quarta-feira, 5 de maio de 2010

DESENVOLVIMENTO HUMANO EM UMA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

A EDUCAÇÃO COMO FATOR PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO I

A instrução tem por fim fornecer ao homem o conhecimento e o uso de objetos necessários para a sua vida profissional.
A educação tem por fim despertar e desenvolver no homem os valores da natureza humana; porquanto a natureza humana existe em cada indivíduo apenas em forma potencial, embrionária.

Huberto Rohden

Li recentemente artigos e textos escritos por estudiosos, bem como relatórios sobre economia, educação e administração e senti que seria conseqüente trazer para um tema que discute o Desenvolvimento Humano, alguns posicionamentos para, quem sabe, também acrescentar ao que está na ordem do dia um pouco mais de vontade de realização; uma contribuição para energizar o motor emperrado pela paralisia de paradigma que perdura até agora. Quando discutia sobre as Habilidades Essenciais aqui no Blog procurei mostrar, com foco no Administrador, que as organizações e os profissionais só podem crescer se fincarem o pé no desenvolvimento e manutenção destas habilidades.

Um dos pontos que mais me chamam a atenção neste quesito é aquele que denominei de A Arte de Ler, que considero fundamental para a competência conceitual do profissional. Insisto neste ponto porque me sinto decepcionado ao ver que estamos colocando no mercado muitos profissionais que não sabem construir ou ler ou interpretar uma frase simples e saem (se diplomam) como se estivessem preparados para tomar decisões, quando tomar decisão é solucionar problemas e eles insistem em “detestar matemática”, isto porque não sabem e conhecem pouco a sua língua portuguesa.

Gostar de matemática, aqui, não se refere à necessidade de ser especialista nesta matéria, mas saber utilizar, no mínimo, as principais regras e alguns dos recursos que podem contribuir para o processo decisório. Por exemplo, os cursos de Administração resolveram retirar ou minimizar no currículo uma importante disciplina que ocupa um papel de relevo no sistema estratégico e no processo de logística das empresas, que é a Pesquisa Operacional (PO).

Isto se deu possivelmente porque o índice de reprovação e repetência era muito alto, dificultando aos estudantes a conclusão dos cursos, tendo em vista que esta disciplina, PO, se utiliza de sistemas de equações lineares para buscar uma melhor solução através de uma Função Objetiva relacionada com a otimização de um sistema de transporte, por exemplo, ou Logística. Saliente-se que esta atitude em relação à PO começa com o surgimento de cursos de Administração nas faculdades privadas do país.

A idéia de facilitar a conclusão de um curso pode resultar na mediocridade do conhecimento para a formação de um profissional. Também não estou querendo dizer que um profissional só será excelente se for preparado com conhecimentos de PO. Regra geral não é preciso um conhecimento amplo em todas as áreas para ser um excelente profissional.

O que precisa, e isto é uma exigência do mercado no momento, é ter competência para lidar com situações críticas, não-normais, em ambiente turbulento que requer uma comunicação eficiente e uma intuição bem desenvolvida. Uma educação para formar um profissional como exige hoje o mercado requer conteúdos que lidem com ambos os hemisférios (direito e esquerdo) do cérebro.

Enquanto o conteúdo da (quase) totalidade das disciplinas na matriz curricular fortalece as competências do lado esquerdo do cérebro (Habilidades Técnicas), a capacidade criativa vai sendo relegada a um segundo plano, porque não temos quase nada que se ocupe com o lado direito do cérebro nos programas disciplinares dos professores; ou, mesmo, nem contamos com a competência dos professores para aproveitarem seus programas de aula no sentido de direcionar temas, trabalhos e estudos diversos para promover uma educação que ocupe o lado direito do cérebro dos estudantes. Aqui reside uma das causas de se exigir do aluno que decore textos para fins de avaliação e não que crie textos para realizar a avaliação do conhecimento

A preocupação maior de quase todos os professores é computar números através de provas para concluir suas atividades de classe e dar uma satisfação para o dono da faculdade, ou diretor de um curso. Daí, as matemáticas e a PO serem consideradas pouco relevantes para as Habilidades Essenciais, segundo os fazedores de matrizes curriculares e, mais ainda, para os aplicadores dessas matrizes, porque elas mexem com os dois hemisférios do cérebro do estudante.

Em um dos artigos que li na Internet chamou-me a atenção o posicionamento de uma empresa que incluía no processo seletivo um rigoroso exame de Português para os candidatos. A Gestão de Recursos Humanos da empresa (uma multinacional!) estava muito preocupada com o desempenho do sistema de comunicação interna e externa, o que a levou a mudar as regras de admissão exigindo dos candidatos fluência na “Língua Portuguesa”.

Sempre que inicio um semestre letivo as primeiras palavras que exponho para os estudantes são: Para serem bons profissionais, é necessário que vocês aprendam quatro idiomas: Português, Inglês, Espanhol e (mesmo com o riso e piada deles) o Mandarin. Por outro lado, peço para eles estudarem bem, pelo menos, o Português, pois com este idioma já será possível abrir melhor as portas do sucesso, particularmente no ambiente interno das empresas. Além disto, peço-lhes que tragam para a sala um dicionário e uma gramática de língua Portuguesa. Os artigos que têm sido publicados, atualmente, ajudam a mostrar que as idéias de se estudar e aprender um idioma como o nosso não é brincadeira minha. A coisa é muito séria. As universidades da Europa já estão incluindo o Mandarin como disciplina obrigatória. Por que estão seguindo este caminho?

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