LISTA DE AUTORES CITADOS
A lista está na ordem em que aparecem as citações em cada artigo. Ela cobre apenas os artigos que apareceram em: "Temas Interessantes e... Importantes". O leitor interessado em ler ou reler os artigos relacinados a algumas das citações pode recorrer ao arquivo que está na aba esquerda da página. Estou apresentando esta lista porque a partir da próxima semana estarei trabalhando outra temática com artigos e temas variados, porém todos endereçados aos nossos projetos de Desenvolvimento de Sistemas Humanos. Outro fato interessante para esta listagem é que ela permite aos colegas interagirem com textos diversos que podem servir para consulta ou mesmo fundamentar trabalhos para os cursos de graduação e pós-graduação. Alguns artigos desta lista talvez não sejam facilmente encontrados. Neste caso tente através do Google ou me envie mensagem para que os remeta em anexo.
Convido os leitores a visitarem o Blog http://blogs.universia.com.br/dialogos no qual trabalho com temas variados e inclusive textos e comentários que os estudantes, colegas e profissionais me enviem ou façam sobre os artigos publicados. Esta é uma forma de tornar o Blog não uma página para meros recados e, sim, uma página na qual haja interação e diálogo, por que não? uma página mais científica e mais criativa. Pretendo sair de uma posição meramente mecânica de uso da Internet para uma posição holística e integral. Mas, para que isto ocorra, também é preciso que o leitor esteja atuando de forma não mecanicista, não cartesiana, portanto, interagindo, estando presente no texto e no contexto, agindo como um ser integral ou nas palavras de meu amigo Geraldo Caravantes, como um Ser Total.
KRISHNAMURTI, J. O prazer da cooperação. In, SOPHIA, ano 5, n.20, 2007. Publicação da Editora Teosófica, Brasília.
TULKU, Tarthang. O Caminho da Habilidade. São Paulo: Cultrix, 1995.
SARKAR, P. R. Democracia Econômica. Teoria da Utilização Progressiva. São Paulo: Ananda Marga, 1996.
SARAYDARIAN, T. A Psicologia da Cooperação e Consciência Grupal. São Paulo: Aquariana, 1990.
PROUDHON, P.-J. O que é a propriedade?. Lisboa: Editorial Estampa, 1975.
SILVA, J. M. Seja Empreendedor... Além de Ser Empresário (Título provisório). Itabuna: ViaLitterarum, no prelo.
CUNNIGHAN, J. Barton e LISCHERON, Joe. Definindo Entrepreneurship. West Virginia, Morantown: Journal of Small Business Management, v.29, n.1, Janeiro 1991. Tradução de J. M. Silva, publicada em: Cadernos de Ciências Sociais Aplicadas, Vitória da Conquista: UESB, n.1, v.1, 1996.
FILION, L. J. Do Empreendedorismo à Empreendedologia. Montreal: Journal of Enterprising Culture, v.6, 1998. Tradução e adaptação Jovino Moreira da Silva, M. Sc. Vitória da Conquista: UESB. http://www.uesb.br/sheng/, 2000.
NÓBREGA, Clemente. Joseph Schumpeter. O profeta da inovação. Artigo publicado na revista Época Negócios. Site: http://www.sitedoempreendedor.com.br/entrevistas.php?acao=exibir&id=100. Visita em 19/01/2008.
SILVA, J. M. da. L.I.D.E.R. Idéias e Projetos. Perspectivas Empreendedoriais e Desenvolvimento de Negócios. Em fase de conclusão. 2008.
GEM – Global Entrepreneuship Monitor. Site: http://www.gemconsortium.org/
HOFSTEDE, Geert. Culture and Management Development. Genebra: UNDP/ILO Interregional Project. Co-operation among management development institutions, Discussion paper, 1983. Ver também o site http://geert-hofstede.international-business-center.com/mcsweeney.shtml
GASCIA, Jorge. Entrevista. Revista Época Negócios,
FILION, L J. O planejamento de seu sistema de aprendizagem empresarial: identifique uma visão e avalile o seu sistema de relações. Revista de Administração de Empresas, SãoPaulo, 31(3):63-71, Jul/Set 1991.
JENNINGS, E. E. Liderança, nas Organizações e na História. São Paulo: Brasiliense, 1970.
WHEATLEY, M. Liderança Espiritual. Executive Excellence. Rio de Janeiro: Qualitymark; visita Web em: 23/06/2007, http://www.qualitymark.com.br/excellence/excellence1.htm.
Refere-se a Hannah ARENDT, filósofa e ao seu livro The Human Condition, editado em 1958 pela University of Chicago. Existe tradução para o português: A Condição Humana. São Paulo: Forense Universitária, s.d.
JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 2 a 7.
GOLEMAN, D., BOYATZIS, R., e McKEE, A. O Poder da Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 28 a 41.
SELZNICK, P. A liderança na administração; uma interpretação sociológica. Rio de Janeiro: FGV, 1971.
JENNINGS, E. Op. Cit. páginas 57 a 64.
CHIBBER, M. L. Krishna e a Arte de Liderar. São Paulo: MADRAS, 2003.
JENNINGS, E. Op. Cit. páginas: 106-126
RENESCH, J. Liderança para uma nova era. São Paulo: Cultrix, 1999.
WHEATLEY, M. Liderança e a Nova Ciência. São Paulo: Cultrix, 2002.
