segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Sobre Crises e Turbulências

Estamos reiniciando o período letivo e, como sempre, também recomeço as minhas postagens nos Blogs, dando as boas vindas aos colegas e estudantes que estiveram descansando durante esses meses. O que dizer neste início de semestre letivo para vocês? Estamos em crise? Ou estamos vivendo apenas as turbulências da reorganização política e econômica mundial?

Estou trabalhando um tema que é deveras interessante e que alude a questões estratégicas e prospectivas, o qual já fiz referência em outros artigos. Trata-se da Administração Estratégica Tectônica que em breve lançarei em formato de livro. Neste tema trato turbulências e crises, como esta que estamos agora vivenciando (mas que já tinha sido anunciada no passado), como fenômenos administrativos organizacionais que denominei de organomotos tomando como referência os abalos sísmicos ou terremotos que ocorrem na esfera terrestre.

O Planeta é uma grande organização, grande e complexa, cuja complexidade nós, únicos animais inconclusos que existem na face da Terra, também complexos, não conseguimos até agora compreende-lo e nem sabemos como administra-lo devidamente e lucrativamente. Criamos, então, organizações (empresas, instituições) com o objetivo de melhorar um pouco a nossa completude e, infelizmente, não aprendemos nada dos fenômenos que a Terra nos oferta como base para a sobrevivência. Não sabemos ou pouco sabemos aproveitar as evidências que estão claras (ou mesmo ocultas, mas disponíveis) e uma delas vem rotulada pelos Ciclos Socioeconômicos que muito se assemelham aos Ciclos Tectônicos. Esse foi um dos caminhos que segui para iniciar a redação do trabalho que faço referência aqui.

Tenho lido muito nos últimos meses sobre a crise que está abalando o capitalismo e percebi que se criou um clima de euforia, medo e desespero entre políticos, estados (países), empresários, estudiosos (sobretudo os economistas) e administradores por causa da quebradeira que vem ocorrendo com bancos, empresas, governos. Estão todos lutando contra manadas de elefantes (ou rinocerontes?) e como ninguém quer carregar sozinhos esses bichos, apelam para propostas ou soluções drásticas como já ocorreram no passado: quais sejam, reduzir quadro de pessoal, fechar unidades fabris em vários países, enfim, recorrendo rapidamente a elementos macro e visíveis (elefantes) que representam, talvez, menos de 10% dos problemas ou melhor de solução para os problemas e são como a ponta de um iceberg.

Em princípio as empresas não estão quebrando por falta de dinheiro, mas por falta de ética, de prudência, de organização salutar, de administração efetiva. Tanto os países como as empresas se acomodaram nas placas (ou camadas) organizacionais confortáveis e esqueceram que elas se mexem, se movimentam com grande velocidade e desprendimento de energia, daí quando se chocam geram os organomotos que já foram vividos anteriormente (como a crise de 1929, a crise do petróleo, etc.) os quais requerem ajustes importantes que estão, ainda, ocultos na base do iceberg e, por comodismo e por modismo, os especialistas não conseguem ou não se interessam em investigar.

Em caso de uma crise como esta faria um benchmark com o caso de Tomas Bata (Ver sua biografia ou leiam trechos no livro de Harmon e Jacobs , A Diferença Vital) procurando em seguida apoio em bases de simulação atuais e trazer para dentro da empresa a força do cliente (ou a Voz do Cliente) interno e externo e não apenas demitir os trabalhadores. É certo que se existe uma produção muito elevada em relação a uma demanda muito baixa torna-se necessário, em algum momento, reduzir esta produção. Contudo, reduzir a produção é o caminho mais fácil desse malabarismo com elefantes. Por que não aumentar a demanda reduzindo os custos e os preços de venda? Por que não ajustar com os trabalhadores a redução dos salários em troca de suas participações cooperativas nos negócios, nos lucros e nas vantagens que a empresa possa obter? Este é o lado empreendedorial ou coopreendedorial que falta nos empresários pragmáticos (capitalistas fechados).

Existe, também, o lado social, o político e neste vamos encontrar uma outra crise que não a econômica: a crise ideológica, a qual tende a gerar vários organomotos difíceis de controlar, às vezes, mas não impossíveis. Os estados não querem abrir mão de suas posições ideológicas e preferem que as organizações econômicas e negociais assumam, sozinhas, a culpabilidade pelas turbulências.

Existe um fato interessante, senão curioso que pude constatar em minhas leituras. O que observei, até agora e nos textos lidos, nessa crise foi o equilíbrio do sistema cooperativo de crédito. Os abalos organossísmicos parecem que não foram tão ruidosos ou violentos para as cooperativas de créditos, em especial no Canadá, na Alemanha, na França e, até, nos Estados Unidos. A que se atribui que algumas cooperativas não tenham sofrido tanto quanto ocorreu com os bancos e empresas em geral, com a quebradeira financeira que abalou o sistema de crédito mundial? Deixo esta pergunta para vocês responderem ao longo do semestre letivo.

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