sábado, 12 de março de 2011

PROSPECTIVA ESTRATÉGICA

CENÁRIOS II - FORMAS DE PROPRIEDADE E SUAS INFLUÊNCIAS NA FORMAÇÃO DE MODELOS MENTAIS E COMPORTAMENTOS HUMANOS

A resistência das pessoas em relação à instituição plena do cooperativismo e do mutualismo deve-se, sobretudo, à dificuldade que muitas têm para sair do caminho dos ganhos especulativos produzidos através de empresas e negócios individuais (propriedade individual negativa) e pouco ou em nada lícitos. Isto é comum em todo mundo. Aqui no lado mais capitalista da economia mundial existem casos realmente desastrosos como os da ENRON e dos títulos subprimes que vicejam na economia americana e latino-americana.

As pessoas vivem em um mundo irreal, manuseando valores reais que não lhes pertencem, que são usurpados dos indivíduos que contribuem, às vezes também com a ilusão de se tornarem tão ricos quanto aqueles que são usurpadores e que criam um conglomerado de propriedades para assumir posição de poderosos.

Quando alguns desses indivíduos começam a se tornar muito espertos e ladinos por perceberem o jogo dos poderosos financeiros e negociais, esses poderosos procuram coopta-los para tirá-los do seio da massa ignara (multidão silenciosa), a fim de não ampliar a conscientização dos demais em relação ao jogo do poder econômico e financeiro. A cooptação de dá através da deformação dos modelos mentais daqueles indivíduos que aguçaram demais suas consciências e começaram a perceber melhor o jogo dos poderosos.

Neste trabalho estou esboçando algumas formas de acumulação tendo como base a propriedade ou Poder da Riqueza, que é a base do Segundo Paradigma, para nortear a idéia principal do cenário relacionado com o fim da propriedade. Naturalmente que as idéias e conceitos aqui esboçados fogem dos padrões (ou paradigmas) adotados pelas disciplinas e fragmentos de conhecimentos disciplinares que tratam deste tema ou têm-no no seu escopo programático.

A fixação em certos paradigmas, muitas vezes, é resultado da deformação proporcionada durante o período escolar, quando os estudantes são obrigados, para evitar punição (de qualquer natureza) a decorarem textos únicos, não discutirem, submeterem a uma prova como medida de avaliação, a fim de serem promovidos nos níveis escolares até concluir os seus cursos. Poucos, e raros, são os estudantes que saem lateralmente e não se prendem ao “ensinado” saindo em busca de uma aprendizagem mais eclética, menos dogmatizadora, e plena em conhecimentos para a vida. Estas deformações são alguns dos empecilhos para que se consiga realizar a grande transformação cooperativa da sociedade humana.

Além de esboçar cenários que poderão ocorrer no futuro também esboçamos e reforçamos os princípios de um novo Mutualismo Integral e um novo Coletivismo Integral que terão como propósito servir de apoio à formação de Cooperativas Integrais e, mais ainda, o desenvolvimento do Coopreendedorismo entre as famílias rurais e urbanas excluídas.

Por que Mutualismo Integral e Coletivismo Integral? Por que não aceitar e manter os paradigmas e modelos mentais que existem desde o Século XIX e que foram reforçados ao longo do Século XX pelos movimentos sociais e socializantes em vários continentes?

Um dos primeiros motivos que conduz a não aceitar mais os modelos mentais e paradigmas que estão em vigor deve-se a que eles se originaram e foram reforçados pelos princípios mecanicistas, materialistas, racionalistas cartesianos e newtonianos de trezentos anos passados.

Um segundo motivo deve-se a que aqueles princípios que fundaram o Primeiro Iluminismo promoveram a fragmentação do conhecimento deixando de reconhecer, entre outros, os conteúdos dos princípios filosóficos e espiritualistas que têm uma poderosa ação sobre o comportamento, a criatividade, a socialidade, e maturidade comportamental das pessoas, além, claro, de ampliar as Habilidades Essenciais do próprio indivíduo colocando-o na posição de multivíduo.

Com os caminhos do Século XXI conduzindo a um Segundo Iluminismo não pragmático (o qual tem como marco-limite para o seu começo, ainda que em forma embrionária, o Zaratustra e outros trabalhos de Nietzsche. Pelo menos o trabalho de Nietzsche, pela minha visão, termina ou finaliza o Primeiro Iluminismo), mais Holístico e primando pelo desenvolvimento do Homem Integral, está na hora de começarmos a preparar a saída de nossa borboleta de seu casulo para plainar sobre as pessoas e promover o esclarecimento (no sentido mesmo de desalienação) integral.

Aqui começa um segundo cenário no qual se esboça à frente, no futuro, a partir de agora uma nova sociedade na qual o fator quantidade (de terras nos latifúndios, de propriedades extensivas e empresariais e outros atos que o homem em sua individualidade perniciosa deixa de contribuir para a grandeza de uma individualidade colaborativa, cooperativa, amorativa, humorativa, harmonizativa e humanizadora.

Com isto serão disseminados os princípios filosóficos e científicos que irão congregar as partículas dispersas do saber e do pensar para construir ou reconstruir a integralidade do conhecimento e acabar com o poder e a influência da racionalidade limitada e limitante que predominou até agora na sociedade humana; que foi a geradora de todos os modelos e ícones que influíram na formação e na manutenção de modelos mentais e comportamentais que consolidou o individualismo negativo nesses mais de trezentos anos de sociedade.

Estas posições são importantes porque a consolidação do capitalismo industrial e do capitalismo de capital, que tem seu início na I Revolução Industrial, só vai ocorrer com as abordagens de Taylor sobre as condições de trabalho e a medição do esforço no trabalho que criam a técnica management e resulta, depois, nos estudos de produtividade. Este capitalismo vem reforçar e também assentar os princípios do Poder do Dinheiro com base na apropriação e acumulação cada vez mais intensa de bens materiais, recursos e espaço territorial. Isto nada mais é do que a forma mais severa e cruel de propriedade que chamo de Propriedade Individual Exclusiva, a qual já vinha sendo contestada por Proudhon.

Assim, estamos diante de duas formas de propriedade: uma exclusiva ou exclusora e outra inclusiva ou inclusora. A primeira pode-se dizer que é resultante de uma apropriação extorsiva dos recursos naturais inclusive do espaço natural territorial como referência para consolidação de poder. A segunda ainda se encontra em formação e vai se consolidando pouco a pouco no ambiente humano e é a base do segundo cenário para promover as idéias e os esforços para se alcançar o fim da propriedade e o nascimento da propriedade coletiva. Este cenário tenta se formar através da conscientização do homem no sentido de uma multividualidade que se opõe à individualidade perniciosa e egoísta.

Portanto, isto vem agregar valores para que se alcancem as condições para a instalação de meios e recursos que sejam capazes de recriar os modelos mentais anacrônicos que geraram os hábitos e paradigmas de uma sociedade centrada na propriedade individual, em outros modelos que irão gerar novos e positivos hábitos e paradigmas que irão impactar as comunidades e a nova sociedade cooperativada.
Pão, Paz e Liberdade
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