CARAVANTES, G. R. O Ser Total. Porto Alegre: AGE, 2002
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Este Blog colabora com o II ENLLIJ (Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil da UESB), de 01 a 04/05/2008, Jequié - Bahia. Participe. Visite o site: www.celeitura.com.br/enllij
sábado, 26 de abril de 2008
domingo, 20 de abril de 2008
DIÁLOGOS PARA O FUTURO
“A Atualidade da Utopia”[i]
Todo ser humano e toda e toda sociedade humana produziram uma representação do mundo que lhe confere significação. A imaginação simbólica busca representar para si antes de mais nada o ausente, o imperceptível, o indescritível. Mais ou menos arbitrárias, estas representações simbólicas que calcam sua existência nas relações com o mundo vão participar da construção deste universo de significações inerentes ao ser humano. J.-F. CHANLAT (1996, p.30)[ii].
Como indiquei na postagem anterior que inicia estes Diálogos, hoje vou conversar um pouco com dois filósofos que discutem um tema muito interessante para o futuro: A Utopia. Qual o conceito que temos sobre Utopia? A Utopia é o Presente ou será o Futuro? Questões como estas sempre afloram à nossa mente quando nos defrontamos com este tema. Seguem-se alguns trechos de um diálogo entre Chatelet e Lapouge que trata deste assunto.
Gilles Lapouge: Por toda a parte se fala de utopia. Há, por um lado, uma forma extremamente séria de falar da utopia, em especial no plano dos editores: voltou a publicar-se Fourier, encontraram-se texto seus que não eram conhecidos; depois Cabet, Campanella, William Morris, entre outros. Deste ponto de vista, a utopia é considerada de maneira séria. (...) Uma sociedade utópica seria uma sociedade em que se conciliassem todos os desejos, uma sociedade do paraíso terrestre, etc. Quanto a mim, penso que esta acepção é totalmente falsa... É precisamente o contrário da utopia. (...) A utopia, como Platão e More a conceberam, é um sistema extraordinariamente rigoroso, duro, autoritário. Quando se pensa hoje em dia na utopia, concebe-se pelo contrário um laxismo absoluto, uma liberdade total, desejos constantemente satisfeitos.
François Chatelet: Na realidade, há dois elementos. Por um lado, na utopia existe uma vontade racionalista. Mas este projeto de racionalização baseia-se no desejo e no imaginário Os dois elementos se interpenetram. E há outro aspecto: o da inversão da idéia de utopia. Aquilo que surgia como instância libertadora, por exemplo, para Platão ou para Thomas More, surge atualmente, entre nossos utopistas modernos, como uma descrição do horroroso.
GL: Nos períodos clássicos, na Grécia ou no Ocidente moderno, a utopia era o sistema político e social ideal, aquele que era cobiçado e desejado. (...) Não foi a utopia que mudou mas sim a sociedade que a segrega ou a contempla; e se, em última análise, os grandes textos utópicos contemporâneos nos atemorizam, isso deve-se talvez muito simplesmente ao fato de o mundo contemporâneo se estar a tornar, sob certos aspectos, uma espécie de utopia, um mundo extremamente racionalizado, um mundo pouco humano. (...) Talvez a alteração total da palavra utopia provenha disto.
FC: Essa idéia é determinante. Todavia, eu explico o interesse pela utopia devido a duas outras causas, que de resto talvez não sejam contraditórias com aquelas que acaba de apontar. Temos que recuar até Maio de 68. Havia uma fórmula maravilhosa nas paredes da Sorbone ou no Quartier Latin e felizmente, pouco depois, por toda a cidade de Paris: “Sob o pavimento, a praia”. Fórmula utópica formidável! Os paralelepípedos são a ordem; a evocação da natureza, do prazer e do sol é a utopia.
GL: Esta frase de Maio de 68 “Sob o pavimento, a praia”, está a considerá-la relativamente à utopia, a contrário. Eu creio que a utopia é o pavimento e que a contra-utopia é a praia, enquanto você parece dizer o contrário. (...) Há um homem que compreendeu isto muito bem, foi Dostoievsky. Dostoievsky foi utopista e fazia parte duma pequena equipe de jovens revolucionários que liam, sobretudo, muito Fourier e também Cabet, assim como os utopistas franceses da época, Proudhon, etc.
FC: Por mim faria outra proposta, para nos entendermos nesta discussão: distinguiria a utopia, como doutrina, do utopismo que é uma vontade de ultrapassar o passado, o presente e o futuro prometido pelo presente, em nome do imaginário.
GL: Por mim diria utopismo, contra-utopismo.
FC: No que se refere à segunda raiz do utopismo – ou do contra-utopismo – raiz que não é tão política como a primeira que apontei, ou seja, uma certa forma de decepção perante a racionalização da economia, pode dizer-se que a sua contrapartida intelectual é o fato de desejo e prazer terem voltado à cena.
GL: Se regressarmos aos utopistas, aos utopistas de estrita obediência, isto é, aqueles que são estudados em filosofia como utopistas (Platão, Hipoddamus de Mileto, Thomas More, Campanella, Francis Bacon, Cabet, etc.), veremos que falam do prazer e do desejo, mas duma forma que é o constrangimento do desejo.
FC: A descrição da sexualidade na Callipolis platônica é efetivamente atroz.
GL: Já definimos mais ou menos a palavra utopia e o seu estatuto. (...) Se estamos de acordo quanto a isto, seria agora interessante saber qual é a raiz da utopia, ou seja, por que motivo há homens que, um belo dia, apóiam a cabeça nas mãos e dizem: a sociedade tal como a conhecemos não é formidável e vamos construir outra coisa. Que motivação faz nascer o criador de utopia?
