"É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos, e as grandes estratégias. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la". Albert Einstein
Nesta Parte vou tratar de uma metodologia que pode contribuir para o que denominei, na parte anterior, de Departamento de Engajamento de Clientes como uma forma de substituir a Administração Mercadológica ou Departamento de Marketing das empresas. Trata-se da Metodologia do Menor-Preço e do Cliente-Sócio (MP/CS).
Trata-se de uma metodologia que depende da realização de uma transformação ou mudança radical da estrutura organizacional (ou o que poderia se chamar de Reengenharia Organizacional), a qual, muitas vezes, o dono ou sócios de uma empresa não se propõem a realizar. Esta metodologia é uma abertura para o que estou chamando de Metacapitalismo, que, de alguma forma, representa uma preparação para a saída do capitalismo e entrada do sistema cooperativista de negócio. Parece uma utopia? Talvez. Mas, sem utopia estamos sujeitos a ficarmos engessados e presos a ideologias sanguinárias que até não agregaram valores à Humanidade.
Isto implica em mudanças e mudar é o que menos deseja os empresários que ainda estão presos ao modelo de management do capitalismo agressor e invasor da intimidade das pessoas tornando-as escravas de marcas, preços e exploração da mais valia do trabalhador. Daí ser mais fácil, por exemplo, reduzir o número de empregados quando se está diante de uma turbulência financeira como a que ora está em vigor porque – acreditam os empresários – sempre irão encontrar trabalhadores disponíveis no mercado de mão-de-obra com ofertas sempre crescentes.
Engano. Ele pode encontrar pessoas disponíveis no mercado, mas em sua maioria sem a competência necessária ou requerida para alavancar no curto prazo o seu negócio numa retomada do consumo (demanda descomprimida) e aí, neste caso, os seus custos tendem a aumentar em sentido geométrico e ultrapassar aquela economia ou redução financeira que ele obteve com a dispensa de pessoal.
Outro ponto que se salienta desta decisão ingênua é que, mesmo reduzindo o quadro de pessoal ele não consegue alcançar mais o nível ótimo de economia do negócio que possa ser repassado para os consumidores e, assim, nunca irá por em execução a Metodologia do Menor-Preço/Cliente-Sócio.
É importante não confundir (e alerto mais uma vez) Menor-Preço com Preço-Baixo. Na verdade você não vai reduzir o preço do seu produto ou serviço de modo meramente linear ou simples ou instantâneo.
O procedimento que vejo nesta Metodologia tem a ver com as estratégias de Qualidade e de Engajamento do Cliente ao Negócio. Você estará pondo em prática um conjunto de estratégias tectônicas, as quais considerarão as evidências segundo seu grau de importância para o negócio, para o ambiente, para o mercado como sejam: as Evidências Muito Importantes (EMI), as Evidências Pouco Importantes (EPI), as Evidências Quase Importantes (EQI) e as Evidências Importantes (EI) e, por conseqüência, estará envolvendo em seu planejamento pelo menos quatro cenários possíveis que sejam capazes de impactar os Clientes a partir de uma matriz de preços, a qual você desenvolverá juntamente com esses clientes.
Observe que você precisará “ensinar” aos clientes a montante (os Fornecedores), os clientes internos (os Colaboradores) e os clientes a jusante (os Consumidores) a serem seus sócios nesta empreitada nova e desafiante. Este eu chamo de Triângulo do Menor-Preço/Cliente-Sócio que trataremos aqui como uma das partes deste artigo.
Esta é uma metodologia para CRISES e tem como base (e exemplo) a experiência vivida, entre outros, por Henri Fayol e, sobretudo a experiência de Tomás Bata na Tchecoslováquia nas primeiras décadas do século 20 no auge das crises de 29 e 30. Em outro momento falarei um pouco mais sobre as experiências de Bata, conforme consta de sua biografia.
Isto, contudo, não quer dizer que aquelas soluções assumidas por Bata representem as melhores soluções para todos os negócios ou uma solução definitiva para todas as CRISES econômico-financeiras. O que Bata conseguiu ontem (passado) não vale totalmente para hoje (presente) e muito menos para amanhã (futuro). É necessário avaliar quais das melhores práticas realizadas por ele podem contribuir para a criação de melhores práticas hoje.
É preciso um estudo profundo de cada situação, antes de se aplicar as experiências de ontem, especialmente no caso de CRISES que são geradas pelo uso imoral dos recursos; pelo uso desonesto de títulos de negócio que são supervalorizados através de uma mídia também desonesta a fim de alguns embolsarem sem qualquer decência de recursos muito além do valor real dos papéis comercializados em público (bolsas de valores).
Existem vários tipos de crise (e de problemas geradores de crise). Pelo que pude perceber, até agora, os tipos que mais impactam os resultados financeiros e econômicos dos negócios estão entre os seguintes:
1) Crise Financeira
2) Crise Econômica
3) Crise de Valores Éticos
4) Crise de Tecnologia
5) Crise de Mercado
6) Crise Organizacional
7) Crise Política
8) Crise Social
9) Crise de Conhecimento
Cada uma dessas crises, ou várias delas ao mesmo tempo, pode gerar turbulências tanto agregadoras quanto desagregadoras para o sistema empresarial. Cada uma delas possui roupagem própria ou características bem definidas de acordo com as variabilidades do sistema em ela ocorra. Contudo – e este é o lado bom das crises – todas elas trazem no seu âmago as próprias soluções ou variáveis solucionadoras que podem ser traduzidas como oportunidades. Se uma crise aparenta ser uma ameaça essa mesma crise também aparenta ser uma oportunidade se olharmos segundo um enfoque sistêmico ou holístico.
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sábado, 4 de abril de 2009
SOBRE CRISES E TURBULÊNCIAS (III)
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