de atuação como super-homens, como heróis e como príncipes (as tipologias que ele discute em seu livro) em suas organizações e sociedades. Assim, começamos esta discussão para o tema liderança e viajaremos por trabalhos como o Jennings e outros.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
[i] JENNINGS, E. E. Liderança, nas Organizações e na História. São Paulo: Brasiliense, 1970.
As grandes transformações na história de uma organização ou de uma sociedade decorrem geralmente dos esforços inovadores de alguns poucos indivíduos superiores. Por vezes, esses grandes homens são motivados por um profundo desejo de dominar os outros e pela necessidade de manter a qualquer custo este domínio. Outras vezes são possuídos por um sentido de missão a que dedicam inteiramente suas personalidades. Em outros casos ainda, são indivíduos que possuem reservas ilimitadas de energia e uma força de vontade férrea, o que lhes possibilita resistir aos valores e normas que a sociedade habitualmente instila nos indivíduos mais fracos. Eugene Emerson JENNINGS (1970, p. 1).[i]
Vamos discutir o último dos três temas escolhidos para esta série? Então caminhemos na direção da Liderança e começo com uma epigrafe colhida de um livro que me ajudou a enfrentar os ambientes industriais dos anos 70, bem como a compreender melhor o processo diretivo que emanava das culturas organizacionais que tive a oportunidade de conhecer.
Liderança. Segundo Jennings a sociedade humana não possui líderes, e a despeito disto é uma sociedade com uma organização bastante significativa. Estas duas característica: não possuir líderes e ser bem organizada, dos quais Jennings parte para discutir a liderança, representam dois momentos importantes para a conceituação ou mesmo discussão de um conceito de liderança.
Este tema possui um volume significativo de textos (livros, artigos, teses, dissertações e monografias) publicados e, certamente, eu não vou esgotar o assunto e nem tenho a pretensão de criar novas estruturas conceituais para substituir algumas que já são clássicas e, passados mais de trinta anos do trabalho de Jennings e outros autores, já podem não atender às necessidades atuais derivadas das transformações e mudanças políticas, econômicas, sociais, antropológicas, psicológicas por que tem passado as organizações e comunidades neste espaço planetário globalizado.
Vou apenas aproveitar esta oportunidade para elaborar laços que possam promover concatenações conceituais e contribuam para esclarecer ou agregar conhecimentos para os leitores. Isto porque gosto deste tema, em especial pelo fato de ser a liderança uma das características marcantes dos empreendedores.
Em sentido atual o estudo da liderança tem tomado como subsídio trabalhos e pesquisas relacionadas com inteligência emocional, inteligência espiritual, inteligência racional e inteligência material (física). Atualmente para se discutir ou escrever sobre liderança torna-se necessário um base transdisciplinar porque já não tem sentido mais os conhecimentos fragmentados que marcaram as modernidades culturais e científicas até o século passado.
Agora, com a idéia e a visão do Homem Integral podemos avançar os conhecimentos de liderança e perceber, por exemplo, que quando Jennings diz “Nossa sociedade não possui líderes...” ele provoca a competência emocional das pessoas no que se refere a aceitar ou identificar as suas capacidades de atuação como super-homens, como heróis e como príncipes (as tipologias que ele discute em seu livro) em suas organizações e sociedades. Assim, começamos esta discussão para o tema liderança e viajaremos por trabalhos como o Jennings e outros.
Pão, Paz e Liberdade
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[i] JENNINGS, E. E. Liderança, nas Organizações e na História. São Paulo: Brasiliense, 1970.
sábado, 1 de março de 2008
Intervalo para Meditação e Reflexão
LEITURA CONTEMPLATIVA (3)
Muitas vezes negligenciamos alguns temas que, de certa forma, seriam capazes de nos ajudar a dar um salto para frente. Contudo, existem uns poucos indivíduos perspicazes que, mesmo sem terem os conhecimentos acadêmicos ou técnicos que temos, são capazes de utilizar de forma produtiva e criativa ações e atividades que, para muitos, não são percebidas ou mesmo sentidas.
Transcrevo aqui alguns trechos que coletei de textos que li e que considero importantes para fazermos algumas reflexões criadoras. As citações tratam de disciplina, energia, liderança, criatividade, geração de negócios e foram extraídos de Harmon e Jacobs (1992)[1].
Os fundadores de companhias bem-sucedidas raramente são pessoas de talentos excepcionais. Mas são quase sempre pessoas que trabalham muito duro e conseguem inspirar outras pessoas a trabalharem duro também. Eles possuem uma visão muito aguçada, são altamente disciplinados e dirigem todas as suas energias para dar vida a algo maior do que eles mesmos. (HARMON e JACOBS, 1992, p.39. Grifos acrescentados).
E mais, Criatividade, realização e sucesso duradouro estão associados a altos níveis de energia. Indivíduos e empresas bem-sucedidos são capazes, de algum modo, de liberar, mobilizar, aproveitar e controlar essas energias através da força de vontade e autodisciplina, e canaliza-las para um trabalho produtivo e cuidadosamente executado. (HARMON e JACOBS, 1992, p.39).