FC: Organizações utópicas podem ter uma ação determinante em certas condições históricas. Não se pode fazer um juízo de conjunto sobre a prática utópica.
GL: Não se deve de forma nenhuma pensar que o espírito utópico é obrigatoriamente um espírito do passado... (...) A utopia seria antes a flutuação para além do tempo. (...) É neste sentido que se aplica a palavra ucronia, ucronia relativamente não apenas ao tempo real, mas também ao tempo em geral.
Deste longo debate alguma coisa importante ficou para que nós tenhamos muitos diálogos para o futuro, sobre como lidar com as novas utopias que nos esperam. A partir de hoje estarei escrevendo os Diálogos para o Futuro em outro Blog e espero por vocês para visitar a nova página: http://blogs.universia.com.br/dialogos. Voltarei a tratar neste Blog apens de temas relacionados com Administração, Desenvolvimento Humano, Empreendedorismo, etc.
Pão, Paz e Liberdade.
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[i] CHATELET, F. e LAPOUGE, G. A Atualidade da Utopia. In, BARTHES, R. et al. A Crise da Sociedade Contemporânea. Lisboa: Edições 70, 1974.
[ii] CHANLAT, Jean-François (Coord.). O Indivíduo na Organização. Dimensões Esquecidas. São Paulo: Atlas, 1996. V. I.
Todo ser humano e toda e toda sociedade humana produziram uma representação do mundo que lhe confere significação. A imaginação simbólica busca representar para si antes de mais nada o ausente, o imperceptível, o indescritível. Mais ou menos arbitrárias, estas representações simbólicas que calcam sua existência nas relações com o mundo vão participar da construção deste universo de significações inerentes ao ser humano. J.-F. CHANLAT (1996, p.30)[ii].
Como indiquei na postagem anterior que inicia estes Diálogos, hoje vou conversar um pouco com dois filósofos que discutem um tema muito interessante para o futuro: A Utopia. Qual o conceito que temos sobre Utopia? A Utopia é o Presente ou será o Futuro? Questões como estas sempre afloram à nossa mente quando nos defrontamos com este tema. Seguem-se alguns trechos de um diálogo entre Chatelet e Lapouge que trata deste assunto.
Gilles Lapouge: Por toda a parte se fala de utopia. Há, por um lado, uma forma extremamente séria de falar da utopia, em especial no plano dos editores: voltou a publicar-se Fourier, encontraram-se texto seus que não eram conhecidos; depois Cabet, Campanella, William Morris, entre outros. Deste ponto de vista, a utopia é considerada de maneira séria. (...) Uma sociedade utópica seria uma sociedade em que se conciliassem todos os desejos, uma sociedade do paraíso terrestre, etc. Quanto a mim, penso que esta acepção é totalmente falsa... É precisamente o contrário da utopia. (...) A utopia, como Platão e More a conceberam, é um sistema extraordinariamente rigoroso, duro, autoritário. Quando se pensa hoje em dia na utopia, concebe-se pelo contrário um laxismo absoluto, uma liberdade total, desejos constantemente satisfeitos.
François Chatelet: Na realidade, há dois elementos. Por um lado, na utopia existe uma vontade racionalista. Mas este projeto de racionalização baseia-se no desejo e no imaginário Os dois elementos se interpenetram. E há outro aspecto: o da inversão da idéia de utopia. Aquilo que surgia como instância libertadora, por exemplo, para Platão ou para Thomas More, surge atualmente, entre nossos utopistas modernos, como uma descrição do horroroso.
GL: Nos períodos clássicos, na Grécia ou no Ocidente moderno, a utopia era o sistema político e social ideal, aquele que era cobiçado e desejado. (...) Não foi a utopia que mudou mas sim a sociedade que a segrega ou a contempla; e se, em última análise, os grandes textos utópicos contemporâneos nos atemorizam, isso deve-se talvez muito simplesmente ao fato de o mundo contemporâneo se estar a tornar, sob certos aspectos, uma espécie de utopia, um mundo extremamente racionalizado, um mundo pouco humano. (...) Talvez a alteração total da palavra utopia provenha disto.
FC: Essa idéia é determinante. Todavia, eu explico o interesse pela utopia devido a duas outras causas, que de resto talvez não sejam contraditórias com aquelas que acaba de apontar. Temos que recuar até Maio de 68. Havia uma fórmula maravilhosa nas paredes da Sorbone ou no Quartier Latin e felizmente, pouco depois, por toda a cidade de Paris: “Sob o pavimento, a praia”. Fórmula utópica formidável! Os paralelepípedos são a ordem; a evocação da natureza, do prazer e do sol é a utopia.
GL: Esta frase de Maio de 68 “Sob o pavimento, a praia”, está a considerá-la relativamente à utopia, a contrário. Eu creio que a utopia é o pavimento e que a contra-utopia é a praia, enquanto você parece dizer o contrário. (...) Há um homem que compreendeu isto muito bem, foi Dostoievsky. Dostoievsky foi utopista e fazia parte duma pequena equipe de jovens revolucionários que liam, sobretudo, muito Fourier e também Cabet, assim como os utopistas franceses da época, Proudhon, etc.
FC: Por mim faria outra proposta, para nos entendermos nesta discussão: distinguiria a utopia, como doutrina, do utopismo que é uma vontade de ultrapassar o passado, o presente e o futuro prometido pelo presente, em nome do imaginário.
GL: Por mim diria utopismo, contra-utopismo.
FC: No que se refere à segunda raiz do utopismo – ou do contra-utopismo – raiz que não é tão política como a primeira que apontei, ou seja, uma certa forma de decepção perante a racionalização da economia, pode dizer-se que a sua contrapartida intelectual é o fato de desejo e prazer terem voltado à cena.
GL: Se regressarmos aos utopistas, aos utopistas de estrita obediência, isto é, aqueles que são estudados em filosofia como utopistas (Platão, Hipoddamus de Mileto, Thomas More, Campanella, Francis Bacon, Cabet, etc.), veremos que falam do prazer e do desejo, mas duma forma que é o constrangimento do desejo.
FC: A descrição da sexualidade na Callipolis platônica é efetivamente atroz.
GL: Já definimos mais ou menos a palavra utopia e o seu estatuto. (...) Se estamos de acordo quanto a isto, seria agora interessante saber qual é a raiz da utopia, ou seja, por que motivo há homens que, um belo dia, apóiam a cabeça nas mãos e dizem: a sociedade tal como a conhecemos não é formidável e vamos construir outra coisa. Que motivação faz nascer o criador de utopia?
FC: Organizações utópicas podem ter uma ação determinante em certas condições históricas. Não se pode fazer um juízo de conjunto sobre a prática utópica.
GL: Não se deve de forma nenhuma pensar que o espírito utópico é obrigatoriamente um espírito do passado... (...) A utopia seria antes a flutuação para além do tempo. (...) É neste sentido que se aplica a palavra ucronia, ucronia relativamente não apenas ao tempo real, mas também ao tempo em geral.
Deste longo debate alguma coisa importante ficou para que nós tenhamos muitos diálogos para o futuro, sobre como lidar com as novas utopias que nos esperam. A partir de hoje estarei escrevendo os Diálogos para o Futuro em outro Blog e espero por vocês para visitar a nova página: http://blogs.universia.com.br/dialogos. Voltarei a tratar neste Blog apens de temas relacionados com Administração, Desenvolvimento Humano, Empreendedorismo, etc.
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
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[i] CHATELET, F. e LAPOUGE, G. A Atualidade da Utopia. In, BARTHES, R. et al. A Crise da Sociedade Contemporânea. Lisboa: Edições 70, 1974.
[ii] CHANLAT, Jean-François (Coord.). O Indivíduo na Organização. Dimensões Esquecidas. São Paulo: Atlas, 1996. V. I.
domingo, 13 de abril de 2008
DIÁLOGOS PARA O FUTURO
Sobre “A Crise da Sociedade Contemporânea” [i]
Se concentrarmos a atenção não no contraste entre a evolução e a revolução, mas no conteúdo das modificações em si, veremos que todos os Estados altamente industrializados estão hoje no curso de uma transformação. Sofrem todos o mesmo deslocamento de sua existência normal e o fato de que alguns evidenciam sintomas óbvios de crise e outros experimentam modificações semelhante em ritmo menos intenso sob o manto da paz social, deve-se simplesmente a uma distribuição irregular da pressão nos diferentes Estados, e à existência de maiores recursos intelectuais e materiais em certos países. (K. Mannheim, 1962)[ii]
No final da década de 70 do século passado tive a oportunidade de ler um pequeno livro que tinha o título que é tema deste artigo, o qual era composto por diálogos entre filósofos e sociólogos franceses que se envolveram direta ou indiretamente com o movimento que ficou conhecido por “Maio de 68”. O livro tinha como prefaciador Roland Barthes.
Por se tratar de uma publicação com mais de trinta anos de existência é possível que não haja novas edições (e desconheço tais) do original traduzido e publicado em Portugal. Relendo alguns dos diálogos bem como o prefácio escrito por Barthes, além de recordar momentos que vivi a mais de trinta anos atrás, pude sentir a contemporaneidade das palavras de Barthes e de outros filósofos e sociólogos que participaram desses diálogos.
Diante de tão interessante reencontro com idéias de ontem, associando-o aos fatos vividos hoje, aproveito este momento para passar aos estudantes, colegas, amigos e demais leitores que prestigiam este espaço, alguns trechos e comentários sobre “A Crise da Sociedade Contemporânea”.
Para começo abro um diálogo para o futuro com Roland Barthes e tento extrair de suas brilhantes palavras algumas informações que, certamente, irão soar de modo estranho ao ouvido dos jovens que não o conhecem ou pouco o conhecem. Talvez este prefácio seja desconhecido de alguns estudantes e profissionais, os quais, até conheçam algumas obras deste pensador de O Rumor da Língua[iii] e poderão me ajudar a ampliar minhas idéias através deste espaço.
Já no inicio do Prefácio ao se referir à relação entre o escritor, a palavra escrita e a publicação do texto Barthes é de uma maestria impressionante. Em determinado momento ele diz: A nossa palavra, tal como uma múmia, é embalsamada para se tornar eterna. E logo se segue como que uma explicação ou justificativa de tão firme assertiva, como se o leitor o estivesse interrogando: Porque é necessário que duremos um pouco mais do que a nossa voz; é necessário, através da escrita, inscrevermo-nos em qualquer parte. (BARTHES, 1974, p.11).