Os cases que são utilizados por Harmon e Jacobs para ilustrar o livro são exemplos de como pessoas com firmeza e energia conseguem ter sucesso sem ser, aparentemente, pessoas de destaque ou que apresentam grandes talentos, até mesmo para negócios, mas se destacam pela criatividade intensa que transborda de suas ações e da qualidade de energia para colocá-las em atividade. A título de meditação e reflexão, compilo aqui um texto no qual estes autores apresentam suas idéias sobre personalidade corporativa:
Personalidades individuais e corporativas são constituídas quase da mesma maneira. Ambas são forças vivas caracterizadas por energia e direção. Os rumos do indivíduo são determinados pelos valores dominantes, motivos e objetivos que constituem o centro da personalidade que os psicólogos chamam de ego ou psique. Toda corporação também tem o seu centro psíquico, que consiste de crenças, valores, missão, atitudes e objetivos que determinam seus rumos a longo prazo e objetivos a curto prazo. (...) Seus sistemas, como os traços de temperamento no indivíduo, são os canais através dos quais as energias fluem, e os meios habituais pelos quais a organização reage a situações adversas. Suas potencialidades são os meios através dos quais ela aperfeiçoa as energias em ações bem calculadas e precisas. Todos estes elementos juntos – crenças, valores, missão, atitudes, objetivos, estrutura, autoridade, sistemas e habilidades – são componentes da personalidade corporativa, que também possui um corpo físico constituído de instalações, maquinário e outros recursos à sua disposição. (Op. Cit. p.46).
Continuarei com Temas Interessantes... e importantes concluindo com o tema Liderança.
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[1] HARMON, F. G. e JACOBS G. A Diferença Vital. São Paulo: Maltese, 1992.
Muitas vezes negligenciamos alguns temas que, de certa forma, seriam capazes de nos ajudar a dar um salto para frente. Contudo, existem uns poucos indivíduos perspicazes que, mesmo sem terem os conhecimentos acadêmicos ou técnicos que temos, são capazes de utilizar de forma produtiva e criativa ações e atividades que, para muitos, não são percebidas ou mesmo sentidas.
Transcrevo aqui alguns trechos que coletei de textos que li e que considero importantes para fazermos algumas reflexões criadoras. As citações tratam de disciplina, energia, liderança, criatividade, geração de negócios e foram extraídos de Harmon e Jacobs (1992)[1].
Os fundadores de companhias bem-sucedidas raramente são pessoas de talentos excepcionais. Mas são quase sempre pessoas que trabalham muito duro e conseguem inspirar outras pessoas a trabalharem duro também. Eles possuem uma visão muito aguçada, são altamente disciplinados e dirigem todas as suas energias para dar vida a algo maior do que eles mesmos. (HARMON e JACOBS, 1992, p.39. Grifos acrescentados).
E mais, Criatividade, realização e sucesso duradouro estão associados a altos níveis de energia. Indivíduos e empresas bem-sucedidos são capazes, de algum modo, de liberar, mobilizar, aproveitar e controlar essas energias através da força de vontade e autodisciplina, e canaliza-las para um trabalho produtivo e cuidadosamente executado. (HARMON e JACOBS, 1992, p.39).
Os cases que são utilizados por Harmon e Jacobs para ilustrar o livro são exemplos de como pessoas com firmeza e energia conseguem ter sucesso sem ser, aparentemente, pessoas de destaque ou que apresentam grandes talentos, até mesmo para negócios, mas se destacam pela criatividade intensa que transborda de suas ações e da qualidade de energia para colocá-las em atividade. A título de meditação e reflexão, compilo aqui um texto no qual estes autores apresentam suas idéias sobre personalidade corporativa:
Personalidades individuais e corporativas são constituídas quase da mesma maneira. Ambas são forças vivas caracterizadas por energia e direção. Os rumos do indivíduo são determinados pelos valores dominantes, motivos e objetivos que constituem o centro da personalidade que os psicólogos chamam de ego ou psique. Toda corporação também tem o seu centro psíquico, que consiste de crenças, valores, missão, atitudes e objetivos que determinam seus rumos a longo prazo e objetivos a curto prazo. (...) Seus sistemas, como os traços de temperamento no indivíduo, são os canais através dos quais as energias fluem, e os meios habituais pelos quais a organização reage a situações adversas. Suas potencialidades são os meios através dos quais ela aperfeiçoa as energias em ações bem calculadas e precisas. Todos estes elementos juntos – crenças, valores, missão, atitudes, objetivos, estrutura, autoridade, sistemas e habilidades – são componentes da personalidade corporativa, que também possui um corpo físico constituído de instalações, maquinário e outros recursos à sua disposição. (Op. Cit. p.46).
Continuarei com Temas Interessantes... e importantes concluindo com o tema Liderança.
Pão, Paz e Liberdade
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Este Blog colabora com o II ENLLIJ (Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil da UESB), de 01 a 04/05/2008, Jequié - Bahia. Participe. Visite o site: www.celeitura.com.br/enllij
[1] HARMON, F. G. e JACOBS G. A Diferença Vital. São Paulo: Maltese, 1992.
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