A palavra é o instrumento-chave de um diálogo e, como afirma Barthes,
a palavra é sempre tática; mas, ao passar a escrito, é a própria inocência desta tática – perceptível para quem sabe ouvir como outros sabem ler – que eliminamos; a inocência encontra-se sempre exposta; reescrevendo o que dissemos, protegemo-nos, vigiamo-nos, autocensuramo-nos, riscamos as nossas tolices, as nossas suficiências (ou as nossas insuficiências), flutuações, ignorâncias, complacências, por vezes mesmo as nossas falhas (...), enfim, toda a poalha do nosso imaginário, o jogo pessoal do nosso eu; a palavra é perigosa porque é imediata e não se reabsorve (a menos que seja suplementada por uma revisão explícita); (...) escrevendo o que dissemos, perdemos (ou ganhamos) tudo aquilo que separa a histeria da paranóia. (BARTHES, 1974, p.12).
E quando transcrita, a palavra muda evidentemente de destinatário e, portanto também de sujeito, pois não há sujeito sem o Outro. Ainda que o corpo esteja sempre presente (não há linguagem sem corpo), deixa de coincidir com a pessoa, ou melhor, ainda: com a personalidade. O imaginário do narrador troca de espaço: não se trata já de procura, de apelo, não se trata já de um jogo de contatos; trata-se de representar, de instalar um descontínuo articulado, ou seja, de fato, uma argumentação. (BARTHES, 1974, p.14).
Este Prefácio é tão interessante que poderia continuar lendo, interpretando e transcrevendo “sem censura” ao longo deste artigo. Contudo, estou apenas começando mais um texto, com o qual procuro construir uma espécie de Diálogo para o Futuro com base, inicialmente, nos diálogos contidos neste livro e em outros que estou relendo.
Logo apreciaremos (eu e o leitor) um pouco da conversa entre Gilles Lapouge e François Chatelet e outros filósofos no interessante capítulo A Atualidade da Utopia. E, como disse Barthes (1988, p.92), A palavra é irreversível, tal é a sua fatalidade. Não se pode retomar o que foi dito, a não ser que se aumente: corrigir é, nesse caso, estranhamente acrescentar. Até a próxima semana.
Pão, Paz e Liberdade.
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[i] BARTHES, Roland et al. A Crise da Sociedade Contemporânea. Lisboa: Edições 70, 1974.
[ii] MANNHEIM, Karl. O Homem e a Sociedade. Rio de Janeiro: ZAHAR, 1962.
[iii] BARTHES, Roland. O Rumor da Língua. São Paulo: Brasiliense, 1988.
Se concentrarmos a atenção não no contraste entre a evolução e a revolução, mas no conteúdo das modificações em si, veremos que todos os Estados altamente industrializados estão hoje no curso de uma transformação. Sofrem todos o mesmo deslocamento de sua existência normal e o fato de que alguns evidenciam sintomas óbvios de crise e outros experimentam modificações semelhante em ritmo menos intenso sob o manto da paz social, deve-se simplesmente a uma distribuição irregular da pressão nos diferentes Estados, e à existência de maiores recursos intelectuais e materiais em certos países. (K. Mannheim, 1962)[ii]
No final da década de 70 do século passado tive a oportunidade de ler um pequeno livro que tinha o título que é tema deste artigo, o qual era composto por diálogos entre filósofos e sociólogos franceses que se envolveram direta ou indiretamente com o movimento que ficou conhecido por “Maio de 68”. O livro tinha como prefaciador Roland Barthes.
Por se tratar de uma publicação com mais de trinta anos de existência é possível que não haja novas edições (e desconheço tais) do original traduzido e publicado em Portugal. Relendo alguns dos diálogos bem como o prefácio escrito por Barthes, além de recordar momentos que vivi a mais de trinta anos atrás, pude sentir a contemporaneidade das palavras de Barthes e de outros filósofos e sociólogos que participaram desses diálogos.
Diante de tão interessante reencontro com idéias de ontem, associando-o aos fatos vividos hoje, aproveito este momento para passar aos estudantes, colegas, amigos e demais leitores que prestigiam este espaço, alguns trechos e comentários sobre “A Crise da Sociedade Contemporânea”.
Para começo abro um diálogo para o futuro com Roland Barthes e tento extrair de suas brilhantes palavras algumas informações que, certamente, irão soar de modo estranho ao ouvido dos jovens que não o conhecem ou pouco o conhecem. Talvez este prefácio seja desconhecido de alguns estudantes e profissionais, os quais, até conheçam algumas obras deste pensador de O Rumor da Língua[iii] e poderão me ajudar a ampliar minhas idéias através deste espaço.
Já no inicio do Prefácio ao se referir à relação entre o escritor, a palavra escrita e a publicação do texto Barthes é de uma maestria impressionante. Em determinado momento ele diz: A nossa palavra, tal como uma múmia, é embalsamada para se tornar eterna. E logo se segue como que uma explicação ou justificativa de tão firme assertiva, como se o leitor o estivesse interrogando: Porque é necessário que duremos um pouco mais do que a nossa voz; é necessário, através da escrita, inscrevermo-nos em qualquer parte. (BARTHES, 1974, p.11).
A palavra é o instrumento-chave de um diálogo e, como afirma Barthes,
a palavra é sempre tática; mas, ao passar a escrito, é a própria inocência desta tática – perceptível para quem sabe ouvir como outros sabem ler – que eliminamos; a inocência encontra-se sempre exposta; reescrevendo o que dissemos, protegemo-nos, vigiamo-nos, autocensuramo-nos, riscamos as nossas tolices, as nossas suficiências (ou as nossas insuficiências), flutuações, ignorâncias, complacências, por vezes mesmo as nossas falhas (...), enfim, toda a poalha do nosso imaginário, o jogo pessoal do nosso eu; a palavra é perigosa porque é imediata e não se reabsorve (a menos que seja suplementada por uma revisão explícita); (...) escrevendo o que dissemos, perdemos (ou ganhamos) tudo aquilo que separa a histeria da paranóia. (BARTHES, 1974, p.12).
E quando transcrita, a palavra muda evidentemente de destinatário e, portanto também de sujeito, pois não há sujeito sem o Outro. Ainda que o corpo esteja sempre presente (não há linguagem sem corpo), deixa de coincidir com a pessoa, ou melhor, ainda: com a personalidade. O imaginário do narrador troca de espaço: não se trata já de procura, de apelo, não se trata já de um jogo de contatos; trata-se de representar, de instalar um descontínuo articulado, ou seja, de fato, uma argumentação. (BARTHES, 1974, p.14).
Este Prefácio é tão interessante que poderia continuar lendo, interpretando e transcrevendo “sem censura” ao longo deste artigo. Contudo, estou apenas começando mais um texto, com o qual procuro construir uma espécie de Diálogo para o Futuro com base, inicialmente, nos diálogos contidos neste livro e em outros que estou relendo.
Logo apreciaremos (eu e o leitor) um pouco da conversa entre Gilles Lapouge e François Chatelet e outros filósofos no interessante capítulo A Atualidade da Utopia. E, como disse Barthes (1988, p.92), A palavra é irreversível, tal é a sua fatalidade. Não se pode retomar o que foi dito, a não ser que se aumente: corrigir é, nesse caso, estranhamente acrescentar. Até a próxima semana.
Pão, Paz e Liberdade.
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[i] BARTHES, Roland et al. A Crise da Sociedade Contemporânea. Lisboa: Edições 70, 1974.
[ii] MANNHEIM, Karl. O Homem e a Sociedade. Rio de Janeiro: ZAHAR, 1962.
[iii] BARTHES, Roland. O Rumor da Língua. São Paulo: Brasiliense, 1988.
domingo, 6 de abril de 2008
Temas interessantes e... importantes
Liderança (5)
O medo de cometer erro inibe a iniciativa. Assim sendo, a confiança mútua e a responsabilidade acompanhada da delegação de autoridade criam um ambiente em que a iniciativa floresce ao máximo. M. L. CHIBBER (2003, p.69)[i]
Apresentamos trechos sobre o Príncipe e o Herói. Por serem apenas citações coligidas do trabalho de Jennings e que têm por objetivo mostrar aos estudantes e relembrar aos estudiosos da Liderança um texto interessante e importante, o bom mesmo é o leitor ler este livro para ampliar seus conhecimentos uma vez que fragmentos de idéias e de livros representam apenas uma contribuição para a sabedoria. Vejam a seguir alguns trechos do Super-Homem, o último dos tipos estudados e discutidos por Jennings (1970)[ii], encerrando este capítulo temático.
O Super-Homem
Uma coisa é possuir um grande sentido do objetivo e outra é ser capaz de reunir poder suficiente para atingir o objetivo almejado. Se muitos homens malograram em suas tentativas de liderança não foi porque não possuíam idéias inteligentes, mas porque não possuíam a força de vontade suficiente para manifestar a necessária energia e determinação, e para fazer os sacrifícios necessários. (...) As pessoas hoje em dia são excessivamente executivas; vivem como se devessem apenas realizar as expectativas dos outros. Não existe originalidade, nem tampouco a tendência para a autodeterminação. Ninguém escolhe a “individualidade” própria. A enfermidade de nossa época é este sentido perdido de direção própria.
Esta avaliação feita na década de 60 do século passado por Jennings parece preditiva. Passados mais de quarenta anos o quadro do posicionamento humano nas organizações e na vida social, econômica, política não evoluiu muito para além desta dependência que compromete o desempenho das pessoas, a liberdade, a criatividade e a inovação sob os auspícios de uma liderança primária e emocional proativa. E isto torna Nietzsche tão atual quanto tantos outros pensadores dos séculos 19 e 20 que ainda não foram bem interpretados e compreendidos.
A essência da liderança é a capacidade de ser e agir de maneira diferente, não por fraqueza, conforme observamos na atual preocupação com a ambição do poder, mas em virtude da força que decorre de um sentido do dever e de responsabilidade para consigo mesmo. O indivíduo que é um ponto de contato com o futuro e que cria novos valores ou objetivos é dominado homem superior, se bem que poderíamos perfeitamente chama-lo homem livre. Nietzsche empregou o termo super-homem, uma designação poética para os grandes indivíduos que se realizaram ao seu limite máximo, sendo “pessoas” nos sentido completo da palavra.
À sua maneira particular, Nietzsche acreditava na liberdade, originalidade, novidade da vida, inventividade. Mesmo hoje em dia ele incita os homens a viverem como se nada estivesse atém da possibilidade, para serem os senhores e não os escravos da organização. (...) Para ele a verdadeira vida é algo independente dos efeitos e das circunstâncias sociais. O grande homem é aquele que se governa a si mesmo, um legislador, um criador de valores. (...) Segundo Nietzsche, a vida não é uma luta pela existência, mas uma luta pelo poder; não vontade de viver, mas vontade de poder.
No super-homem a vontade de poder se manifesta pela sua liberdade. A liberdade é o fim a que aspiram todos os homens, mas poucos a alcançam. Liberdade é a capacidade de o indivíduo ser ele próprio. Assim é que podemos dizer que o super-homem representa em forma ideal um indivíduo dirigido por si mesmo. (...) Convém observar ainda que o super-homem de Nietzsche não possui o valor instrumental do herói de Carlyle. Possui valor em si porque encarna este fim, a liberdade, que todos os homens desejam possuir.
Por último, o espírito do homem superior como nós o concebemos aguça nossa consciência sobre a possibilidade de que os sentimentos de impotência são provocados pelo próprio indivíduo. A escala ilimitada da sociedade e da organização não foi enfrentada por uma fé igual no potencial evolutivo do indivíduo. É como se a sociedade e as organizações devessem crescer infinitamente e os homens devessem permanecer os mesmos. Nada é mais destrutivo do que este pessimismo relativo à falta de capacidade potencial do indivíduo para abranger e superar a essência de nossas imensas sociedades e organizações.
Em conclusão, nosso homem superior nos incentiva a não perdermos a fé na grandeza potencial do indivíduo, e não confiarmos nos grandes sistemas em vez de confiar nos grandes homens. Ele nos roga que afirmemos que o crescimento do indivíduo agressivo e dinâmico, e a sua transformação em grande homem, é tudo o que de mais necessário e de mais vital para as organizações e a sociedade.
Tivemos assim em breves linhas um resumo de citações do livro de Jennings. Outros autores tratam de forma brilhante do tema Liderança e entre eles cito Margareth Wheatley já citada nestes artigos. Sugiro, ainda, como base para reforçar uma leitura sobre Liderança, o volume organizado por John Renesch (RENESCH, 1999)[iii].
Encerro este capítulo sobre Temas interessantes... e importantes, com as palavras de Wheatley e Renesch:
Os novos líderes serão pessoas de visão capazes de inspirar os outros a fazer parte dessa visão. Não vão se basear na retórica ou na manipulação para recrutar outras pessoas para juntar-se a eles; vão atraí-las como um imã.Esses novos líderes não vão acompanhar tendências nem seguir moda: vão, isto sim, abrir novos caminhos, construindo o futuro em colaboração com homens e mulheres que pensam da mesma forma. (RENESCH, 1999, P.15-16).
Hoje, precisamos imaginar a nós mesmos como faróis de informação, fundamentados na integridade daquilo que dizemos, enviando mensagens congruentes a todos os lugares. Precisamos da presença de todos, afirmando, esclarecendo, refletindo, criando modelos, preenchendo todo o espaço com as mensagens que julgamos importantes. Se assim o fizermos, um potente campo vai se desenvolver – e, com ele, uma prodigiosa capacidade de organizar-se de forma coerente e capaz. (WHEATLEY, 2002, p.79)[iv].
Espero que o material disponibilizado neste tema que agora se encerra tenha contribuído para melhorar a capacidade de aprendizagem e reflexão dos leitores. Para mim foi muito interessante e importante mesmo porque pude reaver idéias e conhecimentos que, para algumas pessoas, pareciam perdidos no tempo moderno, mas que considero ainda úteis para podermos reassumir nossa posição de desenvolvedores de sistemas humanos e restauradores da ordem ambiental para o planeta. A bibliografia sobre este três temas é grande e estou à disposição do leitor para aceitar outras indicações ou para fornecer literatura além das aqui citadas.
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Este Blog colabora com o II ENLLIJ (Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil da UESB), de 01 a 04/05/2008, Jequié - Bahia. Participe. Visite o site: www.celeitura.com.br/enllij
[i] CHIBBER, M. L. Krishna e a Arte de Liderar. São Paulo: MADRAS, 2003.
[ii] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas: 106-126
[iii] RENESCH, J. Liderança para uma nova era. São Paulo: Cultrix, 1999.
[iv] WHEATLEY, M. Liderança e a Nova Ciência. São Paulo: Cultrix, 2002.
O medo de cometer erro inibe a iniciativa. Assim sendo, a confiança mútua e a responsabilidade acompanhada da delegação de autoridade criam um ambiente em que a iniciativa floresce ao máximo. M. L. CHIBBER (2003, p.69)[i]
Apresentamos trechos sobre o Príncipe e o Herói. Por serem apenas citações coligidas do trabalho de Jennings e que têm por objetivo mostrar aos estudantes e relembrar aos estudiosos da Liderança um texto interessante e importante, o bom mesmo é o leitor ler este livro para ampliar seus conhecimentos uma vez que fragmentos de idéias e de livros representam apenas uma contribuição para a sabedoria. Vejam a seguir alguns trechos do Super-Homem, o último dos tipos estudados e discutidos por Jennings (1970)[ii], encerrando este capítulo temático.
O Super-Homem
Uma coisa é possuir um grande sentido do objetivo e outra é ser capaz de reunir poder suficiente para atingir o objetivo almejado. Se muitos homens malograram em suas tentativas de liderança não foi porque não possuíam idéias inteligentes, mas porque não possuíam a força de vontade suficiente para manifestar a necessária energia e determinação, e para fazer os sacrifícios necessários. (...) As pessoas hoje em dia são excessivamente executivas; vivem como se devessem apenas realizar as expectativas dos outros. Não existe originalidade, nem tampouco a tendência para a autodeterminação. Ninguém escolhe a “individualidade” própria. A enfermidade de nossa época é este sentido perdido de direção própria.
Esta avaliação feita na década de 60 do século passado por Jennings parece preditiva. Passados mais de quarenta anos o quadro do posicionamento humano nas organizações e na vida social, econômica, política não evoluiu muito para além desta dependência que compromete o desempenho das pessoas, a liberdade, a criatividade e a inovação sob os auspícios de uma liderança primária e emocional proativa. E isto torna Nietzsche tão atual quanto tantos outros pensadores dos séculos 19 e 20 que ainda não foram bem interpretados e compreendidos.
A essência da liderança é a capacidade de ser e agir de maneira diferente, não por fraqueza, conforme observamos na atual preocupação com a ambição do poder, mas em virtude da força que decorre de um sentido do dever e de responsabilidade para consigo mesmo. O indivíduo que é um ponto de contato com o futuro e que cria novos valores ou objetivos é dominado homem superior, se bem que poderíamos perfeitamente chama-lo homem livre. Nietzsche empregou o termo super-homem, uma designação poética para os grandes indivíduos que se realizaram ao seu limite máximo, sendo “pessoas” nos sentido completo da palavra.
À sua maneira particular, Nietzsche acreditava na liberdade, originalidade, novidade da vida, inventividade. Mesmo hoje em dia ele incita os homens a viverem como se nada estivesse atém da possibilidade, para serem os senhores e não os escravos da organização. (...) Para ele a verdadeira vida é algo independente dos efeitos e das circunstâncias sociais. O grande homem é aquele que se governa a si mesmo, um legislador, um criador de valores. (...) Segundo Nietzsche, a vida não é uma luta pela existência, mas uma luta pelo poder; não vontade de viver, mas vontade de poder.
No super-homem a vontade de poder se manifesta pela sua liberdade. A liberdade é o fim a que aspiram todos os homens, mas poucos a alcançam. Liberdade é a capacidade de o indivíduo ser ele próprio. Assim é que podemos dizer que o super-homem representa em forma ideal um indivíduo dirigido por si mesmo. (...) Convém observar ainda que o super-homem de Nietzsche não possui o valor instrumental do herói de Carlyle. Possui valor em si porque encarna este fim, a liberdade, que todos os homens desejam possuir.
Por último, o espírito do homem superior como nós o concebemos aguça nossa consciência sobre a possibilidade de que os sentimentos de impotência são provocados pelo próprio indivíduo. A escala ilimitada da sociedade e da organização não foi enfrentada por uma fé igual no potencial evolutivo do indivíduo. É como se a sociedade e as organizações devessem crescer infinitamente e os homens devessem permanecer os mesmos. Nada é mais destrutivo do que este pessimismo relativo à falta de capacidade potencial do indivíduo para abranger e superar a essência de nossas imensas sociedades e organizações.
Em conclusão, nosso homem superior nos incentiva a não perdermos a fé na grandeza potencial do indivíduo, e não confiarmos nos grandes sistemas em vez de confiar nos grandes homens. Ele nos roga que afirmemos que o crescimento do indivíduo agressivo e dinâmico, e a sua transformação em grande homem, é tudo o que de mais necessário e de mais vital para as organizações e a sociedade.
Tivemos assim em breves linhas um resumo de citações do livro de Jennings. Outros autores tratam de forma brilhante do tema Liderança e entre eles cito Margareth Wheatley já citada nestes artigos. Sugiro, ainda, como base para reforçar uma leitura sobre Liderança, o volume organizado por John Renesch (RENESCH, 1999)[iii].
Encerro este capítulo sobre Temas interessantes... e importantes, com as palavras de Wheatley e Renesch:
Os novos líderes serão pessoas de visão capazes de inspirar os outros a fazer parte dessa visão. Não vão se basear na retórica ou na manipulação para recrutar outras pessoas para juntar-se a eles; vão atraí-las como um imã.Esses novos líderes não vão acompanhar tendências nem seguir moda: vão, isto sim, abrir novos caminhos, construindo o futuro em colaboração com homens e mulheres que pensam da mesma forma. (RENESCH, 1999, P.15-16).
Hoje, precisamos imaginar a nós mesmos como faróis de informação, fundamentados na integridade daquilo que dizemos, enviando mensagens congruentes a todos os lugares. Precisamos da presença de todos, afirmando, esclarecendo, refletindo, criando modelos, preenchendo todo o espaço com as mensagens que julgamos importantes. Se assim o fizermos, um potente campo vai se desenvolver – e, com ele, uma prodigiosa capacidade de organizar-se de forma coerente e capaz. (WHEATLEY, 2002, p.79)[iv].
Espero que o material disponibilizado neste tema que agora se encerra tenha contribuído para melhorar a capacidade de aprendizagem e reflexão dos leitores. Para mim foi muito interessante e importante mesmo porque pude reaver idéias e conhecimentos que, para algumas pessoas, pareciam perdidos no tempo moderno, mas que considero ainda úteis para podermos reassumir nossa posição de desenvolvedores de sistemas humanos e restauradores da ordem ambiental para o planeta. A bibliografia sobre este três temas é grande e estou à disposição do leitor para aceitar outras indicações ou para fornecer literatura além das aqui citadas.
Pão, Paz e Liberdade.
Antes de imprimir pense no Meio Ambiente e nos Custos
Este Blog colabora com o II ENLLIJ (Encontro Nacional de Leitura e Literatura Infanto-Juvenil da UESB), de 01 a 04/05/2008, Jequié - Bahia. Participe. Visite o site: www.celeitura.com.br/enllij
[i] CHIBBER, M. L. Krishna e a Arte de Liderar. São Paulo: MADRAS, 2003.
[ii] JENNINGS, E. Op. Cit. páginas: 106-126
[iii] RENESCH, J. Liderança para uma nova era. São Paulo: Cultrix, 1999.
[iv] WHEATLEY, M. Liderança e a Nova Ciência. São Paulo: Cultrix, 2002.
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